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A gigante de um metro e cinquenta e cinco

Daiane dos Santos apresentou a ginástica ao Brasil. Brilhou, encantou e colocou mais um esporte ao vocábulo brasileiro. Mas a medalha…

Rafael Alves · 2026-05-19 06:51 · 0 claps · 2.5 min read
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A gigante de um metro e cinquenta e cinco

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Daiane dos Santos apresentou a ginástica ao Brasil. Brilhou, encantou e colocou mais um esporte ao vocábulo brasileiro. Mas a medalha olímpica, que colocaria o país na história da modalidade, se recusou a vir.

O futuro, porém, trazia consigo uma menina capaz de dar um ‘grand finale’ ao que sua inspiração havia começado. Rebeca Andrade, ou “Daianinha de Guarulhos”, como era chamada, foi criada junto aos seus sete irmãos, sozinha por dona Rosa, sua mãe, que trabalhava como doméstica. Deu os seus primeiros passos na ginástica em um projeto social de Guarulhos, depois de ser convencida por sua tia.

Dali em diante, sua trajetória não se desviou do esporte. Seu irmão a levava aos treinos, fosse caminhando duas horas a pé ou na garupa da bicicleta, quando conseguiram uma. Aos dez anos, se mudou sozinha para Curitiba, para que fosse possível continuar seguindo o seu sonho. E o sacrifício de abandonar sua família fez Rebeca ainda mais forte.

Um ano depois, foi parar no Rio de Janeiro, treinar no Flamengo, clube de outras três ginastas brasileiras nos Jogos Olímpicos de Paris. Passaram-se os anos, e o espírito vencedor de Rebeca agora refletia na ginástica. Começou a conquistar medalhas e estreou no profissional logo aos seus quinze anos. Junto às medalhas, vieram as lesões. Foram três cirurgias só no joelho direito. Mas para quem chegou onde chegou, as dores não eram fortes o suficiente para impedir o show de continuar.

Após a pandemia, conseguiu a classificação para as Olimpíadas de Tóquio, a sua primeira, para dar uma nova alcunha ao “país do futebol”. Com Simone Biles fora, Rebeca tomou os holofotes para si como se fosse só mais uma competição qualquer. Na quebra de expectativa, saiu do Japão com duas medalhas: uma delas de ouro, que traduzia a sua determinação e combinava com a estrela que é.

Já consolidada, em Paris ela voltou com a pressão nos ombros de repetir o que fez há quatro anos atrás. E alcançou, como nos saltos, voos ainda maiores. Por equipes, Rebeca fez mais do que história: o bronze dava ao Brasil um patamar jamais alcançado. E ela, ao conferir as maiores notas em dois aparelhos, garantia que o Brasil também poderia ser o país da ginástica, por quê não?

Nas duas primeiras finais, no individual geral e no solo, Rebeca conquistou duas pratas que a colocaram ao lado de Torben Grael e Robert Scheidt em número de medalhas. Mas para quem tanto fez história, com mais duas finais pela frente, nós sabíamos que, inevitavelmente, ela vinha para ser a maior.

Na trave, Simone Biles caiu e o Brasil já comemorava o ouro antes de Rebeca sequer se apresentar. No entanto, a nota da brasileira não foi capaz de alcançar o pódio. A história havia sido adiada para alguns minutos depois, quando se apresentaria no solo. Com os nervos ainda à flor da pele, a brasileira foi a segunda por ordem de chamada e, mesmo assim, conseguiria ofuscar todas as outras que viriam a seguir.

Sem compromisso, ela nos lembrou dos tempos de quando Daiane dos Santos parava o país enquanto girava no ar. Ao som de Anitta, ela se tornava a maior medalhista do Brasil na história das Olimpíadas com mais um erro de Simone Biles. E até a americana, a maior que já competiu pela modalidade, reconheceu o brilho da brasileira. No pódio, a história à frente dos nossos olhos: com a bandeira do Brasil hasteada, Simone Biles reverenciava Rebeca Andrade, passando a coroa à sua majestade.

Rebeca Andrade, do Brasil.

Texto publicado em 5 de agosto de 2024. Acesso disponível em: https://www.instagram.com/p/C-TRIzoveIi/


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