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O Chamado de Peiduco — Pseudo-Parte II

Ao adentrar o antro escabroso de Cagadou Mas Sem Ânus, uma densa atmosfera pútrida, impregnada de uma multidão de odores inomináveis…

H. P. Bostocraft · 2024-09-23 22:17 · 18 claps · 2.4 min read
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O Chamado de Peiduco — Pseudo-Parte II

Ao adentrar o antro escabroso de Bostheus Bostiano, uma densa atmosfera pútrida, impregnada de uma multidão de odores inomináveis, recai sobre os sentidos como uma mortalha de horror. O calabouço, se é que este amontoado caótico de horrores pode ainda assim ser chamado, assemelha-se a uma cripta doentia, onde vestígios do grotesco e do incompreensível se amontoam em grotesca profusão. O espaço é um verdadeiro mausoléu de fezes, uma câmara de coleções impensáveis, onde o escatológico é elevado ao sublime nauseante.

Paredes outrora brancas estão agora encardidas por manchas que sugerem derramamentos repetidos de líquidos de origem inominável. Essas marcas se espalham de maneira quase hieroglífica, como se algum ritual profano tivesse sido realizado com os excrementos de criaturas além da compreensão humana. No centro desse pandemônio reside a peça de resistência de Bostheus: uma colossal merdícia triássica, um tolete fossilizado de proporções absurdas, com curvas e fissuras que fazem lembrar os destroços de uma besta extinta. Assemelha-se a um artefato antiquíssimo, uma relíquia de um tempo em que monstros caminhavam pela terra, expelindo horrores titânicos.

Por toda parte, há recipientes de vidro, exibindo em imunda reverência fezes de toda forma, cor e consistência. Ali se encontram espécimes que mais parecem ter sido extraídos das profundezas de um abismo lovecraftiano: um fétido montículo pseudohumanoide, cujas nuances de verde musgoso brilham com uma repugnante iridescência, como se estivesse vivo, pulsando sob a luz fraca de uma lâmpada vacilante. Próximo, repousa uma diarreia estegossáurica, uma lama marrom-avermelhada, de uma viscosidade tão espessa que parece ter coagulado no tempo, cada gota um testemunho dos horrores intestinais de eras passadas.

O chão, por sua vez, é um campo minado de massas disformes e fedentes. Um tapete de excrementos, que varia do pastoso ao petrificado, se espalha com uma ordem caótica, cada fragmento uma história de putrefação. Ali, pode-se ver o que Bostiano nomeou de defecação mefistofélica, um torrão negro como a noite, cuja textura áspera lembra pedras vulcânicas recém-ejectadas de algum inferno cósmico. Abaixo da cama, pilhas de jornais antigos estão parcialmente ocultas por fezes ressequidas, em camadas de acúmulo que parecem desafiar a própria passagem do tempo, como se a putrefação em si fosse um ato deliberadamente perpétuo.

A cada passo dentro deste pesadelo orgânico, a vista e o olfato são bombardeados por aberrações sem nome. A um canto, uma latrina entupida se agiganta, transbordando de uma pasta semiforme que escorre pelo chão, exalando vapores miasmáticos que fariam até os deuses se encolherem de nojo. Este é um trono, talvez, de um rei da imundície, onde Bostheus, o colecionador profano, supervisiona seus troféus de dejetos com uma dedicação sombria.

Os odores são de tal magnitude que parecem sólidos, invadindo o cérebro e corroendo a alma. Há ali uma amálgama de cheiros que vão desde o azedo fermentado até o rançoso insuportável, formando uma cacofonia olfativa que desafia a sanidade. Não há fuga, não há espaço seguro — o ar está saturado com o fedor de incontáveis flatulências mortais que transcendem o conhecimento humano.

Neste quarto, neste templo ao nojento, Bostheus Bostiano não é apenas um colecionador de fezes; ele é o sacerdote de uma ordem escatológica secreta, cujo culto do asqueroso excede qualquer compreensão terrena.¹

NOTAS

*As obras de H. P. Bostocraft não são explicitamente ordenadas. Por isso, não conseguimos determinar com clareza a continuidade narrativa entre sua multidão quasi-babélica de textos literários. Induzimos que este texto é uma continuação do “O Chamado de Peiduco”, do ponto de vista do corretor de imóveis citado ao final do texto.

¹Bostheus Bostiano é um personagem recorrente dos contos da terra mérdica. Impressionantemente, ele imaginou que reduzir o preço do imóvel suprimiria o semblante terrível do que fez de sua habitação ao incessar a peiducada mole e ácida no sofá.


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