amor faminto
na ponte de santa cássia, onde tantas vezes nos encontramos, prometi-te amor por toda a vida. as palavras saíram de meus lábios como um…
amor faminto
na ponte de santa cássia, onde tantas vezes nos encontramos, prometi-te amor por toda a vida. as palavras saíram de meus lábios como um juramento, mas teus olhos pediam mais. um amor que se diz é um amor que se prova, e tu, com um sorriso desafiador, quiseste essa prova.
com os dedos trêmulos, busquei na bolsa o canivete, sua lâmina refletindo a última chama do crepúsculo, um reflexo frágil daquilo que não se pode segurar. tu não vacilaste, como quem já conhece o peso do destino. erguestes os braços, com que em rendição, acompanhando de um suspiro maldito.
o corte foi preciso, uma incisão no que não se vê. com mãos trêmulas, segurei teu coração entre os dedos, ainda quente, ainda pulsante. a vida esvaía-se em ritmo lento, entregando-se ao destino que selamos juntos. e quando o levei aos lábios, não era dor o que nos envolvia; o sabor ferroso da tua existência fundiu-se à minha, e devorei-te ali, não em sangue e vísceras, mas na fome insaciável de quem deseja amar intensamente e se tornar uma só carne.
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