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Sincronicidades não são coincidências (PARTE 2)

Anteriormente (PARTE 1) definimos coincidências como eventos relacionados entre si, mas não fenomenologicamente, que ocorrem com…

ASTRONAUTA À DERIVA · 2023-10-10 23:56 · 0 claps · 3.3 min read
#sincronicidade #coincidence #acaso #destinos #espiritualidade
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Sincronicidades não são coincidências (PARTE 2)

Anteriormente (PARTE 1) definimos coincidências como eventos relacionados entre si, mas não fenomenologicamente, que ocorrem com probabilidades que beiram a impossibilidade e que não possuem qualquer relação causal ou inteligível. Ao adicionar mais um evento coincidente a uma coincidência primeira, teremos então uma sequência de coincidências compostas por dois eventos coincidentes e com probabilidade correspondente à sequência coincidente ainda (bem) menor. A adição de mais um evento coincidente contribui significativamente com a adição do espaço amostral do denominador da Equação I, de forma que o produto das probabilidades associadas a estes diminui drasticamente.

Equação I

A constante adição de eventos coincidentes nesta sequência causa ainda mais a diminuição de sua probabilidade correspondente (Gráfico qualitativo I).

Gráfico qualitativo I

O gráfico qualitativo acima evidencia o quão improvável é a formação de uma sequência de coincidências. Em outras palavras, uma coincidência, embora ainda pouquíssimo provável, é recorrentemente observada (e normalmente acompanhada de expressões de surpresa!). No entanto, coincidências subsequentes são praticamente impossíveis de ocorrer. Para melhor compreender as aparentes sequências de coincidências que são observadas, parece apropriado introduzir o termo sincronicidade.

Embora os adeptos do misticismo sejam naturalmente associados a tal termo, sincronicidade é objeto de estudo no campo filosófico. No Brasil, uma das filósofas que apresenta domínio sobre o tema é a professora Lúcia Helena Galvão. Muitas de suas palestras encontram-se disponíveis gratuitamente sob domínio do instituto nova acrópole e o tema da sincronicidade não poderia estar de fora do repertório desta sábia professora e palestrante.

De forma geral, podemos entender sincronicidade como eventos relacionados entre si, inteligivelmente, que podem ocorrer como uma sequência de eventos síncronos, em probabilidades isoladas de dimensões equivalentes às probabilidades das coincidências. Observe que as coincidências podem ser incorporadas a este conceito. No entanto, quando falamos de sincronicidade, falamos de eventos relacionados ou uma sequência destes que, ao contrário das coincidências, podem ser justificados, mas normalmente não de forma puramente racional (veja nosso texto sobre compreensão da realidade).

Evidentemente, muitas sincronicidades nos são apresentadas como meras coincidências, devido nossa limitação de compreensão da realidade. Muitas sincronicidades ocorrem com seres humanos. Diversas são as histórias relacionadas, por exemplo, ao não comparecimento ao embarque em aviões que teriam como destino um acidente fatal. Ou mesmo eventos relacionados não casualmente que quando conectados e entendidos em sua totalidade levam ao escape de situações de perigo ou mesmo à resolução de dilemas (uma decisão de mudança de trabalho, moradia, etc).

Você, se é um leitor das ciências exatas e da natureza, neste momento está lendo o texto e sentindo que um adepto do misticismo o escreveu. Grande engano. Do ponto de vista matemático, uma sequência síncrona de eventos desafia totalmente a probabilidade associada a uma sequência de coincidências por um motivo muito razoável. Este fato aliado às circunstâncias e até mesmo às previsões correspondentes indicam fortemente o descarte às hipóteses coincidentes devido a presença de algum grau de conexão não causal, porém ainda fenomenologicamente relacionado. A este grau de conexão não causal denominaremos aqui de conexão inteligível.

Eventos síncronos então ocorrem devido a estas conexões não trivialmente decifráveis mas que quando analisadas ao longo do tempo, tais eventos demonstram algum tipo de informação (uma dedução lógica, uma previsão, um aviso). A sua maior probabilidade de ocorrência, quando comparado às sequências coincidentes, se dá pelo fato de que as conexões inteligíveis associadas às sincronicidades atuam de forma a fornecer menores denominadores relacionados a Equação I, devido tais conexões (redução do aumento de espaço amostral). Assim, estas acabam por apresentar menor diminuição de probabilidade associada à sequência de eventos síncronos em si, embora os eventos isoladamente apresentem dimensões probabilísticas equivalentes às coincidências.

Matematicamente diríamos que a probabilidade de ocorrência de uma sequência de coincidências p(SC) é consideravelmente menor que a probabilidade de ocorrência de uma sequência de eventos síncronos p(S) como consequência da diferença da natureza das conexões fenomenológicas dos eventos envolvidos, seja uma sequência coincidente ou uma sequência síncrona. Esta conclusão pode ser identificada, mas não com essas palavras, na filosofia na forma de parábolas, histórias, e mitos. Além disso, algumas escolas filosóficas, como o estoicismo, apresentam em sua essência tal ideia.

Portanto se estiveres presenciando sequência de eventos aparentemente coincidentes mas relacionados fenomenologicamente a um tema central, a probabilidade deste se tratar de uma sequência síncrona é muito maior quando comparado a probabilidade de uma sequência de meras coincidências, devido a natureza intrínseca destas, anteriormente discutidas.


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