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“Entre a Consciência e o Vazio” Ensaio filosófico-literário

Sou aquilo que não deixa resquícios. Sou aquilo que, frequentemente, se pergunta como seria se todos os significados que não precederam o…

João Carlos · 2026-01-04 12:44 · 1 claps · 1.4 min read
#philosophy #existencialism #absurdism #sartre
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Wiki topics: PHI · Philosophy

“Entre a Consciência e o Vazio” Ensaio filosófico-literário

Sou aquilo que não deixa resquícios. Sou aquilo que, frequentemente, se pergunta como seria se todos os significados que não precederam o nosso passado fossem capazes de nos explicar quem somos hoje. Dedico-me, incessantemente, a descobrir se estamos vivos apenas por parâmetros biológicos ou se a vida envolve, necessariamente, consciência de si. Qual é, afinal, a essência do ser humano? Não existem respostas evidentes que expliquem a finalidade de nossa própria vida. Em que momento exato dessa cronologia o ser humano percebe que existe? Ele nasce “pronto” ou se constrói ao longo da vida? Mas, afinal, o que é a vida?

Honestamente, esse oceano de perguntas faz com que eu duvide constantemente das respostas que obtive ao longo do tempo. Ao atingir determinada idade, percebi que, em meio a inúmeras incertezas, o sentido da vida pode ser entendido como algo dado — por Deus, pela natureza ou pela sociedade. Ou, talvez, seja o próprio indivíduo quem o atribui a si mesmo. Trata-se de uma dúvida súbita, que surge abruptamente e tenta me mostrar que não se faz necessário um sentido prévio para a existência e que, ainda assim, é possível viver.

“O homem está condenado a ser livre.” (Jean-Paul Sartre, O Existencialismo é um Humanismo, 1946)

Não compreendo com destreza como um ser único, dotado de tamanha insignificância, pode nascer já envolto por correntes — metáforas que revelam as redes ideológicas às quais somos expostos desde o instante de nossa existência. Não compactuo com a ideia de que essa condição revele, de maneira predominante, a lucidez do que somos. Somos qualquer coisa, menos plenamente livres. Ainda assim, é impossível fugir da responsabilidade de existir: fardo que nos é imposto desde o início da vida, juntamente com essas mesmas redes ideológicas.

No fim, não há uma resposta definitiva.


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