← Back to list

Exemplo para novas gerações

O que era apenas um esporte se tornou uma profissão para Douglas Arnoldo Weiss

Graziele Iaronka in Redação Beta · 2017-11-27 21:54 · 0 claps · 8.0 min read
#futsal #ujr #projeto-social #esporte #novo-hmaburgo
Open on Medium ↗
Wiki topics: 🔒 · Cybersecurity

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Exemplo para novas gerações

O que era apenas um esporte se tornou uma profissão para Douglas Arnoldo Weiss

Em uma quadra de futsal, no bairro Rincão, em Novo Hamburgo, é onde muitos meninos escutam os ensinamentos dos técnicos da União Jovem do Rincão (UJR). Douglas Arnoldo Weiss, de 27 anos, encontrou sua profissão: técnico de futsal. Realizado com a escolha, Weiss conta que a sua carreira não começou diretamente no futsal, mas sim no futebol de campo.

Aos 12 anos, ele iniciou no time do São José, em Porto Alegre. Entretanto, esse início não foi fácil. Os custos do esporte começaram a ficar caros e o pai do atleta, na época, havia sofrido um acidente fazendo com que Weiss não conseguisse arcar com os custos. O atleta não desistiu e contou com a ajuda dos professores e técnicos do clube, mesmo assim era muito caro para continuar. Foi então, aos 14 anos, que ele saiu do futebol de campo.

Douglas Arnaldo Weiss, ex- jogador e atual treinador das categorias de base sub-13 e 15 da UJR. (Crédito: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Douglas Arnaldo Weiss, ex- jogador e atual treinador das categorias de base sub-13 e 15 da UJR. (Crédito: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Diante do talento, a história do atual técnico estava apenas começando. Em 2004, por meio da Escola de Ensino Fundamental Antônio Bemfica Filho, onde Weiss estudava, ele ficou sabendo que haveria — no próprio bairro- o projeto Futsal Social da UJR.

O projeto trazia a proposta de inclusão social por meio do esporte. Selecionado pela professora para fazer parte do time, Weiss não pensou duas vezes em aceitar.

“Sempre gostei do esporte, na verdade nas escolas que eu estudei, como sempre tinham quadras de futsal, eu sempre acabava participando das partidas”, conta.

Jogando na posição de fixo, Weiss mal saiu do futebol de campo e de cara já começou com 14 anos no projeto Futsal Social. O projeto que teve início quando o técnico ingressou, tem como objetivo, além da prática esportiva, tornar a vida dos participantes mais saudável e fazer com que esses tenham um desempenho escolar e social sempre em desenvolvimento.

Com a tamanha habilidade e gosto pelo esporte, o jogador ganhou rapidamente os olhos dos treinadores. “Tu não quer fazer um teste para a equipe do time sub-15 da UJR? Me perguntaram os técnicos. Não tive dúvida: fui e acabei participando em 2015 da equipe”, explica.

Os treinos, auxílio e a motivação fizeram com que a entidade se tornasse mais do que importante para Weiss, mas essencial. Muitas histórias foram vividas até chegar a profissão de técnico. Cada uma das lembranças fazem Weiss enfatizar o seu crescimento por meio do futsal. “Eu sempre quis ser jogador de futsal. Tudo aconteceu de forma natural. Quando vi já estava no time sub 20”, conta Weiss olhando para quadra. Não deu outra, aos 17 anos, o atleta começou a dar aulas de futsal dentro da UJR.

O futsal deixou de ser apenas uma performance. Weiss percebeu que queria estar do outro lado e que era possível fazer do esporte uma profissão. Segundo ele, a vontade de passar os ensinamentos para outros garotos o impulsionou a seguir a carreira no futsal.

Com 17 anos, prestou vestibular para Educação Física na Universidade Feevale, onde recebeu uma bolsa de 80%, pelo fato de ser participante do time de Atletas Universitários. Defensor da ideia que a educação é essencial, ele deixa claro que busca mostrar aos alunos que os bons desempenhos proporcionam um futuro melhor.

“Todo o meu estudo foi resultado do meu bom desempenho aqui dentro da UJR. Por meio do esporte, tive quase toda minha faculdade de graça. Busco sempre mostrar isso para a gurizada, para que eles saibam valorizar as conquistas”, enfatiza o técnico.

