Napoli campeão italiano! Festa na Rua dos Alecrins!
Restaurante no Cambuí, em Campinas, transborda paixão pelo clube napolitano, que conquista novo scudetto

Eu e Ciro Riccio, em 2023: entre mesas e cachecóis de grandes jogos do Napoli. Foto: Leandro Ferreira
Napoli campeão italiano! Festa na Rua dos Alecrins!
Restaurante no bairro Cambuí, em Campinas, transborda paixão pelo clube napolitano, que conquista novo scudetto e revive tempos de glória da era vitoriosa com Maradona e Careca
O sul da Itália está de volta ao topo! Na última sexta-feira (23), o Napoli se sagrou campeão italiano pela quarta vez em sua história, a segunda em um espaço de apenas dois anos, ao derrotar o Cagliari por 2 a 0, no estádio Diego Armando Maradona, em Nápoles.
Por uma obra do destino, os gols da vitória foram marcados justamente pelos dois grandes pilares dessa conquista: o volante escocês Scott McTominay abriu o placar no fim do primeiro tempo, com uma pintura de voleio, e o centroavante belga Romelu Lukaku anotou o segundo, no início da segunda etapa, atropelando os zagueiros (sua famosa especialidade) e batendo na saída do goleiro.
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Artilheiro do Napoli, com 14 gols, Lukaku foi o líder de assistências do Campeonato Italiano, com nove. McTominay, por sua vez, balançou as redes 12 vezes e contribuiu com quatro passes para gols. Foi o vice-goleador e o segundo maior garçom da equipe na campanha do título. Eleito, com justiça, o melhor jogador do torneio.
Os ex-companheiros de Manchester United desembarcaram juntos em Nápoles no início da atual temporada e tiveram impacto imediato, elevando o nível do time que havia amargado a 10ª colocação no ano passado.
Sob o comando do técnico Antonio Conte, aposta do clube para fazer a equipe retomar os eixos, e tendo cumprido a missão com maestria, a dupla fez a diferença e entrou para a seleta galeria de ídolos eternos do Napoli.
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Cantinho napolitano em Campinas
Relembrar é viver! Em 2023, o título italiano do Napoli rendeu uma das reportagens mais legais que produzi nesses meus anos de jornalismo e imprensa campineira.
Na ocasião, em um contexto bem diferente de agora, o clube napolitano vivia um jejum de 33 anos sem conquistar o scudetto e contava os dias para reviver uma emoção que, até então, só o lendário esquadrão de Maradona e Careca havia sido capaz de proporcionar, no fim da década de 80, o auge da equipe.
Aproveitando aquele momento oportuno, com a proximidade da conquista que se anunciava, resolvi contar a história do restaurante *Napoli*, que funciona há quase 25 anos na Rua dos Alecrins, número 631, no bairro Cambuí, em Campinas. Um prato cheio, literalmente, para um repórter em busca de uma boa pauta!

Ciro Riccio, estendendo a bandeira do terceiro scudetto do Napoli, em 2023. Foto: Leandro Ferreira
A matéria, publicada no portal Hora Campinas, no dia 29 de abril de 2023, foi resultado de uma entrevista com o proprietário do estabelecimento, o italiano Ciro Riccio, que desde 2001 administra o negócio com sua esposa, a campineira Olga.
Nascido e criado em Nápoles, Ciro Riccio é torcedor fanático do Napoli e, com o passar dos anos, acabou transformando seu restaurante num verdadeiro santuário dedicado ao time do coração, com camisas, faixas, pôsteres e bandeiras do clube decorando o ambiente.

