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[08/12/23] Finalmente, mais uma vez

2023 foi o ano da minha vida. Dessa vez eu acertei. Talvez para esse ano tenha sido tarde, mas percebi coisas que acredito — até o…

Jonh · 2023-12-09 03:32 · 0 claps · 5.5 min read
#literatura #literature #ano-novo #nostalgia #inutil
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Wiki topics: LIT · Literature & Writing

[08/12/23] Finalmente, mais uma vez

2023 foi o ano da minha vida. Dessa vez eu acertei. Talvez para esse ano tenha sido tarde, mas percebi coisas que acredito — até o presente momento — que vou levar pra vida toda. Como, por exemplo, que essas coisas que aprendi, são sim importantes, até agora. E até agora, apenas. Podem vir a não ser assim pra sempre — muito plausível na verdade. Sei que poder ser apenas quem eu sou é um alívio e aprendi esse ano que só saber disso não serve de nada. Tudo de bom que me confirmou que apenas ser quem eu sou basta, também me fez acreditar que era apenas sorte e que eu tinha que aproveitar sem nenhuma segurança. O segurar é não deixar ir, e eu precisei deixar ir algumas outras coisas também. O que eu segurei, precisava ser solto, e o que eu não poderia abrir de mão — a mim mesmo — eu lancei fora. Ainda bem que me machuquei um pouco só na queda.

Percebi que “tudo que cativa precisa poder ser inútil, se precisamos não é afeto, é desejo”

Na verdade existe muito pouco de útil na vida real. Sorrir é inútil. Chorar de quase nada serve. Viver não me serviu para nada até hoje, sendo sincero.

Amo detalhes que aprendi a observar mesmo em lugares e pessoas que eu não gosto. Gestos sem sentido, placas que nunca entendi de verdade, pequenos sons escondidos em músicas que sempre ouvi mas não notava — sobre isso, a muito que passei a notar ao invés de só ver, reparar ao invés de só ir.

Amei a mim mesmo como nunca antes, quando parei de tentar ser amável, e agradeço todos que hoje me dão sentimentos mais intensos, como raiva e desaprovamento. É ótimo existir fora de mim mesmo e ocupar esse espaço no afeto negativo de alguém. Afinal eu sempre fui diferente deles, mas mal notavam que eu estava lá. E eu estou.

Nada disso foi linear. E mais uma lição. Ciclos, processos, etapas, roteiros ou pontes: A vida não é nada que seja assim. Não existe fórmula ou padrão. Eu sou a única coisa que alinha e agrupa as minhas vivências. Sartre concebe a vida como um “projeto”. Não que eu possa propor qualquer reflexão minimamente séria e embasada, pois sei apenas dessa frase, mas quando se planeja, se “imagina” muito mais do que se “determina”. Tudo pode ser diferente. Planejar é preciso, viver não é preciso, parafraseando essa outra frase tão brega mas tão boa. Cada dia que vivemos é um arriscado privilégio que de modo divertido, nos faz sofrer.

Senti fome e tive dores de tanto comer. Bebi coisas horríveis e passei sede. Fiz tatuagens que marcam para sempre que nada fica eternizado. Vida cheia de dissonâncias e até de dicotômica.

Não foi nesse ano, mas englobo a melhor sensação que senti no sal da boca. Foi doce demais, não só digo pela figura de linguagem metonímia, mas pela real sinestesia que vivi. A pior talvez, tenha sido a de sumir e ser invisível mesmo irradiando amor e medo. Impossível não ver o amor nos olhos, eu pensava. Mas só vemos o que existe. Ali eu não existi.

Ao menos, como alívio, se dói é porque está vivo. E como doeu.

Importante. Fiz amigos, e melhor, me desfiz — finalmente — de alguns deles. Pessoas são mundos inteiros que podemos tentar explorar mas não há tempo o bastante ou dinheiro o bastante para sair com eles no cinema ou baladas sempre. Dos mais improváveis, até os que vem de onde só poderia se esperar uma grande amizade, vivi dias menos solitários graças aqueles que puderam me ouvir ou me dar a graça de lhes ouvir. Está tudo certo em cuidar de alguém, se voçê estiver bem.

