Madalena
Conheci ela quando entrei na faculdade e imediatamente me fascinei. Tem algo sobre ver uma pessoa livre quando você não é que traz aquele…
Madalena
Conheci ela quando entrei na faculdade e imediatamente me fascinei. Tem algo sobre ver uma pessoa livre quando você não é que traz aquele sentimento de “childlike wonder”. Ela era exatamente isso, livre, um mistério pra mim.
Isso foi 5 anos atrás. A gente chegou a flertar algumas vezes mas eu logo comecei a namorar com a pessoa que até hoje é minha namorada. Até que terminamos, duas vezes.
Da primeira vez eu fui atrás da Madalena. Só nas redes sociais, aqueles flertezinhos despretenciosos por diversão, a gente não ficou nem nada, na época ela fazia parte de um trisal com duas outras meninas então acho que também já tinha muito nas mãos, literalmente. Na segunda vez, ano passado, eu fui de novo atrás da Madalena, dessa vez de verdade.
A gente começou como duas adolescentes, se encontrando nos intervalos das aulas da faculdade pra fumar cigarro no intervalo. Na primeira vez que a gente ficou eu fiz a maior entrada que já tinha feito até então no meu diário: 7 páginas.
“Talvez parte da fascinação seja isso, o mistério. O processo de descobrir quem ela é, de ter a oportunidade de não saber nada sobre ela. É excitante, fisiologicamente, não saber exatamente o que fazer”
Esse é um trecho dessas 7 páginas, e descreve muito bem de onde vinha boa parte do meu tesão em Madalena, no não saber. Acho que não saber é uma das melhores coisas da vida. O medo, a adrenalina, o sentimento de que você pode acertar a qualquer momento, ou errar a qualquer momento. É daí que vem o espaço pra fantasia, e eu diria que pelo menos 80% do meu tesão vem da fantasia, da minha própria cabeça.
A gente nunca chegou a transar de verdade. Ficamos algumas vezes no estacionamento da faculdade, no estacionamento do meu prédio, em roles aleatórios por aí, enfim, sempre meio mocadas, ninguém sabia. Eu achava isso excitante também. Daí descobri que o motivo dos nossos encontros mocados era o fato de que ela tinha uma namorada, e isso matou um pouco minha paixonite, mas não meu tesão, na verdade acho que o tesão até aumentou.
Caralho, eu sou amante? Eu fui amante? Era um relacionamento aberto? Não sei, nunca soube, nunca conversamos sobre isso. Na verdade eu só descobri porque quando decidi contar pra uma amiga minha que Madalena e eu estávamos trocando uns beijinhos ela me veio com a bomba: “amiga, mas ela não namora?”. Sim. Ela namora.
No fim descobri que essa liberdade dela era parte irresponsabilidade e parte desprendimento total da realidade. Era muito melhor na fantasia, assim como a maioria das coisas. Mas mesmo assim senti que ela me ensinou algumas coisas sobre o tesão.
Eu nunca tive muitas experiências sexuais antes de terminar com minha namorada pela segunda vez. Acabamos voltando depois de 8 meses. Nunca contei pra ela sobre toda a minha experiência com a Madalena e nem com as outras que ocorreram nesses 8 meses, nem acho que vou, vai ficar sendo meu segredinho e minha fantasia.
Começo escrevendo dela porquê ela foi a primeira desses 8 meses. Parece que mesmo já tendo passado mais de um ano eu me prendo nesse lugar e vejo essa minha fase solteira como uma das melhores da minha vida. Claro que quando estava vivendo não era tão lindo assim, além de fantasiar eu também romantizo e maqueio as dificuldades, mas a dor é boa também, muito boa.
Hoje em dia, como já escrevi por aqui em meu primeiro texto publicado, tenho sofrido pra recuperar meu tesão. Acho que lembrar da Madalena ajuda às vezes. Sabe quando uma pessoa é tão tesuda que parece que tudo que ela faz na vida é erótico. Ela dirigindo era erótico, ela falando era erótico, ela pipetando amostras no laboratório de biologia molecular que ela trabalhava com a namorada era erótico, acho que até a namorada dela é erótica.
Infelizmente não posso dizer o mesmo de mim e do meu relacionamento. Eu e minha namorada temos ideias muito diferentes do que é erótico, e isso tá influenciando cada vez mais nos nossos tesões (esse plural existe?).
Enfim, ainda vai ter texto sobre ela aqui, mas por enquanto um beijo a Madalena, onde quer que ela esteja agora.
Att.
메타데이터
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