Camisas de diferentes épocas do Napoli decoram as paredes do restaurante. Foto: Leandro Ferreira
O restaurante Napoli funciona apenas no horário do almoço, em sistema self-service, e oferece um cardápio adaptado ao público local, embora a alma napolitana esteja presente em cada detalhe do lugar.
O Napoli Service Ristorante foi inaugurado em 2001 e, quando criança, cheguei a frequentá-lo algumas vezes. Meus avós maternos moravam bem pertinho, a uns 300 metros, numa antiga casa na esquina da Rua Antônio Galizia com a Rua José Francisco de Oliveira, bem de frente para a praça Pedro Magalhães Júnior. Demolida em 2018, a residência ocupava exatamente o terreno onde hoje fica a entrada do luxuoso edifício Le Rêve, inaugurado em 2023.
Acolhedor e caloroso, como qualquer bom napolitano, Ciro Riccio me recebeu de portas abertas numa terça-feira à tarde e concedeu uma longa entrevista de mais de uma hora, no interior de seu restaurante, já esvaziado, com o expediente encerrado. Assunto não faltou!
Gravador ligado à mesa, comecei perguntando sobre o início da paixão dele pelo Napoli, que vem desde a infância, por influência do pai e dos irmãos mais velhos.
De entrada, Ciro Riccio lembrou a primeira partida a que assistiu no estádio San Paolo, em 1977, a frustração da perda do scudetto de 1981 e a transformação do Napoli com a chegada de Maradona, em 1984. A partir disso, o papo foi evoluindo até chegar o prato principal: as grandes conquistas que testemunhou de seu time do coração.
Presente nas arquibancadas nos títulos italianos de 1987 e 1990, Ciro guarda memórias vivas daquela época dourada — e alguns registros também. Para temperar a deliciosa conversa, ele me mostrou fotos ao lado do ídolo Careca, célebre figura que também une Campinas e Nápoles, com títulos de ligas nacionais em clubes de ambas as cidades: campeão brasileiro pelo Guarani, em 1978, e campeão italiano pelo Napoli, em 1990.

Ciro Riccio e Careca: duas figuras com histórias ligadas a Campinas a Nápoles. Foto: Leandro Ferreira
Durante a entrevista, Ciro Riccio também comentou sobre a falência do Napoli em 2004, a reconstrução pelas mãos do presidente Aurelio De Laurentiis, um milionário produtor de cinema de família bem-sucedida no ramo, e a alegria de ver o time voltar a ser protagonista no futebol italiano. Mas o grito de campeão ainda estava entalando na garganta!
Naquela semana, o Napoli vinha de uma saborosa vitória por 1 a 0 sobre a maior rival Juventus, com um gol no último lance do jogo, em pleno Allianz Stadium, em Turim. Ainda faltavam sete rodadas para o fim do campeonato, mas o Napoli precisava de apenas dois pontos para confirmar o scudetto. E eles vieram nas duas rodadas seguintes, com empates em 1 a 1 com Salernitana e Udinese.
Para celebrar, houve festa no restaurante Napoli, com direito a bolo temático e chope de graça para os clientes. Teve até cobertura do Globo Esporte, de Campinas. Uma produtora do programa leu minha reportagem, achou interessante e resolveu levar a história para a televisão.
Uma nova comemoração está prevista para essa próxima sexta-feira (30), durante o horário normal de funcionamento do restaurante, das 11h às 14h30. Agora, já está virando costume fazer festa!

Tudo preparado para a festa no restaurante Napoli, nesta sexta-feira (30). Foto: Gustavo Magnusson
Há duas temporadas, sem nenhum concorrente à altura, o Napoli disparou na liderança logo começo do campeonato e o título foi consumado com incríveis cinco rodadas de antecedência. O scudetto de 2023 do Napoli veio sob o comando de Luciano Spalletti, atual treinador da seleção italiana, e os principais destaques foram o centroavante Victor Osimhen e o ponta-esquerda Khvicha Kvaratskhelia, que já deixaram o clube.
Desde setembro do ano passado, Osimhen está emprestado ao Galatasaray, onde acabou de se sagrar campeão e artilheiro do Campeonato Turco. Já Kvara foi vendido ao PSG na última janela de transferências, em janeiro, e ajudou a equipe a conquistar o Campeonato Francês e a Copa da França. A Tríplice Coroa virá se vencer a decisão da Liga dos Campeões, contra a Inter de Milão, no próximo sábado (31), na Allianz Arena, em Munique.
Mas o Napoli provou que há vida sem eles! Desta vez, apesar do mesmo desfecho de 2023, o roteiro do título foi bem diferente — e muito mais emocionante: Napoli e Inter de Milão protagonizaram uma incrível disputa ponto a ponto, semana a semana, com direito a alternâncias na ponta. Foi uma verdadeira perseguição de gato e rato, cujo ápice aconteceu no último dia 18 de maio, domingo de jogos simultâneos da penúltima rodada, quando a liderança mudou de mãos quatro vezes durante 90 minutos.
Pressionado após tropeçar no jogo anterior, o Napoli voltou a deslizar e não passou de um empate em 0 a 0 fora de casa com o Parma, mas contou com uma ajuda gigantesca da Lazio, que buscou empate em 2 a 2 com a Inter, em Milão, mesmo após ter ficado duas vezes atrás do placar.
O auge da emoção veio nos acréscimos do segundo tempo, quando os visitantes tiveram um pênalti marcado pelo VAR. O atacante Pedro converteu e salvou a pele do Napoli, que se manteve um ponto à frente na liderança e passou a depender só de suas próprias forças na última rodada. Aí não teve erro!
Curiosamente, o atual técnico da Lazio, Marco Baroni, foi jogador do Napoli e, pasmem, o autor do gol que garantiu o segundo scudetto do clube napolitano, numa vitória por 1 a 0 justamente sobre a equipe romana, em 1990. Não tem jeito, estava escrito nas estrelas!

