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Liderança permissiva e construção do profissional disfuncional

Muito se fala sobre o adulto disfuncional no campo da psicologia, mas pouco se discute uma figura igualmente nociva no ambiente…

Ana Matos · 2025-12-12 12:32 · 3 claps · 2.6 min read
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Liderança permissiva e construção do profissional disfuncional

Muito se fala sobre o adulto disfuncional no campo da psicologia, mas pouco se discute uma figura igualmente nociva no ambiente corporativo: o profissional disfuncional legitimado pela liderança .

Esse profissional raramente surge de forma espontânea. Em regra, ele é construído e sustentado por contextos organizacionais que toleram desvios, relativizam normas e silenciam diante de comportamentos incompatíveis com o convívio profissional.

Não se trata, portanto, de um problema meramente individual, mas de uma relação direta entre condutas prejudiciais e permissividade institucional .

O que caracteriza o profissional disfuncional:

O profissional disfuncional não é aquele que erra pontualmente ou faz parte de qualquer ambiente de trabalho. O que o distingue é uma repetição sistemática de condutas , como:

  • descumprimento recorrente de regras e processos;
  • falta de compromisso com horários e prazos;
  • desrespeito aos colegas e à hierarquia;
  • comportamento individualista, muitas vezes agressivo ou arrogante.

O elemento decisivo não é a existência dessas atitudes, mas o fato de que elas não têm consequências reais . Onde não há consequência, forma-se a percepção de autorização.

UMliderança como fator de sustentação:

Quando a chefia relativiza, justifica ou ignora comportamentos inadequados, transmite à equipe uma mensagem inequívoca: as regras existentes, mas não se aplicam de maneira uniforme .

É importante considerar que nem toda liderança permite idade por má-fé. Há gestores despreparados, gestores especializados por estruturas superiores e gestores que confundem flexibilidade com ausência de limites. Ainda assim, o efeito organizacional é o mesmo.

Essa tolerância seletiva gera ambientes em que:

  • o respeito deixa de ser um valor compartilhado;
  • a ética passa a ser apenas discurso formal;
  • profissionais comprometidos se sentem desvalorizados;
  • comportamentos inadequados ganham espaço e força.

Nesse ponto, o problema deixa de ser pessoal e passa a ser estrutural .

Oargumento do “ele entrega resultado”:

Um dos discursos mais utilizados para justificar esse tipo de profissional é:

“Ele é difícil, mas entrega resultado.”

Esse argumento ignora uma distinção fundamental: resultado de curto prazo não equivale a eficiência organizacional .

Desempenho obtido à custa de desrespeito, conflitos e desgaste interno produz riscos relevantes, entre eles:

  • conflitos recorrentes e clima organizacional assustador;
  • passivos jurídicos e trabalhistas;
  • perda de talentos;
  • adoecimento emocional das equipes.

Um profissional que só funciona quando tudo gira em torno de si pode até entregar números, mas comprometer a sustentabilidade do tempo e da própria organização.

Oimpacto silencioso sobre a equipe:

Os efeitos mais graves desse modelo não são imediatos. Eles são instalados de forma gradual:

  • profissionais comprometidos com seu engajamento;
  • o ambiente se torna defensivo e desconfiado;
  • a substituição da liderança se fragiliza;
  • o desrespeito passa a ser normalizado.

Com o tempo, a equipe aprende que cumprir regras não gera reconhecimento e que ultrapassar limites pode ser vantajoso. Esse aprendizado informal molda a cultura mais do que qualquer código de conduta.

Cultra organizacional, o que se permite se repetir:

Toda organização ensina, ainda que não declare. A lição é simples: o comportamento que a liderança tolera tende a se reproduzir .

Permitir que alguém “faça o que quer, quando quer” não é sinal de modernidade ou flexibilidade. Em gestão, a omissão também é uma decisão e quase sempre uma decisão de alto custo.

Camigos possíveis:

Ambientes saudáveis ​​não bloqueiam líderes perfeitos, mas bloqueiam:

  • regras claras e aplicadas com coerência;
  • feedback direto e tempestivo;
  • responsabilização proporcional às condutas;
  • distinção objetiva entre desempenho e comportamento.

Sem esses elementos, a disfunção deixa de ser exceção e passa a ser método.

Conclusão

O profissional pode até ser disfuncional, mas essa disfunção só se mantém quando encontra espaço, silêncio ou justificativa na liderança.

Sem limites claros, sem coerência e sem responsabilização, não se formam bons profissionais forma-se um ambiente adoecido.

No fim, a cultura não é definida pelo discurso institucional.

Ela é definida, todos os dias, pelas escolhas da liderança sobre o que aceita e o que corrige.


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