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Testemunho do primeiro ato de rebeldia

Essa é a minha história favorita com uma pequena garota chamada Lulu. Lulu era dona de um pequeno arsenal de bichinhos de pelúcia, e eu…

Cassi Kolling · 2026-06-20 19:51 · 0 claps · 2.3 min read
#lembranças-da-infância #boneco-de-pelúcia #afeto #imaginação #fantasia
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Testemunho do primeiro ato de rebeldia

Essa é a minha história favorita com uma pequena garota chamada Lulu. Lulu era dona de um pequeno arsenal de bichinhos de pelúcia, e eu fazia parte dele. Fui seu companheiro em muitos momentos.

Aliás, eu sou um palhaço de pelúcia calvo, com apenas alguns cabelinhos laranjas espetados nas laterais da cabeça e um enorme nariz vermelho. Vim de fábrica com uma camiseta vermelha e um macacão escuro com uma discreta estampa xadrez. O detalhe que Lulu mais gostava em mim era o coraçãozinho vermelho, escondido logo abaixo da camiseta.

Aquele coração parecia um segredo nosso. Ninguém mais parecia notar, mas ela sim. De vez em quando, ela levantava minha camiseta só para conferir se ele ainda estava ali. Eu adorava esses momentos. Me sentia especial, íntimo da menina. Era algo só nosso!

Tudo aconteceu em uma tarde fria e animada. Brincávamos no carpete acinzentado da sala, cercados por uma bagunça deliciosa. Parecia uma grande festa: ursinhos e bonecas espalhados por todos os lados, cada um vivendo sua própria aventura. A mãe de Lulu achou a cena tão bonita que pediu para registrar uma foto.

Algumas horas depois, ela voltou.

Filha, hora da arrumação! Eu sei que é chato, mas preciso que tire essa bagunça aqui da sala. Leve tudo para o seu quarto e guarde direitinho no baú de brinquedos. Quando eu voltar, quero essa sala limpa!

Aquilo me caiu tão mal… Foi um belo balde de água fria. A brincadeira não podia acabar assim. Pelos olhos marejados de Lulu, percebi que ela também não queria parar. De repente, a diversão, de uma hora para outra, tinha virado um castigo. Arrumação sempre foi difícil para ela, mas não parecia haver escolha. Quanto antes começasse, mais rápido terminaria.

Ela começou a nos recolher um a um. Éramos muitos, e seus bracinhos curtos não davam conta de tudo de uma vez, então precisaria fazer várias viagens.

Quando chegou a minha vez, ela me segurou e olhou para o meu coraçãozinho. Senti vontade de abraçá-la, porém sou apenas um brinquedo, por mais que eu tenha vontades, infelizmente isso aqui não é um filme do Toy Story, eu não consigo me mexer. E, se eu conseguisse… será que ela aceitaria meu abraço? Ou ficaria aterrorizada?

Foi então que algo mudou. Seu rosto, antes abatido, ganhou um brilho diferente. Em vez de nos levar até o baú, ela começa a nos empilhar atrás da porta do quarto. Pouco a pouco, viramos uma grande pilha escondida.

Eu não entendia muito bem o plano, mas se aquilo significava mais tempo juntos, eu já estava satisfeito. Aos poucos, fui percebendo: aquilo era um pequeno ato de rebeldia.

Não iríamos para o baú! Não ainda! Ficaríamos livres!

Quando terminou, estávamos todos ali, comprimidos atrás da porta, imóveis e em silêncio. Então, no silêncio do apartamento, ouvimos passos se aproximando. A maçaneta girou. Lulu nos olhou, assustada. Levou o dedo à boca, pedindo silêncio. Obedecemos. A porta começou a se abrir, mas encontrou resistência. Éramos muitos. Não podíamos deixar que se abrisse. Uma fresta pequena surgiu, não mais que alguns centímetros. A mãe espiou. Viu tudo. Olhou para Lulu com reprovação. E eu fiquei ali, esperando.

E agora? Tínhamos vencido? Ou aquilo era só o começo da batalha?


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