Almoçando no restaurante Napoli, em 2023, com os amigos jornalistas Leandro Ferreira (à esquerda) e Eduardo Martins (à direita). Foto: Arquivo Pessoal
Meu encanto pelo Napoli
É claro que não chego perto do nível de fanatismo de Ciro Riccio, mas também me considero um torcedor apaixonado pelo Napoli. Meu encanto começou lá pelos idos de 2009 e 2010, época em que o clube voltava a brigar na parte de cima da tabela e figurar em competições europeias, após chegar ao fundo do poço e recomeçar na terceira divisão, em 2004.
Em 2010, a equipe comandada pelo técnico Walter Mazzarri contava com um trio ofensivo de respeito formado por Hamsik, Lavezzi e Cavani. Tenho viva na memória a lembrança de uma vitória por 1 a 0 sobre o Lecce, com um golaço de fora da área de Cavani, que explodiu o estádio San Paolo já no apagar das luzes, em um jogo-chave antes da pausa de inverno do Campeonato Italiano.
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Também me recordo de uma virada inacreditável por 4 a 3 sobre a Lazio, já em 2011, na reta final do campeonato. Era um confronto direto pelo terceiro lugar e o resultado impulsionou o Napoli a conquistar sua primeira classificação à Champions League, na era moderna da competição.
Azarão, o Napoli caiu no grupo da morte da Champions, mas fez bonito e oruglhou seu torcedor em uma chave com Bayern de Munique, Manchester City e Villarreal. Derrotou e eliminou o milionário time inglês, ainda na primeira fase. Porém, nas oitavas, não foi páreo para o Chelsea, que acabaria campeão. O Napoli até chegou a vencer o jogo de ida por 3 a 1 em casa, mas sucumbiu em Londres e perdeu por 4 a 1 na prorrogação.
Era apenas o início de uma nova aventura do Napoli pelos grandes palcos do futebol europeu. Nos anos seguintes, continuei acompanhando e torcendo pela equipe, que faturou três vezes a Copa da Itália: em 2012, 2014 e 2020. Bons tempos de Insigne e Mertens….
Hoje, oficialmente, já podemos dizer que estamos diante de uma nova era vitoriosa do Napoli. São dois títulos italianos nas últimas três temporadas, algo inédito na história do clube. Para efeito de comparação, nos tempos áureos de Maradona, o clube faturou dois scudettos separados por três anos, em 1987 e 1990. Mas é claro que aquele período de ouro segue imbatível, já que também registrou outras três conquistas: uma Copa da Itália, em 1987, uma Supercopa Italiana, em 1990, e uma Copa da Uefa, em 1989 — até hoje o único troféu continental da história do Napoli.
Entre 2015 e 2018, apesar de nenhum título conquistado, deu gosto de ver o time do técnico Maurizio Sarri, que chegou a fazer incríveis 91 pontos no Campeonato Italiano, um recorde do clube, mas ficou sem o scudetto.
Mas não dá pra reclamar! Desde 2010, o Napoli soma seis títulos e 14 participações em competições europeias — a décima-quinta virá agora em 2025. Será que o próximo passo é voltar a conquistar um troféu continental? Aguardemos os próximos capítulos dessa história cheia de paixão e sabor…
메타데이터
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- 2026-07-13 06:23:13