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O trabalho e Cristo

Como o espírito é uma dimensão do ser humano que, estando em desajuste, impacta tanto o trabalho quanto ou mais do que um pé quebrado, hoje…

The Global View · 2025-05-02 15:36 · 0 claps · 3.0 min read
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O trabalho e Cristo

Como o espírito é uma dimensão do ser humano que, estando em desajuste, impacta tanto o trabalho quanto ou mais do que um pé quebrado, hoje eu resolvi escrever uma reflexão teológica edição “Dia do Trabalho”.

Deixando claras algumas premissas para possíveis (ou nenhum) leitores: que não sou teóloga de formação, que sou protestante e calvinista. Dito isso, é de sua livre agência pular este post e seguir para outros de sua preferência.

Mas, se ainda está aqui, me deparei com uma constatação importante no que diz respeito à paz de espírito e o triste fato de observar tantos cristãos muito ativos em seus afazeres religiosos, porém nunca certos sobre o fim de suas almas. Esta é uma questão crucial do espírito e ver tantos enganados por falsos mestres, ou simplesmente por falta de conhecimento, me dói.

Já estive nessa situação em que jamais o que eu fizesse era suficiente para que eu tivesse a tão proclamada salvação. Não haviam cultos suficientes, nem mutirões de limpeza ou trabalhos voluntários que me permitissem estar assegurada de que o céu me pertencia após a morte.

Fundamentados em poucos textos removidos de seus contextos, falsos ensinos me deixavam sempre à margem da segurança espiritual que Cristo me assegura e, por consequência de tantas atividades, sempre atarefada demais para refletir sobre o meu papel no reino.

A doutrina ortodoxa grega chamada theosis é a crença de que, no Jesus encarnado, Deus se tornou como nós para que pudéssemos nos tornar como ele. Não, não seremos deuses, mas o intuito declarado de Deus não é nos salvar “por pouco”, embora por misericórdia ele o faça, como fez com o ladrão da cruz e tantos outros. Mas o evangelho não é só um bilhete de saída do inferno. Esse é o primeiro passo de um processo cujo objetivo é nos tornar perfeitos.

Essa verdade está expressa em 2 Coríntios 3:18:

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

O plano geral de Deus é, portanto, muito maior do que apenas nos livrar de Geena. Nesse sentido, minha reflexão é esta: se o foco do crente estiver constantemente em apaziguar a ira de Deus com suas atividades servis diante de falsos mestres por medo do inferno (ou “mantendo sua salvação”), que energia sobra para o aperfeiçoamento das virtudes espirituais? E quanto tempo para o conhecimento eficaz dos atributos de Deus e para construção de seu reino? Se engana o cristão que pensa que por mero cumprimento de liturgia fria brotarão os frutos do espírito.

Certamente dá muito menos trabalho uma penitência temporária, o uso de determinada roupa ou o se abster de determinados alimentos do que uma transformação comportamental que busca o caráter perfeito de Cristo. Mas o clamor atual parece ser “nos deem leis, rituais e tradições, mas não nos dê um Deus que invada o nosso espaço”.

Parafraseando João Paulo II:

Embora muitas pessoas digam que desejam que Deus se aproxime (ou apareça), a maioria tem medo da intimidade divina da encarnação. Por natureza, o ser humano prefere manter Deus a uma determinada distância, mesmo que ele ao invés de se manter escondido, tenha encarnado em Cristo.

E se não há lugar na sociedade moderna para que Deus invada o espaço moral, quem dirá certos espaços pseudo-cristãos, onde os membros creem com muita convicção que qualquer palavra dita em um palco com 60cm de altura são orientações divinas absolutas.

Mas, à exceção do anticristo e o falso profeta apocalípticos e por pouco tempo, realmente absoluto nunca será um líder religioso e sim Cristo, o Soberano sobre todos os Reis da Terra. Ele sim e não seus súditos ou pseudo-súditos. E ele nos garante que todos os que verdadeiramente nele nasceram de novo, jamais de sua mão serão arrancados por ninguém (e isso inclui você mesmo), escrito em João 6:39:

E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu, eu perca, mas que o ressuscite no último dia.

Que no dia do trabalho, o trabalho, seja ele qual for mas, principalmente o trabalho feito para Cristo não seja vão, mas seja para a evolução espiritual desejada por Deus e para a glória soberana não de líderes religiosos mas do líder da Igreja invisível, Jesus Cristo, que nos ressuscitará no último dia.


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