O imaginário é responsabilidade dos designers
Estar à frente do time de design e metodologia na Profile é, antes de tudo, um exercício de tradução. A estratégia nasce no papel, mas quem…
O imaginário é responsabilidade dos designers
Estar à frente do time de design e metodologia na Profile é, antes de tudo, um exercício de tradução. A estratégia nasce no papel, mas quem a faz respirar somos nós, designers, quando damos forma a esse pensamento.
Aqui na Profile, temos o Clube ESG — um encontro mensal com todo o time, criado para trocarmos aprendizados sobre o universo ESG. Já passaram por ali nomes como Zé na Rede, Macaulay Abreu, Michele Sales, Bruno Vio, além de encontros ministrados por nós mesmos. A pergunta que norteou o nosso MiniClube Design foi justamente: como você se enxerga no mundo ESG enquanto designer/criativo? Foi a partir dela que refletimos juntos sobre o nosso papel, trazendo os aprendizados do Clube ESG para a prática do design.

Se a estratégia aponta um caminho, o design é a linguagem que permite que esse caminho seja lido, sentido e lembrado. Essa tradução não é detalhe estético: é responsabilidade. Porque cada escolha visual acende algo — e, ao mesmo tempo, deixa outra coisa na sombra.
“O imaginário é responsabilidade dos designers.”
Essa fala ficou na sala como um lembrete. Para segurar esse peso, precisamos de repertório. Quanto mais estudamos, mais capacidade temos de questionar e propor. É natural que no começo tudo pareça desafiador, mas o tempo, os erros e os treinos nos dão segurança. No fundo, é um jogo de tentativa, desapego e recomeço.
Outra frase que me marcou:
“Nenhuma experiência é individual.”
E não é mesmo. Design não acontece isolado. Ele se fortalece no diálogo com outras áreas, na troca de perguntas, no exercício da curiosidade. Quando o design está junto da estratégia, os dois se potencializam. Todas as áreas estão interligadas — e eu gosto de trazer sempre o potencial do pensamento da interdependência. A natureza opera assim: independente e dependente ao mesmo tempo. Uma coisa só existe porque a outra existe.
Nosso papel como designers é entender o que estamos projetando e refletir sobre como isso influencia o sistema. Até onde vai nossa interferência? Quais são os limites para respeitar a natureza das coisas?
Gosto muito deste TEDx para falar de interdependência.
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Também surgiram reflexões mais íntimas: até onde vai a minha personalidade e onde começa o meu design? Quando reconheço que caí na zona de conforto? Essas perguntas não trazem respostas fechadas — são bússolas que nos mantêm atentos. São também lembretes da responsabilidade do que criamos e da autoanálise que o ofício nos exige.
Observar o próprio processo criativo é um jeito genuíno de ampliar as possibilidades: vasculhar, testar, imaginar soluções diferentes para o mesmo desafio. E, no meu caso, volto sempre ao ponto da interdependência. Eu não estou sozinha no job. Mostro minha evolução para a dupla de estratégia e para o time, coleto feedbacks e sigo evoluindo.
O encontro terminou com uma lista simples, mas poderosa, de lembretes para a prática diária:
- ser curioso;
- estudar mais;
- testar mais;
- cuidar da curadoria do que mostramos ao mundo.
Traduzir um artista, uma marca, um projeto: tudo isso exige fidelidade e invenção ao mesmo tempo. Estamos na ponta, criando pontes entre visão e experiência. E talvez, nesse processo, traduzindo também a nós mesmos.
Até o próximo MiniClube.
— Fê Hakme com Aline Albuquerque, Júlia Coelho, Marcos dos Anjos, Renan Castro e Sayuri Oniki
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