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NADA DURA PARA SEMPRE

Dias atrás estava procurando umas fotos antigas para começar um projeto novo e me deparei com uma foto da Stallones, no dia que abrimos…

Frederico Di Lullo · 2024-04-04 17:31 · 1 claps · 3.5 min read
#crónica #hardcore #punk #santa-catarina
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NADA DURA PARA SEMPRE

Dias atrás estava procurando umas fotos antigas para começar um projeto novo e me deparei com uma foto da Stallones, no dia que abrimos para o Cólera e o Gritando HxCx, em Jaraguá do Sul, no III Nereu In Rock

O ano era 2009 e quatro jovens junto a vários amigos saíram de São José para tocar punk/HC. Fretaram um ônibus, colaram cartazes sobre o festival pelo Centro de Florianópolis inteiro e divulgaram bastante no Orkut e no Fotolog.

Mas voltando à imagem e ao momento, o que mais me chamou a atenção não foram as roupas, nem lembrar do cheiro de cigarro ou da cabeça cheia de álcool e sim o olhar do quarteto. Aqueles olhos que encarariam qualquer situação, vivendo o presente no limite (e ultrapassando ele), além de achar que o futuro não existe.

Mas nada dura para sempre.

Aí, um dia abro os olhos e não consigo mais dormir. É madrugada e meu corpo está cansado, algo desgastado até. Penso naquela foto percebo que se passaram 15 anos. Me levanto, pego o celular e vou ao banheiro. me olho no espelho e enxergo cabelos brancos, algumas rugas e pensamentos. Sinceramente, gosto do que estou vendo hoje, aos meus 35 anos. Só não curto boletos, incertezas de como lidar com a vida, estresse, problemas de saúde… Cadê aquele jovem que não tinha medo da vida?

Bom, ele certamente está em algum lugar ali dentro. Mas agora entendo. E faz sentido até.

Nada dura para sempre.

O Plataforma fechou. Muitas bandas acabaram e boa parte da galera que eu conversava, hoje nem sei o que fim levou. Éramos como irmãos, saíamos todo santo final de semana, quase que religiosamente e vivíamos histórias que rendiam vidas em apenas noite. As lembranças do bar do professor ainda são nítidas e lembro em detalhes do dia que o Batalhão de Choque entrou intimidando e fugi despavorido pela porta dos fundos e achei os amigos na praça, ali na frente do antigo fliperama do Cabeção.

E agora, os 35, as vezes acho que vivi tudo.

Mas não. A vida ainda pode te machucar e muito.

Porque nada dura para sempre.

Já passei pelo Losartana 50 mg e agora estOU chegando ao Glifage XR. Sim aquele mesmo que meu pai toma. O cabelo já começou a afinar e perder a cor, assim como a barba. Já não uso camiseta de bandas (cadê aquela camisa do Garotos Podres que usei em Jaraguá? Gostava tanto dela!), mas conservo algumas antigas, simplesmente pelo fato de não poder desapegar. Saudosismo? Saudades? Eu, sinceramente, não sei. Acho que não.

O Túnel do Rock, que ficava ali no calçado do centro, quem sabe tenha fechado há 20 anos. E Você já não anda pelo centro chapado, passando ali no final do dia na pastelaria Xing-fa, Rio’s, Miltons ou indo numa balada da Pelvis Shaker no Casarão. O que hoje é o Centro Leste, na época era uma sombra e reduto de um monte de entulho. Colando cartaz de madrugada. Dormindo no TICEN ou perambulando de uma forma delirante noite adentro.

É. Por sorte, nada dura para sempre.

Militância estudantil, viagens intermináveis de ônibus, colóquios, seminários e equilibrar escotismo com atitude punk e transgressora. Eu já não preciso montar uma banquinha de livros e cds usados em Guaramirim, no reformado Curupira, como em 2010. Uma música do Flotation Toy Warning ou do Pavement faz mais sentido do que Flema ou Sex Pistols. Não tenho mais banda. Não quero ter mais banda! Muito cansativo e rock anda em baixa.

Nada dura para sempre.

O Dead Fish escreveu em 2004 uma música chamada “A Urgência”, onde tem um trecho que diz “aceite as consequências do que acha que te faz melhor”. O mundo mudou e você também. Mas, final do mês, vou assistir eles pela 24 ou 25 vez.

Ainda me olhando no espelho, abro um sorriso. As atitudes autodestrutivas sucumbiram. Os demônios internos estão cada vez menores e isso só é possível graças à terapia e força de vontade.

As pessoas seguiram seu caminho. E, no meu imagético, todos estamos bem, com saúde e felizes. Mas sei que não é assim.

O negócio é estar preparado para encarar o que vier pela frente e aproveitar cada momento, tendo certeza e clareza das escolhas.

PS: Achei as fotos do III Nereu Rock Fest num Flickr. O link está aqui: https://www.flickr.com/photos/36825774@N02/


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