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Pandora: O Amor que o Tempo Não Apaga

Um amor eterno, uma joia única, e a esperança que o tempo não apaga.

Cristinacotorobai · 2025-05-30 21:56 · 0 claps · 13.2 min read
#amor #joias #memória #história #tempo
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Capítulo I - À descoberta de um grande amor

Inglaterra, 1861 O nevoeiro da manhã pairava sobre a propriedade de Hawthorne Hall como um véu de seda, ondulando suavemente pelos campos de lavanda e pelos campos bem cuidados. Lady Eleanor observava o mundo através da janela do seu quarto, no cimo da sua mansão, onde os vitrais coloridos transformam a luz cinzenta em reflexos dourados e azuis sobre sua pele pálida. Vestia-se com esmero: um vestido de veludo azul-escuro com rendas francesas no punho e um colar de pérolas que não lhe pertencia, herança de uma avó que jamais conheceu. Apesar da beleza que a cercava, o ar em seus olhos era o de alguém que ansiava por algo além do visível. O seu rosto, delicado como uma escultura de mármore, escondia uma inquietude que nenhuma joia ou vestido poderia abafar. No vilarejo de Ashcombe, a poucos quilômetros da mansão, Thomas Whitmore iniciava a sua rotina com o som delicado de engrenagens e ponteiros. O seu pai, mestre relojoeiro, que servia a grande família desde novo, com as suas joias, este havia ensinado a Thomas a ouvir o tempo, desde pequeno. "O tempo fala com os que o sabem escutar", dizia o pai de Thomas. Naquele dia, os seus pensamentos escapavam ao tique-taque constante da oficina. Pensava em Eleanor a sua paixão desde novo. Eles haviam se conhecido na sua mansão, quando o pai de Thomas, ia entregar joias à grande família. Eleanor, durante uma tarde de primavera, escapou da vigilância da governanta para passear até o lago. Thomas estava lá, desenhando à margem, capturando a forma como a luz beijava a superfície da água, fazendo com que esta se aproximasse, curiosa. Eleanor - "O que desenha com tanta concentração, senhor?" Thomas - “Estou tentando capturar aquilo que escapa a todos: o silêncio das águas." Ela sorriu. Eleanor - "E consegue?"

Thomas - "Não ainda. Mas hoje talvez eu tenha encontrado algo bastante mais interessante." Desde então, encontraram-se muitas vezes no mesmo local. Eleanor deixava de lado seus livros e bordados, e Thomas, suas engrenagens. Conversavam sobre tudo: poesia, astronomia, música, e até sobre as expectativas sufocantes da aristocracia. Eleanor mostrava um fascínio sincero por tudo o que era simples e verdadeiro, longe da formalidade dos bailes e salões. Thomas falava com entusiasmo do seu desejo de construir algo que durasse — não apenas relógios, mas memórias, momentos. Certa vez, sentados lado a lado sob uma macieira florida, ela perguntou: Eleanor - "Se pudesse parar o tempo, Thomas, qual momento escolheria?" Ele olhou demoradamente para Eleanor, e respondeu: Thomas - "Agora. Este momento, com a Eleanor." Eleanor corou, desviando o olhar, mas não afastou a mão que repousava próxima da de Thomas. As semanas seguintes foram cheias de encontros furtivos e palavras sussurradas entre risos contidos.

Capítulo II - Nunca será só uma prenda Em uma dessas tardes, Thomas levou a sua amada até à sua oficina, uma pequena sala forrada de madeira, repleta de frascos de vidro com engrenagens, moldes e pequenas joias que ele próprio montava. Ali, ele trabalhava em segredo numa peça muito especial.

