Crítica | Zona de Interesse
Indicado ao Oscar em Melhor Filme Internacional está em cartaz

Foto: Leonine/Divulgação
Crítica | Zona de Interesse
A Segunda Guerra Mundial, ocorrida no período de 1939–45, é uma inesgotável fonte de inspiração literária e cinematográfica. São vários e vários filmes, de diferentes nacionalidades, que abordam um recorte de um dos eventos mais marcantes do século XX — foram tantos e tantos acontecimentos, que mesmo que saibamos como os fatos ocorreram, sempre lemos e assistimos sob diferentes óticas.
Para alguns, abordar eventos das Grandes Guerras pode parecer repetitivo e cansativo. Porém, quanto mais se pesquisa e se esmiuça, mais se descobre focos específicos dentro de um evento de magnitudes tão grande. A Europa estava tomada pelos regimes totalitários e imperialistas como o Fascismo (Itália) e o Nazismo (Alemanha), que vieram de resquícios da Primeira Guerra. No Nazismo, era claro o projeto de ocupação expansionista por todo continente, ocupando o leste e atacando potências como França e Inglaterra. Havia também um largo projeto de limpeza étnica que se perpetuou por todo o regime, de prisão e extermínio de pessoas “não-arianas” — com foco na comunidade judia.
Auschwitz, conhecido campo de concentração para pessoas de origem judaica, era a espinha dorsal desse macabro projeto. Localizado no sul da Polônia, na época sob domínio nazista, era habitado por famílias de oficiais alemães, que executavam seus afazeres: transportar os prisioneiros para suas mortes. Esse cotidiano é explanado em Zona de Interesse (The Zone Of Interest, Reino Unido,2023), longa adaptado do romance homônimo de Martin Amis, que foi um dos vencedores do 76º Festival de Cannes.
Aqui vemos Rudolf Höss (Christian Friedel), comandante de Auschwitz, e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller, também em Anatomia de uma Queda), desfrutando de uma vida aparentemente comum e bucólica. Em meio a tanta tranquilidade, nos deparamos ao fundo com gritos abafados de desespero do vizinho ao lado. Isso é uma das experiencias mais agoniantes que se tem numa sala de exibição — o contraste do semblante de normalidade em meio a diários ruídos aterrorizantes de pessoas sendo incineradas em fornos e câmeras de gás. O diretor Jonathan Glazer nos imerge a sequências de banalização da barbárie e de amoralidades, que chega até causar uma certa anestesia. Sem exibir uma gota de sangue, nos apresenta uma violência brutal que não é física, tampouco visual — o som se encarrega de expor o que era aquele lugar e suas cercanias.
Indicado ao Oscar deste ano em cinco categorias — Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Som e Melhor Direção –, Zona de Interesse chega num momento crucial em que a cultura de negação à História e o ode à estupidez estão muito em alta. O Regime Nazista ruiu há quase oitenta anos, e muito de suas ideias supremacistas ainda teimam em resistir e querer retornar. Está muito longe de ser um filme “fácil de assistir”; mas nenhum o é quando se trata de um eventos mais horrendos da História Contemporânea da Humanidade.
Nota: 📼📼📼📼📼
[embed]
메타데이터
- post_id
- 3fe5d4e49449
- slug
- crítica-zona-de-interesse-3fe5d4e49449
- url
- https://medium.com/@modernoveneza/cr%C3%ADtica-zona-de-interesse-3fe5d4e49449
- canonical_url
- https://medium.com/@modernoveneza/cr%C3%ADtica-zona-de-interesse-3fe5d4e49449
- author_url
- https://medium.com/@modernoveneza
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-09 03:40:04