um texto sem título assim como ando sem rumo
considero o título o rumo de um texto e, como ando absolutamente perdida, decidi que este texto intencionalmente não terá um título.
um texto sem título assim como ando sem rumo
considero o título o rumo de um texto e, como ando absolutamente perdida, decidi que este texto intencionalmente não terá um título.
encerrei um importante ciclo da minha vida recentemente. não adianta sequer eu tentar explicar qual foi esse ciclo e como é possível eu saber que ele foi encerrado. é mais complicado que dizer que os ingredientes secos vão juntos e depois basta adicionar os molhados pra ter, enfim, uma receita de bolo em andamento. não é simplesmente dizer que precisa bater a clara até ela virar neve, e que isso leva tempo. cozinhar é bastante objetivo e se descobre o complexo no meio do caminho. desbravar a mata atlântica do inconsciente é, no mínimo, úmido e quente em todas as estações do ano de manhã até o anoitecer. mas, finalmente, posso dizer que atravessei a parte mais densa da mata, ainda que muitas vezes quase submersa em merda e outras tantas agarrada pelos cipós que sobraram de outras pessoas que desceram rumo ao inferno (voltar à civilização). é, mas veja só, nem tudo são flores (ainda nem chegamos lá, do outro lado onde tem abelhas aos montes). abri o último caminho entre as árvores e caí logo é numa neblina das mais forte, apenas com a certeza de que há algo a minha frente: esperando.
os gatos do meu vizinho brigam enquanto escrevo, sentada na minha mais confortável cadeira, entranhada um desconforto terrível comigo mesma. o barulho que eles fazem é engraçado e eu rio porque, ao mesmo tempo, alguém vê um filme ou qualquer coisa muito alto na televisão, deixando escapar o som de uma música clássica macabra pela janela. é ainda mais engraçado grunhidos de gatos embalados por música clássica. minha pretensão era escrever um texto sobre o fabuloso janeiro que tive. mas aí os gatos, os filmes alheios, a água correndo pela calha, a náusea me atrapalharam.
estou vivendo uma segunda-feira terrivelmente mal humorada. nebulosa. mas ainda há muito pela frente e preciso seguir. ainda que tenha medo. ainda que esteja só. minha avenca partiu (literal e metaforicamente, sim). vou planejar minha semana na minha agenda florida. preciso seguir em busca das flores do outro lado.
메타데이터
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- 2026-08-15 18:26:56