Thomas - "Estou a fazer algo para você", disse, com um brilho no olhar. Eleanor - "Algo que brilha como o pôr do sol no lago?" disse ela com um sorriso nos lábios. Thomas - "Mais do que isso. Algo que carregue a nossa história." E, de fato, o colar que ele forjou era uma obra-prima. Uma corrente de prata delicada, com um camafeu de madrepérola esculpido com o perfil de uma dama, inspirado em Eleanor, rodeado de pequenas zircónias. Na parte de trás, escondido, havia um pequeno coração em ouro rosa. Dentro dele, uma inscrição: "Nem o tempo, nem o mundo nos separará." Thomas escolheu chamá-lo de “Pandora”, inspirado no antigo mito grego. Pandora foi a primeira mulher moldada pelos deuses, e dentro de sua caixa não havia apenas males, mas também a esperança, a última a permanecer. Thomas - "Assim como Pandora, este colar guarda algo precioso. Não um segredo, nem um fardo, mas a esperança. A esperança de que, mesmo separados, o que sentimos sobreviva ao tempo."

Capítulo III - A prometida Certa noite, fria, onde o vento soava de norte, ocorria o grande jantar de gala onde a Eleanor seria prometida ao Conde de Mirabeau, um francês austero com modos impecáveis e olhos frios. Algo que ela não queria, claro, não era o seu amor correspondido, porque haveria de se estaria a juntar com alguém que não amava.

Eleanor escapou sem ninguém perceber, correu até ao lago, onde estava Thomas, esperando a donzela. Eleanor chegou a chorar ao pé de Thomas, onde lhe explicou o porquê. Eleanor - "Eles querem me dar a um homem que não conheço. Que não amo."- Disse Eleanor, com lágrimas nos olhos. Thomas - "E eu sou apenas o filho de um relojoeiro." Eleanor - "Mas Thomas, és quem faz meu coração bater mais forte. É com você que sinto que posso respirar." Com um pequeno gesto, Thomas retirou o colar de uma caixa de veludo e colocou-o ao redor do pescoço de Eleanor. Thomas - "Este colar... é uma promessa. Mesmo que o mundo tente separar-nos, mesmo que os anos passem, ele irá te fazer recordar de mim, dos nossos momentos, de todo o tempo que estivemos juntos.” Eleanor chorou em silêncio. Abraçaram-se, como se quisessem deter o tempo. E então separaram-se.

Capítulo IV - Longe mas perto Com o passar dos dias, Eleanor, teve de partir para Londres, onde iria finalmente ou infelizmente, se casar com o Conde, a quem estava prometida. As cartas de Thomas foram intercetadas pelo pai da Eleanor. Eleanor foi isolada, proibida de andar sozinha, de sair sem escolta. Forçada ao casamento, a ser algo que não era. O Conde morreu menos de um ano depois, em um acidente de caça. Eleanor voltou para Hawthorne Hall, viúva e sem filhos. O rosto da jovem alegre estava agora moldado pela melancolia. O colar, no entanto, nunca a deixou. Oculto sob os vestidos, ele permanecia junto a ela como uma lembrança viva do amor que perdera. Anos passaram. A vida seguiu. Eleanor tornou-se uma senhora respeitada, envolvida em obras de caridade e conhecida por sua gentileza e silêncio nostálgico. Mas todas as tardes, sem falhar, caminhava até o lago. Ali, sentava-se sob a mesma árvore onde ouvira Thomas dizer que pararia o tempo. E tocava o camafeu, como se o som do vento lhe trouxesse palavras esquecidas.

Capítulo V - Quando contamos uma história bonita Como todas as tarde, Eleanor dirigiu se ao lago, onde uma jovem criada aproximou-se curiosa e perguntou-lhe: Jovem criada - "Milady, que colar tão bonito é esse?" Eleanor sorriu com ternura e disse: Eleanor - "É o som do tempo. E ele ainda me sussurra o nome de quem o fez. Chama-se Pandora, como a esperança que ele guarda."

Capítulo VI - A nova etapa na vida de Eleanor Os anos passaram por Eleanor, como os ponteiros de um relógio antigo, firmes e inevitáveis. Eleanor foi envelhecendo, sozinha no mundo, apenas com os seus filhos e criados. Os cabelos tornaram-se brancos, como a neve, claros e simples, a sua pele enrugou como um pergaminho antigo e os seus olhos não havia um dia que não se enchiam de água, que não escorria uma lágrima pelo canto do olho. Eleanor com o tempo decidiu abrir uma bijuteria onde vendia joias únicas, incríveis, feitas com o maior amor possível, tudo feito à mão cuidadosamente. Cada joia simboliza o carinho que Eleanor queria dar às donzelas que as utilizavam. As joias eram escolhidas pelos seus amados, maridos, príncipes, desenhadas ao tamanho do dedo, pulso ou pescoço, criadas com cores importantes para as quem ia receber.

