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Constrangida. É assim que me sinto.

[Sugestão de música para leitura — I Believe — Sam Garret]

Letícia Tizzo Faustino · 2024-05-08 17:06 · 1 claps · 1.8 min read
#burnout #confidence-at-work #embarassment
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Wiki topics: 🧠 · Mental Wellness

Constrangida. É assim que me sinto.

[Sugestão de música para leitura — I Believe — Sam Garret]

Constrangimento. Substantivo masculino com duas definições: 1- situação moralmente desconfortável; embaraço, vergonha, vexame; 2- ato ou efeito de reduzir o volume de uma substância por meio de pressão; aperto, compressão. Essa palavra, em seus dois significados, conseguiu traduzir um sentimento que venho carregando em mim há algum tempo. É algo ruim de sentir, parece uma angústia, algo que está sempre aqui no meu peito, algo atravessado na garganta e um medo constante de ouvir algo que eu sei que poderá me deixar chateada. Adiciona-se a isso uma vergonha incômoda e preocupação excessiva sobre o que pensam de mim. Sim, eu sei que não deveria me importar com a opinião alheia. No entanto, esse julgamento externo atravessa os meus pensamentos todo o tempo.

E de onde vem esse constrangimento? De uma palavra simples, e que foi fácil reconhecer: trabalho. Trabalho e aquela máxima que foi incrustada a ferro na nossa vida de que somente ele nos dignifica, que ele dita o nosso valor, a nossa importância, e até quem somos. Depois do meu diagnóstico de burnout e de todo um processo pesado e doloroso de cura, (que inclusive passa pelo fato de desvincular/recuperar o meu “eu” além de um trabalho, uma empresa e um cargo), agora, curada, energizada, encontro justamente no trabalho (ou na falta dele) uma barreira, uma dificuldade. Dificuldade essa que me traz esse sentimento constante de constrangimento.

Tão difícil quanto o processo de cura de um burnout, é o processo de voltar a procurar um emprego, ou o de se propor a fazer algo diferente. Eu me vejo diariamente lutando contra aquilo que eu mais demorei para reconquistar — minha jornada profissional. Por quê? Um dos sintomas mais fortes do meu diagnóstico foi a perda da minha autoconfiança — das minhas competências, da minha inteligência, da minha experiência, do meu senso crítico. E é com essa autoconfiança que eu preciso contar a cada “não” de um processo seletivo, a cada entrevista, a cada tentativa de me recolocar. É com essa autoconfiança que eu preciso me sustentar (e fortalecer a cada dia) para entender que eu tenho o meu valor, eu tenho experiência suficiente, tenho reconhecimento necessário, tenho competências, inclusive emocionais, para ocupar novamente um lugar nesse mercado de trabalho, seja contratada ou oferecendo meus serviços.

Essa autoconfiança, que foi reconstruída, pedacinho por pedacinho, no meu tempo, e que foi pouquíssimo compartilhada, é agora a maior responsável por continuar construindo um muro, sólido e alto o suficiente, para que esse holofote de luz de constrangimento que tem insistentemente apontado para mim, não será mais capaz de (me) atravessar. Outros sentimentos virão. Outros atravessamentos, outros enfrentamentos. Que essa autoconfiança seja capaz de nomear esses momentos para que eu possa, mais uma vez, superá-los com a coragem que aqui sempre fez morada.


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