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Coluna: Cinema brasileiro, “O Agente Secreto” e o peso de “Ainda Estou Aqui”

Porque só valorizamos o que temos quando chega à nível internacional?

Taís Lustosa · 2025-11-09 12:40 · 1 claps · 1.8 min read
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Coluna: Cinema brasileiro, “O Agente Secreto” e o peso de “Ainda Estou Aqui”

Porque só valorizamos o que temos quando chega à nível internacional?

Em produções recentes, Fernanda Montenegro protagonizou a versão mais velha de Eunice Paiva e Vitória / Foto: Divulgação

Em produções recentes, Fernanda Montenegro protagonizou a versão mais velha de Eunice Paiva e Vitória / Foto: Divulgação

Apesar de Ainda Estou Aqui ainda estar fresco em nossas memórias — dando destaque, claro, à atuação emocionante de Fernanda Torres — o cinema brasileiro não espera uma recuperação e segue a todo o vapor, nos entregando outro filme que promete, mais uma vez, uma série de prêmios, sendo um deles a tão sonhada estatueta de ouro.

O Agente Secreto, o novo filme de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, vêm cativando a atenção do público internacional, no mês passado, chegou a ganhar dois prêmios no Festival de Cannes 2025 — melhor direção e melhor ator — desde então o filme não saiu da boca do povo brasileiro. Nas redes sociais, comentários retomam a época em que Ainda Estou Aqui ganhava destaque em plano internacional, quase que em uma nostalgia precoce.

O que me incomoda em toda essa história é a forma com que o filme obtém seu destaque no popular nacional. Assim como “Ainda Estou Aqui”, “O Agente Secreto” só parece ganhar seu valor depois de críticos de fora do Brasil aclamarem o filme. Enquanto isso, por aqui, outros filmes nacionais seguem tendo menos espaços nas salas de cinema, horários irregulares e divulgações escassas.

A dúvida que fica é, os outros não são tão bons quanto? Porque a divulgação de “Vitória” foi tão reduzida? Porque Jesuíta Barbosa não recebe o mesmo destaque que Fernanda pela sua atuação em “Homem com H”? Isso só neste ano de 2025. Ainda pecamos muito quando a questão é valorização do nosso cinema, nos falta ser um pouco patriotas nesse sentido — não aqueles que realizam atos golpistas e depredam o patrimônio — mas os que consomem produtos nacionais.

Nesse contexto, a discussão sobre a regulamentação do streaming alcança um patamar ainda mais importante. O processo que está em discussão no Congresso Nacional tem seu foco na cobrança da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e na obrigatoriedade de cotas de conteúdo brasileiro nas plataformas. O intuito é proteger a indústria cinematográfica nacional e garantir o desenvolvimento cultural do país.

O reconhecimento precisa partir primeiro de nós e depois deles, para que o Brasil passe a não ser mais conhecido somente como o país do futebol, mas também como o país do cinema, da música, do teatro, da dança… um país rico de arte por essência.

Viva o cinema nacional!


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