Essa repentina nostalgia que me visita, de maneiras diversas, vem com um alerta de que nada que é bom dura para sempre. Pensei muito e seriamente sobre a morte nesse último ano. Felizmente ou não, nada parece ter mudado muito em mim. Um certo conformismo e ao mesmo tempo uma grande agonia em relação ao tema. Afinal a morte nem existe e simplesmente pode passar a ser uma realidade intangível,em instantes. O que passou não voltará, mas segue conosco, como um peso ou como adorno. Cicatrizes ou coordenadas contam as mesmas histórias, para um lado ou para o outro, elas indicam uma direção. Músicas da minha infância, pessoas do passado. Gestos simples de carinho que não suprem. De novo, nada aqui é minimamente necessário. Inútil, eu sou. Ler esse texto não é útil — e parabéns se você chegou até aqui — expressar suas opiniões sobre ele também não, adoraria escrever mais e receber críticas, porém. Só quero existir no momento que for possível. Diversas vezes eu mesmo me corto, interrompendo uma longa tentativa de florescer.

Li muito pouco esse ano. Assisti poucas vezes um pôr do sol. Tive um dia de descanso que me deu ânimo. Cansei fazendo nada. Nadei. Amei. Tive muita vergonha de mim mesmo por diversas vezes. Confiei em mim. Ajudei.

Os agradecimentos são vários. Presenteei e presenciei alguém que um dia fará textos infinitamente melhores que os meus, e ela já sabe, por isso, deixo mais elogios para ela, que me deve essa outra gentileza. Yasmim, aqui destaco brevemente, sem precisar de motivos ou razões eu trago pra sempre você e seus sonhos com os meus. Minha futura guerreira. Não poderei desvendar os textos antigos da psicologia se você não atear fogo na bandeira dos meus opressores. Não sei se meus pais vão ler isso, mas agradeço pelo esforço e nada vai recompensá-los. Estou tentando me desprender, sei que não era intenção de vocês, mas digo, felizmente meus problemas são mais culpa minha, hoje, do que a de vocês. Jady, sou um adulto, tanto quanto você, é uma questão de mais tempo aprendendo a fingir. Agradeço a Deus, que eu ainda amo e acredito, por conta da Lais ter te achado e vice-versa. Ela não é psicóloga — você ainda precisa de uma! — mas vai te ajudar. Will, você provavelmente é o mais próximo de um irmão mais velho que eu já tive. Você é gigante pra mim. Taaaaa? Dudas, obrigado por poder implicar com vocês pra demonstrar carinho. Feeh, queria te dar presentes mais valiosos do que impressões preto e branco e metade de uma cerveja, mas voce é a pessoa que eu deixo me ajudar pra aprender a não ser idiota, pelo menos eu tento. João 3, vc é o que eu tenho o prazer de ofender pelo péssimo gosto com vilões, por erros com meninas quase tão graves quanto os meus, e infelizmente poder ter vivido coisas ruins junto com você. Espero que ainda possamos ver todos esses vilões mortos. João 2 a pessoa — depois de mim mesmo — que mais ama e odeia futebol e me faz rir de qualquer coisa apenas lembrando que sempre dá para piorar (“poderia ser pior”) e normalmente haveriam poucas realidades nas quais seríamos nós mesmos e que a vida é o que é(“não vai ter jeito”) Gabi minha primeira paciente e amiga patricinha que me daria medo na escola. Luísa, por último na lista por ter sido a primeira a me ajudar esse ano. Desculpa ter comprado tanto pão de queijo e falado tanto das saladas do meu trabalho. Era até estranho estar com você. Era simples e confortável, o que era novidade e raro. Foi bom.

“Mais um barco de papel / Para nós”

Esse ano precisa terminar porque histórias como essa, sem sentido, com um protagonista reativo e personagens tão amados pelo público — diversas vozes na minha cabeça e seguidores das redes — merecem uma recompensa a altura de suas ações; Uma história de alguém sem propósito e uma vida cativante rumo ao incerto. Toda boa história é assim, mas raramente sentimos isso. O fim deixa uma grande sensação. Boa ou ruim. Esse não é o fim da história, apenas da minha criatividade e disposição. Aguardo uma ideia melhor para o fim.


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