Weiss mostra sua habilidade nas embaixadinhas. (Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Weiss mostra sua habilidade nas embaixadinhas. (Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Quando questionado sobre os momentos inesquecíveis no futsal, não faltam lembranças. Por meio de sorrisos, ele conta “eu nunca vou esquecer que em 2009, nós fomos campeões pela primeira vez no Estado na categoria Sub-20, em cima do Palestra de Getúlio Vargas. Outra lembrança boa, foi no meu último ano de Sub-20. Fomos bicampeões em cima da ACBF de Carlos Barbosa. O placar foi de 6X1 com um gol foi meu”, relembra.

Em 2014, Weiss se formou no curso e se dedicou ainda mais a UJR. Hoje, treinador oficial das equipes de categorias de base Sub-13 e 15, ele olha para trás e vê o quanto todo o esforço trouxe oportunidades únicas e quanto o seu trabalho pode mudar a vida de muitas outras crianças e adolescentes. “Eu procuro “plantar” uma sementinha em cada criança. Para lá na frente fazer vingar. E quem sabe, ver novos jogadores de futsal”, conta esperançoso.

Um exemplo a ser seguido

Não há dúvidas que Weiss é um exemplo dentro da União. Com 500 alunos participantes, encaminhados por 30 escolas públicas e por outras entidades da Rede Socioassistencial de Novo Hamburgo.

Mas para participar do Futsal Social existem alguns critérios: Condições financeiras pouco favorecidas, gosto pelo esporte e busca por um melhor desenvolvimento social são alguns fatores para o ingresso. Destinadas a crianças de 7 a 16 anos, as aulas ocorrem nos bairros Boa Saúde, Canudos, Rincão, Roselândia, Santo Afonso e Vila Redentora. Os treinos têm a frequência de três vez por semana e duram em torno de 1h15.

Conforme explica o coordenador do Futsal Social da UJR, José Luis Brochier, 49 anos, mais conhecido como Zeca, a ideia de utilizar o futsal como base do projeto possui dois fundamentos. O primeiro é ser um instrumento para competição, desenvolvimento e bons resultados nas competições. O segundo, e mais importante, é usar o futsal como um instrumento para transformar as crianças socialmente, fazendo com que essas tenham um futuro melhor.

“Junto com a cultura, o esporte é uma ferramenta muito importante para ajudar no trabalho das escolas e das famílias”, enfatiza Zeca.

Análise realizado entre o período de julho de 2017 a abril de 2017. (Fonte: UJR)

Análise realizado entre o período de julho de 2017 a abril de 2017. (Fonte: UJR)

Outro fator muito valorizado são os estudos fora das quadras. Zeca deixa bem claro: o projeto é para todas as crianças, independente das notas, mas é preciso dedicação na sala de aula e dentro das quadras. Algumas crianças chegam no projeto com um baixo rendimento escolar, não por falta de inteligência, mas por ter uma postura incorreta em relação aos estudos. O resultado do esporte é evidente, pois há um índice de quase 90% nas aprovações escolares.

“Aqui não punimos e sim damos atenção para esse aluno. Mostrando que o esporte pode ajudar e mudar sua postura diante dos estudos. Fizemos combinações. É preciso ir bem nos estudos para ir bem no futsal”, explica Zeca.

Weiss complementa, que mesmo não atuando como professor/técnico no projeto Futsal Social, também tem um cuidado importante com seus times. “Na semana passada, um pai me ligou e disse “Bah, estou com uma dificuldade com meu filho, ele está mal na escola”. Na aula seguinte, conversei com o aluno e mostrei para ele que o estudo é fundamental, seja qual for a profissão que esse vá atuar no futuro”, relata.

Com o bom desenvolvimento dentro do Futsal Social, alguns alunos são selecionados para fazer parte das categorias de base. Essa ação é desenvolvida pela UJR também, em parceira com a Feevale e o Banrisul. Para essa categoria, são beneficiados 120 alunos, de 10 a 20 anos, nas categorias sub-11, sub-13, sub-15, sub-17, sub-20.

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

40 anos de dribles e gols

Fundada no ano de 1978, a União Jovem do Rincão (UJR) completa em dezembro 40 anos e segundo Zeca, todos esses anos são resultados de muitas conquistas e evoluções, que são refletidos na evolução e sucesso dos alunos. “A convicção de que o esporte precisa ter uma função na sociedade e uma gama de parceiros nos fazem chegar onde estamos. Isso é o resultado da ajuda dos parceiros e do desempenhos das crianças”, enfatiza.

