Sobre microgerenciamento e seu impacto na equipe
Ao procurar por “microgerenciamento” no google, um dos primeiros resultados é o Site da Glic Fàs, que traz A seguinte definição:”O…
Sobre microgerenciamento e seu impacto na equipe
Ao procurar por “microgerenciamento” no google, um dos primeiros resultados é o Site da Glic Fàs, que traz A seguinte definição:”O microgerenciamento ocorre quando a liderança, por querer controlar todas as ações de seus funcionários, acompanha e controla seus trabalhos de perto, dando atenção excessiva aos detalhes.”
No entanto, esta definição pode ser um pouco mal compreendida. Afinal, um gerente que acompanha e controla de perto seus colaboradores, atento a cada detalhe, para que tudo saia conforme o planejado, pode ser considerado um ótimo profissional — principalmente pelo seu superior.
O microgerenciamento é originado da falta de experiência, da falta de confiança na equipe e, em alguns casos, da falta de trabalho em si. Para ilustrar como isso funciona na prática e seu impacto na equipe, conto a seguir uma experiência que tive há alguns anos, com um gerente que era mestre na “arte” do microgerenciamento. O gerente, no caso, era um funcionário eficiente, prestativo e muito inteligente em sua área de atuação. O mesmo continuou a atuar em sua área, mas foi promovido a gerente e ficou responsável por uma equipe de 5 funcionários, que trabalhavam em uma área comum. Foi aí que o microgerenciamento começou.
Na gana de se mostrar eficiente, o novo gerente controlava tudo o tempo todo. Nosso horário de chegada era à 08:00h. Se alguém atrasasse 2 minutos, o gerente fazia questão de dar um curto sermão sobre pontualidade.Todo. Santo. Dia. Quando algum funcionário ligava o ar condicionado, o gerente desligava, ou deixava a temperatura tão alta que não fazia nenhuma diferença no ambiente e causava até certo desconforto.Uma vez, fui repreendido porque deixei minha carteira em cima da mesa.”É expressamente proibido deixar qualquer item pessoal em cima da mesa. Guarde em sua gaveta, agora”. Ele queria saber o que cada funcionário estava fazendo. Perguntava a cada um, várias vezes ao dia: “O que você está fazendo? Mas ainda está trabalhando nisso? Por quê?”. Quando algum funcionário tinha uma reunião ou compromisso fora da empresa, ao retornar, o gerente queria saber por que demorou tanto, se passou em outro lugar, dando a entender que o funcionário fez algo particular durante este tempo.Certo funcionário, quando queria conversar com algum cliente, ia até a sala ao lado, porque era um local mais silencioso e reservado. O gerente proibiu isso e exigiu que todas as ligações fossem feitas na sala principal, movimentada e barulhenta. As idas ao banheiro passaram a ser controladas. O horário de café deveria ter 20 minutos e era inadmissível passar um minuto sequer disso. Ao passar por alguma mesa, parava e mandava o funcionário organizar “a bagunça”. Todos os computadores tinham programa de controle de usuário (dados digitados e prints de tela eram enviados ao gerente periodicamente, e só alguns sites eram liberados). Quando algum funcionário errava ou precisava ser repreendido, isso era feito na frente de todos, de forma humilhante. O gerente explicava ou pedia algo apenas uma vez, e se alguém tinha alguma dúvida ou acabava se esquecendo, ouvia “eu já expliquei e não vou falar novamente, se vira agora”. No fim, o gerente ameaçava os funcionários com demissão, à vista do menor deslize. Chegou a ameaçar com demissão uma funcionária que havia acabado de perder o pai — acusou-a de não estar sendo tão eficiente na empresa.
Esta era a nossa rotina. Aos olhos do chefe, o gerente era extremamente eficiente. Linha dura, detalhista e exigente. Entre os funcionários, o clima era de descontentamento, ansiedade, raiva e medo. Um dos colaboradores resolveu deixar a empresa. Outro avisou aos colegas que queria fazer o mesmo.Todos chegavam para trabalhar com a cara fechada, mal conversavam e não viam a hora de ir embora. Alguns até tentaram reclamar com o chefe, que ignorou e ficou do lado do gerente. Isso ainda durou alguns meses.O rendimento de todos caiu. O ambiente de trabalho se tornou um lugar pesado e ameaçador, com uma sensação constante de completa falta de perspectiva de alguma mudança benéfica. A equipe não estava mais entrosada e isso refletiu negativamente nos resultados. Ninguém queria trabalhar ali mais.
Microgerenciar é algo sempre desastroso. A falta de experiência em gerenciamento, em saber simplesmente lidar com outras pessoas, pode ser um dos fatores que leva a isso. O gerente usa seu poder para controlar absolutamente tudo, a todo tempo. Outro fator que leva ao microgerenciamento é a falta de confiança na própria equipe, a necessidade de fiscalizar o tempo todo, de pressionar, de ser onipresente e onisciente em relação ao que todos fazem a cada momento do dia. O microgerenciamento pode ser também resultado de falta de organização, da incapacidade de priorizar tarefas e falta de sistematização do processo de trabalho. Assim, o gerente passa o dia a pensar o que pode fazer com as funções e o poder relativos ao seu cargo, o que pode vistoriar, cobrar, pressionar e ameaçar. É, em resumo, um serviço mal feito que se resulta de uma real falta de serviço.
Como resolver isso? Por experiência própria, vejo que quando um gerente chega a este ponto, ele não consegue mudar. Pois retroceder seria visto, por ele, como perda de poder, como se não fosse mais levado a sério e se tornasse irrelevante. A solução é a demissão do “especialista em microgerenciamento”.
Em meu caso, o gerente pediu demissão. Nós, funcionários, vimos que estávamos por nossa conta. Então conversamos e resolvemos enfrentar o microgerenciamento. Reagimos. Em um dia com calor de mais de 30ºC o gerente deixou o ar condicionado em uma temperatura alta. Eu reclamei, disse que todos os funcionários estavam com muito calor e que, portanto, a temperatura deveria ser mais baixa. Disse ainda que, caso o gerente não gostasse, poderia trazer algum agasalho para ficar mais confortável no dia seguinte. Quando ele começou a me importunar por pequenas coisas, pedi para que focasse em meus resultados e que me deixasse trabalhar em paz. Os outros fizeram o mesmo. Quando o gerente ameaçou demitir um funcionário novamente, o mesmo disse que ele não tinha este poder e que não havia motivo. O gerente não aguentou a situação por muito tempo e reclamou ao chefe. Acusou-nos de insubordinação. Mas o trabalho estava em dia, tudo fluía bem. Ou seja, o microgerenciamento ruiu e, por falta de capacidade de gerenciar de uma maneira realmente efetiva, o gerente ficou perdido, sentiu-se desrespeitado e se demitiu.
Sei que nem todo final pode ser feliz assim para os funcionários, mas é importante se posicionar em casos de microgerenciamento e enfrentar o problema coletivamente. E, para os gerentes: se policiem quanto a isso — repito, microgerenciamento é uma prática desastrosa. Seu modo de gerenciar a empresa foca mais em trivialidades e cobranças diárias ou em resultados e progresso?
메타데이터
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- 2026-08-10 09:04:27