Mensagens que te escrevi, mas nunca enviei
Oi. De novo.
Mensagens que te escrevi, mas nunca enviei
Oi. De novo.
Eu sei que você nunca vai ler isso, mas mesmo assim eu preciso te escrever.
São 02:07 de uma das sexta-feiras mais tristes da minha vida. Não me sinto tão triste assim desde 2023, eu acho.
Tudo começou antes de ontem. Quando eu decidi que deveria ver uma foto sua, decidi que já estava emocionalmente preparada para isso. Entre fotos e mais fotos suas, me peguei sendo nocauteada por memórias nostálgicas que eu havia enterrado sete palmos abaixo da terra, justamente pra evitar todo esse sofrimento que agora estou sentindo.
O ano citado acima, foi o ano em que você se foi e então olhando suas fotos, pareceu que em questão de minutos, eu me tornei aquela garotinha de 2023 de novo. Angustiada, perdida, sufocada, triste, aflita e… solitária. Desde que tu foi embora, eu enchi minha vida de coisas para fazer quase que vinte e quatro hrs por dia para não me sentir mais assim. Mas então, como um soco na boca do meu estômago, tudo voltou à tona de uma só vez.
Comecei a chorar antes de ontem, permaneci assim ontem e hoje, do mesmo jeito. As lágrimas descendo como se fosse possível as minhas bolsas lacrimais terem estocado tanto choro assim em todo esse tempo. O gosto amargo da morte me rodeando, convidativa, como se toda a tristeza que eu sentia me levasse a um caminho rápido e indolor para colocar um fim naquilo. Eu, tão pequena, me tornei ainda menor, quase que imperceptível dentro de todo aquele sofrimento, de toda aquela tristeza, daquela dor. E como dói. Nunca achei que fosse possível sentir tanta dor com memórias passadas. Memórias que te envolvem, memórias valiosas de uma pessoa tão importante.
Quero falar contigo, quero te ligar, quero me comunicar com você, eu quero! EU QUERO MUITO! CARAMBA… COMO EU QUERO.
Minha vida agora foi intensamente preenchida por um vazio que me consome. Não existe mais nada. Somente a minha presença dentro de uma casa vazia de vida. Eu e eu, num looping eterno de solidão, tristeza e ansiedade.
A única pessoa que poderia estar, não está.
E então estou trancada comigo mesma dentro de uma casa que parece gritar desesperadamente dentro da minha cabeça palavras inaudíveis, mas extremamente perturbadoras. A minha cabeça não para. O choro não cessa, eu não consigo nem respirar. A angústia parece algum tipo de vórtice que vai simplesmente me engolir viva. E aí tudo volta à tona de novo, todas as lembranças dolorosas que só eu entendo, mais ninguém; nem mesmo você entendia, mãe e hoje só eu continuo entendendo.
Eu sinceramente não sei onde isso tudo vai me levar e sei que você não pode me ouvir, mas ou eu falava ou isso me faria explodir por dentro. Acho que eu só queria um abraço, mas não o tenho. Queria conversar contigo e não posso. Queria estar bem, mas não estou e não sei se será possível ficar. Os meus sentimentos estão me matando e eu não sei o que fazer deles ou com eles, eu não queria sentir nada. Sinto muito pela tua morte, mãe. Sinto muito, de verdade.
메타데이터
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