Para Eleanor cada joia tem uma história única, o seu objetivo era fazer felizes as outras mulheres, já que Eleanor não pôde ser. Eleanor chamou à loja Pandora, para eternizar para sempre o amor que Thomas lhe tinha dado. O tempo passou e a loja de Eleanor, ficou cada vez mais conhecida, ela começaria a exportar as joias para fora do país.

Capítulo VII - A nova era chegou e o passado também A primavera começou e novos ares circulam por Londres, com a chegada de um jovem rapaz, com uma mala de couro e uma caixa de madeira, o seu nome era Edward, filho de Thomas. Tinha o mesmo olhar, a mesma paixão por jóias e a mesma habilidade com o tempo. Este já tinha ouvido histórias sobre o seu pai, “um sonhador”, dizia o povo, “amigo de todos”. Mas a missão de Edward era conhecer a famosa loja que tinha aberto há uns anos e que tanto ouvia o pai falar de uma tal “Pandora”. Edward andou à procura da loja, perguntou a cada pessoa que encontrava pelo caminho, quando no final se deparou com uma enorme loja com o nome escrito “Pandora”, com um olhar de feliz, tentou entrar na loja, onde não lhe foi permitido devido ao excesso de pessoas à espera, foi-lhe sugerido para esperar na fila. Edward era destemido como o pai, tinha a mesma garra e audácia, o seu objetivo era ver o interior da loja e por tal iria esperar até ser a sua vez. As horas foram passando e finalmente seria a vez do jovem rapaz e ali entrou, viu cada ponta da loja, cada joia exposta, cada cor que se apresentava naquelas paredes alegres, o quanto cada pérola e diamante brilhavam. Até que decidiu pedir a sua joia, que tanto queria a famosa “Pandora”, que o seu adorado pai teria dado a alguém muito especial no seu passado, Edward chegou-se à frente do balcão e pediu ao empregado que o atendesse. Edward- “Gostaria de levar uma joia para alguém especial…” Empregado- “Diga-me Senhor, qual joia pretende…” Edward- “Seria possível levar uma chamada Pandora?” disse com um olhar de feliz. O empregado olhou para o jovem e simples rapaz com um olhar admirado e contente, há muito tempo que ninguém pedia tal joia, algo raro, por assim dizer. Empregado- “Meu jovem… a quem der esta joia, de certeza que ficará muito feliz!” Edward- “Espero bem que sim!” Empregado- “Sabia que a nossa senhoria, foi quem recebeu essa joia, há muitos anos, apenas fabricamos poucas por ano, teve sorte. Deveria saber um pouco sobre a história da joia…”

Edward- “Poderia me apresentar a dona?” Empregado- “Claro que sim!” E de dentro de uma porta saiu Eleanor, uma senhora já de idade, com um sorriso enorme na cara, que ainda ficou maior ao se deparar com o pequeno Edward, que era igual ao seu pai, Thomas. Edward- “Senhora Eleanor, poderia me contar a história dessa joia que tem ao pescoço?” Eleanor- “Claro que sim meu jovem” disse com um sorriso enorme no rosto. E lá ficaram horas e horas a falar sobre algo ou alguém que a pobre Eleanor amava mais que tudo.

