Irã e EUA cessar-fogo pelo Paquistão em meio a tensões no Oriente
Em raro movimento paralelo, como potência duas recusasam o cessar-fogo. O queu motivo essa decisão?
Irã e EUA cessar-fogo pelo Paquistão em meio a tensões no Oriente
Em raro movimento paralelo, como potência duas recusasam o cessar-fogo. O queu motivo essa decisão?
Artigo — de Ricardo de Moura Pereira

Irã e oriente médio
O Irã e os EUA descartaram a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Paquistão, que foi enviada aos países na segunda-feira (6). A notícia foi reportada por canais de informação.
De acordo com a agência de notícias estatal iraniana Irna, o Irã reprovou a sugestão por preferir discutir o término definitivo do conflito em vez de um intervalo temporário. “Estamos exigindo o fim das hostilidades e que se evitem novos conflitos”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, segundo a Irna. O Irã já teria enviado uma resposta oficial ao Paquistão e apresentado uma nova proposta.
A Casa Branca declarou que Donald Trump não “aprovou” a iniciativa de cessar-fogo, conforme reportado pela agência de notícias francesa AFP. Em entrevista à emissora ABC News, o governo dos Estados Unidos indicou que Trump vê a proposta como “apenas uma das alternativas em análise” neste momento.
A sugestão foi criada pelo Paquistão e transmitida às duas nações durante a noite. A proposta consiste em uma estratégia em duas etapas: um cessar-fogo imediato, seguido por diálogos para um pacto que encerre permanentemente o conflito.
O Plano do Paquistão
A suspensão das hostilidades começaria imediatamente e permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, uma localização chave para o mercado global de petróleo, que está fechado há mais de um mês pelo Irã, conforme reportou a Reuters.
Depois, as partes envolvidas teriam de 15 a 20 dias para chegar a um acordo mais abrangente. O site norte-americano Axios noticiou no domingo que Estados Unidos e Irã estavam em conversações sobre uma pausa de 45 dias, a qual poderia se transformar em um pacto duradouro.
Entretanto, a Reuters não aborda Israel, que também faz parte do conflito junto com os EUA. Mesmo que as decisões de Washington possam ser repassadas a Tel Aviv, o governo israelense possui suas próprias metas em relação ao regime do Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã já preparou uma resposta diplomática à proposta feita pelo Paquistão, a qual será divulgada “no tempo adequado”. Mais cedo, um alto funcionário iraniano revelou que a nação está avaliando o plano, mas indicou que não tem a intenção de reabrir o Estreito de Ormuz como parte de uma trégua temporária nem de ceder a pressões por prazos.
De acordo com a Reuters, um possível acordo definitivo contemplaria promessas do Irã quanto ao seu programa atômico, em troca de redução de sanções e desbloqueio de fundos que estão congelados.
O arranjo, temporariamente denominado “Acordo de Islamabad”, pode incluir encontros presenciais na capital do Paquistão para esclarecer os termos finais.
O comandante do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, teve comunicação “ao longo da noite” com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araqchi. Essa movimentação acontece em meio ao aumento das tensões na região e à preocupação crescente sobre os efeitos no suprimento global de petróleo através do Estreito de Ormuz.
Trump oferece um prazo de 48 horas para que o Irã concorde com o acordo, e alerta sobre um ‘inferno’ caso contrário.
Donald Trump, o líder dos Estados Unidos, adverte que o “prazo está acabando” para que o Irã concorde com um acordo e avisa que, se isso não acontecer, Teerã enfrentará consequências severas.
Esta mensagem foi compartilhada neste sábado nas plataformas sociais do político republicano durante um período delicado para os Estados Unidos.
Na verdade, em 27 de março e após diversas alterações em sua proposta final, Trump declarou que suspenderia qualquer ofensiva contra usinas de energia do Irã por um período de 10 dias a contar daquela data.
Nos bastidores, com a ajuda de diplomatas do Paquistão, o governo dos Estados Unidos apresentou um plano para um cessar-fogo, que incluía 15 condições. Nenhuma delas pedia a queda do regime iraniano.
Teerã rejeitou a oferta, afirmando que as demandas eram “demasiadamente rigorosas”. Em resposta, os iranianos fizeram uma nova proposta, que incluía um compromisso dos EUA de não eliminar mais líderes do regime em Teerã.
Poucos momentos após o aviso de Trump, o Secretário de Estado, Marco Rubio, revelou que o ICE — a agência de imigração — havia prendido familiares de autoridades iranianas.
“Ouvindo ontem à noite, a sobrinha e a sobrinha-neta do falecido major-general Qasem Soleimani, da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, foram capturadas por agentes federais logo após o Secretário de Estado Marco Rubio ter anulado seu status de residentes permanentes legais”, informou o governo.
“Hamideh Soleimani Afshar e sua filha agora estão sob a custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE)”, foi dito. “Conforme destacado por reportagens da mídia e pelas declarações dela nas redes sociais, Soleimani Afshar é uma apoiadora aberta do regime iraniano que é considerado totalitário e terrorista”, alegaram.
Rubio declarou que, enquanto residia nos Estados Unidos, “ela divulgou a propaganda do governo iraniano, comemorou ataques em direção a soldados e bases militares americanas no Oriente Médio, elogiou o novo Líder Supremo do Irã, acusou os Estados Unidos de serem o ‘Grande Satã’ e manifestou apoio incondicional à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, uma entidade considerada terrorista”.
“Afshar Soleimani propagou essa mensagem do regime terrorista do Irã enquanto levava uma vida de luxo em Los Angeles, como comprovam suas constantes postagens em sua conta do Instagram, que foi recentemente excluída”, afirmaram.
Além da anulação do status de residente permanente legal de Hamideh Soleimani Afshar e de sua filha, o cônjuge de Afshar também recebeu proibição de ingresso nos Estados Unidos.
No começo deste mês, Rubio também anulou o status legal de Fatemeh Ardeshir-Larijani, filha do ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, e de seu esposo, Seyed Kalantar Motamedi. Ambos, Ardeshir-Larijani e Motamedi, já não se encontram mais nos Estados Unidos e foram proibidos de retornar ao país.
“O governo Trump não permitirá que nossa nação se torne um refúgio para estrangeiros que apoiam regimes terroristas que vão contra os Estados Unidos”, concluiu.
Fonte — ICL Notícias do Brasil
메타데이터
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