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O Enganado e o Enganador

A ele pertencem o enganado e o enganador. (Jó 12.16).

Roberto Böck · 2026-03-20 10:56 · 1 claps · 2.2 min read
#moral #luz #poder #trevas #responsibility
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Imagem gerada no Gamma App.

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O Enganado e o Enganador

A ele pertencem o enganado e o enganador. (Jó 12.16).


Observo a cidade com os olhos cansados, mas atentos. Cada esquina parece sussurrar histórias que não cabem nos jornais. O poder corrompe, parece que sempre corrompe, e a diferença entre quem lidera e quem obedece se dissolve em um mar de engano. Ovelhas e cabritos, penso, e logo imagino os lobos entre nós, sorrindo e oferecendo promessas enquanto escondem garras afiadas.

— Como é possível confiar em alguém quando todos parecem jogar o mesmo jogo de máscaras? — Falo para mim mesmo, caminhando por ruas onde placas públicas solicitam ordem, mas só entregam caos. Será que todos somos enganados sem perceber? Ou há aqueles que sabem e se calam, cúmplices do próprio medo?

No metrô, um homem fala alto sobre política, e suas palavras me lembram o servo mau, aquele que se desvia do trabalho confiado, que engana e se entrega à própria ganância. A cidade inteira é feita de servos maus que se dizem fiéis, e de fiéis que se perguntam se vale a pena continuar acreditando. Não seria essa a razão de tanta injustiça? Cada esquina tem a sua corrupção, cada contrato, cada “desvio” justificado como necessário. E nós, o que fazemos? Observamos, calculamos, nos adaptamos?

Vejo a luz e as trevas duelando não só nas fachadas de concreto, mas nos gestos das pessoas. Um sorriso que esconde intenções, uma palavra que parece sincera, mas que é apenas estratégia. Luz e trevas, penso, e percebo que não existe meio-termo. Ou nos alinhamos com a honestidade que insiste em existir em algum lugar, ou nos deixamos envolver pelo escuro que se apresenta com normalidade. Será que ainda lembramos o que é luz?

E as ovelhas? Onde estão as ovelhas quando os lobos se aproximam? Talvez algumas estejam perdidas, talvez outras já tenham aprendido a caminhar entre sombras sem perder a inocência. Mas eu me pergunto: quando a ingenuidade se transforma em ingenuidade perigosa? Quando o engano se torna lei, e a verdade é punida com o silêncio?

A cidade parece respirar um engano coletivo, e eu caminho entre ela e minha própria indignação. Estamos tão acostumados a sermos enganados que esquecemos de olhar para nós mesmos, mas e se a justiça vier de um lugar que não se cansa, que não se corrompe? Que não olha para fora, mas vê tudo, o enganado e o enganador?

É nesse instante que percebo: há uma luz que não se apaga, mesmo quando o mundo insiste em nos empurrar para as trevas. Uma verdade que não depende da política, da classe dominante ou das regras de conveniência que nos cercam. Mas onde ela se esconde?

E então lembro: Todas as coisas estão descobertas e expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. (Hb 4.13).

E, se a justiça que buscamos não é cega nem se cansa, mas nos observa de um lugar inatingível pelo engano, resta-nos caminhar, mesmo entre as sombras da cidade, sabendo que a única máscara que não engana é o reflexo de quem realmente somos para Aquele que tudo vê.


메타데이터
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