Capítulo VIII- O reencontro Todas as tardes, apesar de Eleanor ir ao lago o pequeno Edward, também ia juntamente com ela. Todos os dias ela lhe contava como estava, como teria corrido as vendas, como estavam os filhos, como teria passado a noite, se teria descansado bem, afinal de contas na verdade aquele era um mini Thomas. Para Eleanor era como se fosse o real Thomas que tivesse ali, o olhar era igual, como o sorriso, a fala, as dicção das palavras, tudo simplesmente. Eleanor tinha uma admiração por aquele jovem, era como um filho que nunca teve. Numa tarde juntamente com Edward vinha Thomas, o amor da vida de Eleanor. Eleanor ao olhar desfez-se em lágrimas e foi abraçar Edward, como se fossem novamente dois jovens, duas crianças que tinham saudades. Edward chorou de felicidade, nunca tinha visto o seu querido pai tão feliz e cintilante, os seus olhos brilhavam como dois diamantes, a sua pele mostrava-se enrugada como a de Eleanor, tinha cicatrizes nas mãos de tanto trabalhar com joias, nunca teria parado, os seus olhos tinham o mesmo encanto, vestia-se bem como antes. Eleanor não acreditava no que via, era o amor da sua vida diante dos seus olhos. Eleanor- “Como podes estar aqui?” disse ela a chorar Thomas- “Não tenho ninguém que me prenda e a Eleanor sabe que é o meu grande amor e sempre será”

Edward sabia que o amor do pai nunca teria sido a sua mãe, mas sim Eleanor, como um amor proibido que foi correspondido. Eleanor- “Meu jovem malandro, tu sabias disto” disse sorrindo. Edward- “Claro que sim Eleanor, eu só quero ver o meu pai feliz” Thomas só teria tido um filho, Edward, a sua mulher teria falecido em trabalho de parto, tentando dar à luz o pequeno Edward. E lá ficaram os três a contarem as suas vidas, como teriam passado os anos, como correu a vida. Nessa tarde o ar estava repleto de amor, harmonia, o lago voltaria a ser como era, já se sentia o cheiro da primavera e o amor no ar.

Capítulo IX- Eternidade Os dias passavam, o casal parecia pertencer a outro tempo, um tempo suspenso entre o passado e o presente, onde o amor antigo encontrava nova forma em palavras brandas e silêncios partilhados. Thomas e Eleanor caminhavam juntos pelo jardim de Hawthorne Hall, como se os anos de ausência nunca tivessem existido, e Edward os observava com um sorriso discreto, sentindo-se abençoado por testemunhar um amor tão verdadeiro. As conversas entre Eleanor e Thomas eram longas e cheias de memórias. Falavam de tudo, das tardes junto ao lago, das cartas que nunca chegaram, das perdas, das alegrias pequenas e dos sonhos interrompidos. Eleanor, já com a saúde mais frágil, sentia que a vida se aproximava do seu fim. Não com tristeza, mas com serenidade. Um dia, sentada junto ao lago com Thomas ao seu lado e Edward aos pés da árvore, tomou a mão de ambos. Eleanor – “O tempo nos ensinou que amor não morre… apenas adormece, até que o hamemos pelo nome certo.” Thomas – “E o teu nome, Eleanor, sempre ecoou no meu coração.” Edward – “Vocês são o que toda história deveria ser... eterna.”

Naquela noite, Eleanor escreveu uma carta. Com mãos trêmulas mas decididas, deixou registrado o que o colar Pandora havia simbolizado e o que agora representaria para gerações futuras. A carta foi colocada numa pequena caixa, junto do primeiro esboço do camafeu que Thomas desenhou décadas antes, e entregue a Edward. “A esperança, meu querido rapaz, nunca pertence a uma só geração. Que tu sejas o guardião das histórias que o tempo tentou esquecer.” Dias depois, Eleanor partiu serenamente, numa manhã em que o céu se abria num azul cristalino, e a bruma sobre o lago dançava como naqueles dias de juventude. Thomas segurou-lhe a mão até o último instante, e Edward, com lágrimas discretas, prometeu manter viva a luz que ela havia acendido no mundo. A loja Pandora tornou-se não apenas um local de beleza, mas de memória. Edward assumiu o negócio com dedicação e alma, criando uma nova coleção chamada “Eternidade”, joias inspiradas em histórias reais de amor e coragem. Cada peça vinha acompanhada de uma pequena mensagem sobre a origem daquele design, onde todas eram inspiradas em Eleanor e Thomas.

