zelo em comum me refaz
muito doido me ver em foto recebendo carinho físico e emocional de gente que acabei de conhecer.
zelo em comum me refaz
muito doido me ver em foto recebendo carinho físico e emocional de gente que acabei de conhecer.

Roda de avaliação final do Seminário da Rede LGBT+ do Interior de Pernambuco. Fonte: Rede LGBT+ do Interior-PE.
eu tava fritando com o pré-formação, na moral. meu sono se cagou de novo por isso. comunicação de casa à moda caralha faz um mal danado (totalmente prevenível quando não é só uma pessoa que quer prevenir, mas eu sou só uma).
só que o jeito que me avisaram que meu amigo que já tava lá travado ficou aliviado de saber que eu ia e queria me ver me resetou. o jeito que geral se aliviou de conferir que eu fiquei junto dele, mesmo sendo nossa primeira vez na formação, apesar da programação. o jeito que isso atraiu mais gente pra trocar conforto — principalmente emocional! — com a gente na mesma cama. o jeito que isso rendeu “cuida dela agora que vou sair, ela também precisa e não tá bem” até “sim, mandei o recado pra tu, por que tu não foi pegar?”, “é que teu olho brilhou falando disso e me emocionou” e “eu quero ser seu bom garoto”. uh.
assim que eu sei que amar é fácil. sovar a massa do amor pode ser leve, direto, franco, tátil. o cheiro da fornada sai melhor que pão. fui sovada e sovei um carinho tão forte, cheiroso e macio que só não esqueci meu nome porque aquele outro manhoso que gosta de degustar o que diz, quer, escuta e vê me dividiu o gosto. sem querer parar. sem querer soltar. sem mais se conter.
antes passei um tempo invocada com umas dificuldade de trocar visitas, atenção calorosa e mútua sem protocolo externo. vejo como os monogâmicos, bem mais tolerantes a compulsões dominantes de controle abusivo da atenção emocional, me demarcam a vida toda como estranha. embora me chamem quando querem de mim exatamente o que me renegam rindo. tenho dificuldade de reconhecer o que é conforto pra mim, mas toda vez que reconheço, aviso. mesmo viçando cronicamente pra celebrar a felicidade de quem me ama. ver que consigo nutrir sentidos corajosos e felizes em quem quero comigo me renova, sempre como nunca antes.
mas o tal do ganhar a nutrição de volta… sem que eu precise ficar alerta… nem que eu precise correr, prever, prevenir, remediar… só estar e me dar…
é por isso que não me acho tão combativa quanto pessoas tão lindas pra mim me acham. peituda sim. faminta por colo sim. cuidadosa também.
receber o cuidado com vontade sem que eu tenha pedido pra que eu ganhe mais do que peça é que me recria pra além disso.
as provas de revezamento eram um dos meus intervalos de paz no dia. variei os estilos, permaneci na equipe a adolescência toda, toda a equipe fazia festa. foi um evento quando comecei a nadar borboleta. meu estilo favorito desde criança, embora tivessem me iniciado no peito que meu joelho não gostava. e tome mais festa de revezar borboletando também. anos depois entendi a borboleta que guarda minha cabeça.
revezar as oferendas de carinho com a vontade toda dita, escancarada. e por isso mesmo o sabor, o aroma, a textura, o cheiro, o abraço, o olhar, a fala, o suspiro, o rebolado lentinho, a contração, a umidade, o gemido ficam mais emocionantes. e se renovam num piscar lentinho de olhos atentos, encontrados. que alívio que isso dá. que felicidade que isso dá.
메타데이터
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