Ana Cristina Campelo e o legado de Raquel de Queiroz: diversidade, união e futuro na ACLERJ
Vice-presidente da Academia de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ), a escritora Ana Cristina Campelo, ocupante da cadeira…
Ana Cristina Campelo e o legado de Raquel de Queiroz: diversidade, união e futuro na ACLERJ
Vice-presidente da Academia de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ), a escritora Ana Cristina Campelo, ocupante da cadeira nº 19, cujo patronato é da escritora Raquel de Queiroz, representa uma geração que aposta na renovação sem romper com a tradição. Sua fala revela não apenas admiração pela autora cearense, mas uma identificação ética, estética e política com sua obra e trajetória.

Para Ana Cristina, Raquel de Queiroz simboliza uma mulher “à frente do seu tempo”, dotada de empatia, coerência e sensibilidade. “Ela vestia a pele dos outros”, afirma, destacando a capacidade da escritora de traduzir, em seus textos, tanto a alegria quanto a dor humanas. Uma escrita vibrante, marcada por força narrativa, mas também por delicadeza — características que Ana reconhece em si mesma.
Ao ser questionada sobre o feminismo presente na obra de Raquel de Queiroz, Ana é enfática: trata-se de um feminismo sereno, firme e consciente. “Uma feminista que não precisa gritar para ser ouvida”, diz, ressaltando uma postura que transforma pela consistência, não pelo embate vazio. Uma descrição que ela própria assume como espelho de sua atuação pessoal e institucional.
O momento atual da ACLERJ, segundo Ana Cristina, é de reconstrução e avanço. Após um período de suspensão das atividades, a academia vive uma nova fase, marcada pela tentativa de unir decanos — membros históricos da instituição — e neoaclergianos, que chegam com novas ideias e energia. “Sabedoria e experiência de um lado, vontade de fazer dar certo do outro”, resume.
Ela destaca o papel da atual presidência, que compreende a dinâmica contemporânea das academias e aposta na integração não apenas interna, mas também com outras instituições culturais. A ideia é fortalecer redes, ampliar diálogos e reposicionar a ACLERJ como espaço vivo de produção simbólica.
Para Ana Cristina, a academia não deve ser restrita nem territorialmente nem identitariamente. Não é necessário ser carioca para integrar a instituição, assim como não há um perfil único de acadêmico. “Queremos pessoas diferentes, ideias diferentes, estados diferentes”, afirma. A diversidade — de gênero, raça, geração, território e experiência — aparece como valor central do projeto político-cultural da casa.
A ACLERJ, hoje, reúne escritores consagrados, poetas, cronistas, artistas visuais, pessoas trans, travestis, homens negros, mulheres de diferentes trajetórias. Longe de qualquer caricatura, Ana define esse encontro como diversidade cultural necessária, essencial para romper bolhas e ampliar horizontes. “Ninguém vive bem num mundo onde todo mundo pensa igual”, pontua.
Ao final, como vice-presidente, deixa uma mensagem simples e direta, que sintetiza o espírito do momento vivido pela academia: “Temos muito o que fazer. E faremos.”
Uma afirmação que ecoa não apenas como promessa, mas como compromisso com o futuro da cultura, da literatura e das artes no Estado do Rio de Janeiro.
메타데이터
- post_id
- 2eba4ce1ca3a
- slug
- ana-cristina-campelo-e-o-legado-de-raquel-de-queiroz-diversidade-união-e-futuro-na-aclerj-2eba4ce1ca3a
- url
- https://medium.com/@sarawagneryork/ana-cristina-campelo-e-o-legado-de-raquel-de-queiroz-diversidade-uni%C3%A3o-e-futuro-na-aclerj-2eba4ce1ca3a
- canonical_url
- https://medium.com/@sarawagneryork/ana-cristina-campelo-e-o-legado-de-raquel-de-queiroz-diversidade-uni%C3%A3o-e-futuro-na-aclerj-2eba4ce1ca3a
- author_url
- https://medium.com/@sarawagneryork
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-13 08:54:12