Jovens de toda a Inglaterra passaram por aquela loja para ouvir a lenda da dama do lago e do relojoeiro que tentou parar o tempo. E, embora Eleanor não estivesse mais fisicamente ali, o seu espírito parecia habitar cada canto, cada vitrine, cada colar. No fundo da loja, num pedestal de vidro e veludo, estava a joia original, “Pandora”, a primeira.

Capítulo X- A Pandora Anos se passaram desde que Eleanor partiu, mas o seu nome jamais foi esquecido. A loja Pandora prosperava, agora com filiais em Paris, Viena e até Nova Iorque, mas nenhuma tão visitada quanto a original, em Ashcombe, o berço onde o amor havia florescido, resistido e, enfim, vencido.

Edward envelhece cada vez mais, com dignidade, cabelos grisalhos como o pai, mãos ágeis como as de um artista. A paixão pelas joias era a mesma, mas havia algo mais: um propósito, um legado. Nunca se casara, embora tivesse amado. Preferiu dedicar sua vida a preservar a memória de seus pais espirituais. Numa noite de inverno, o velho relojoeiro fechava a loja quando ouviu a sineta da porta tocar, embora estivesse trancada. Ao virar-se, deparou-se com uma jovem vestida de branco, pele pálida como luar e cabelos cor de fogo. Os olhos azuis como os de Eleanor. Jovem- "Boa noite," disse ela com uma voz suave. "Chamo-me Aurora. Disseram-me que aqui se encontra o tempo guardado em joias." Edward, surpreso e curioso, sorriu. Havia algo de antigo naquela jovem, como se ela carregasse séculos no olhar. Edward- "Aqui guardamos mais que tempo," respondeu. "Guardamos histórias. Cada peça é uma caixinha de surpresas de um amor, uma dor ou uma promessa." Aurora caminhou pela loja como se conhecesse cada recanto. Parou diante da “Pandora” original. Jovem- "Esta... esta foi feita por Thomas, não foi?" Edward ficou paralisado. Edward- "Como sabe isso?" Ela apenas sorriu. Jovem- "Sou neta de Eleanor. Cresci a ouvir essas histórias como quem ouve encantamentos. Sou a última da linhagem...e senti que era hora de devolver o tempo ao seu lugar." Com reverência, Aurora retirou uma pequena caixa de veludo azul de dentro de sua bolsa. Dentro dela, havia um relógio de bolso, com as iniciais “T. W.” gravadas. Jovem- "Este relógio era do seu pai. Encontramo-lo entre cartas antigas que a avó Eleanor nunca conseguiu destruir. E dentro dele…" Abriu o relógio. No interior, um bilhete enrolado: “Se o tempo for justo, que ele nos una no fim, como nos uniu no início.” Edward segurou o objeto com as mãos trêmulas, com os olhos a encherem-se de lágrimas, mas era uma emoção serena, como o fim de uma sinfonia.

Jovem- "Venha comigo!" Guiou-a até o lago. Já era noite, e a lua cheia refletia-se na água imóvel. Macieiras secas sussurravam com o vento. Edward ajoelhou-se diante da árvore onde tudo começou, e ali enterrou o relógio junto a um envelope com o nome de Thomas e Eleanor gravado em tinta dourada. Aurora ajoelhou-se ao lado dele. Ambos colocaram uma flor branca sobre a terra recém-remexida. — "Agora," disse Edward, com a voz embargada, "o tempo pode finalmente descansar." Naquela noite, ao voltarem à loja, viram algo inexplicável. A joia original, “Pandora”, irradiava uma luz tênue, dourada e viva. A madrepérola parecia pulsar. Não havia vela acesa, nem reflexo do luar. Era como se… eles estivessem ali.

Epílogo – O Eterno Retorno Décadas depois, a loja ainda existe, e no seu coração, a joia “Pandora” continua em exibição, agora sob uma redoma de cristal encantada com as palavras: “Nem o tempo, nem o mundo nos separará.” Dizem que, nas noites de lua cheia, quando o vento sopra do norte, dois vultos podem ser vistos a caminhar lado a lado pelo lago. Ela de vestido azul, ele com um relógio de bolso. E quem escuta com atenção jura ouvir: “Agora. Este momento, com a Eleanor.”


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