Além disso, Zeca e Weiss explicam que o esporte vem ganhando uma maior visibilidade, tanto no cotidiano quando na televisão. Como professor e treinador de futsal, costuma induzir seus alunos a olharem partidas de futsal, mostrando a eles que o esporte está sendo cada vez mais valorizado.

Para o futuro, a entidade tem planos importantes. Um deles é ampliar a prática do esporte na categoria feminina. Com um número ainda muito pequeno de meninas, a UJR quer fortalecer a importância das mulheres no esporte e mostrar que essas também podem fazer uma carreira dentro do futsal.

“Hoje a procura está abaixo do que esperamos, mas com a questão da maior divulgação do futebol feminino, a tendência é de aumentar o interesse pelo futsal também”, argumenta Zeca.

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

(Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Reflexos de Weiss

Durante o treino, é perceptível a felicidade dos meninos praticando o esporte. Atento aos passes, cada um deles carrega um sonho motivado pelo esporte. Gabriel Correa, de 16 anos, já tem carreira na UJR. Atualmente aluno da Escola de Aplicação Feevale, Correa fala que o contato com o futsal começou aos 8 anos. De uma família sempre antenada aos jogos de futsal pela televisão, foi em um sorteio feito pela professora na segunda série da Escola de Ensino Fundamental Maria das Neves Petry que o atual ala direita da categoria de base Sub-17 ingressou no Futsal Social.

“Eu tinha uns amigos que jogavam no projeto do Futsal Social. Meu desejo sempre era jogar lá, porque todo mundo falava muito bem do projeto. Quando eu ganhei no sorteio, eu fiquei muito feliz”, complementa.

Gabriel Correa, jogador há 8 anos da União Jovem do Rincão. (Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Gabriel Correa, jogador há 8 anos da União Jovem do Rincão. (Foto: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Com um bom desenvolvimento, Correa foi selecionado para as categorias de base, jogando hoje na sub-17. Diante do seu desenvolvimento e conquistas, as competições trouxeram lições para o adolescente. Contente, ele conta que em 2014, ninguém dava nada pelo time em que ele fazia parte. Entretanto, a dedicação dos jogadores fizeram o time crescer nas competições.

“Acabamos indo para final do Estadual. Não ganhamos, mas ficamos em segundo lugar. Aquele ano foi marcante, não só pelo vice campeonato, mas pela amizade forte que existia entre os jogadores do time”, enaltece Correa.

Gustavo Guilherme Müller, fixo da categoria de base da sub-17 da UJR. (Crédito: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Gustavo Guilherme Müller, fixo da categoria de base da sub-17 da UJR. (Crédito: Graziele Iaronka/Beta Redação)

Já para o fixo da categoria da sub-17, Gustavo Guilherme Müller, 15 anos, o futsal proporcionou inspirações de profissões para o futuro próximo. Segundo Müller, com a intensa dedicação no futsal, foi preciso cuidar da alimentação.

Depois, diante de uma lesão, o atleta precisou de fisioterapias para voltar bem para as quadras. “Desde que comecei a treinar, a nutrição e a fisioterapia estiveram muito presentes em minha vida. A partir disso, comecei a gostar muito dessas áreas, graças ao futsal. Ainda estou na dúvida em qual seguir”, explica Müller.

Ainda jovens no esporte, a disciplina é algo essencial para Correa e Müller. Com treinos de aproximadamente 1h30, três vezes por semana, o desenvolvimento como cidadãos fora de quadra é essencial para o sucesso na quadra.

Correa fala com orgulho, que só se torna um bom jogador se existir respeito entre os atletas. “Aprendi com o futsal que nós sempre precisamos ter respeito com o próximo, não importa o tamanho do time. O futsal não tem lógica, às vezes o pequeno ganha do grande, o grande ganha do pequeno. Por isso o respeito é essencial.”

Serviço

Para crianças e adolescente que residem em Novo Hamburgo e possuem interesse em participar, basta entrar em contato com a URJ pelo e-mail ujr@ujrfutsal.com.br ou pelo telefone 51 3582–4693.

Mais informações sobre a entidade, acesse www.ujrfutsal.com.br


메타데이터
post_id
31d306cdf337
slug
exemplo-para-novas-gerações-31d306cdf337
url
https://medium.com/betaredacao/exemplo-para-novas-gera%C3%A7%C3%B5es-31d306cdf337
canonical_url
https://medium.com/betaredacao/exemplo-para-novas-gera%C3%A7%C3%B5es-31d306cdf337
author_url
https://medium.com/@grazieleiaronka
status
ok
fetched_at
2026-07-30 08:26:29