2666 de Roberto Bolaño— Review do Livro/ A Parte dos Críticos.
Uma epopeia sobre a vida e a existência do amor.
2666 de Roberto Bolaño— Review do Livro/ A Parte dos Críticos.
Uma epopeia sobre a vida e a existência do amor.

Professores, pesquisadores, críticos, acadêmicos ou intelectuais em geral, se mostram elementos fora do eixo da cultura popularesca, concentrados em objetos de fascinação específicos, vão de encontro para quem os vê de fora de uma vida “normal” de jornadas de trabalho intercaladas pela televisão aberta, como pessoas “inteligentes” e na maioria das vezes “bem sucedidas”.
Sempre imaginei alguns professores com que eu tive o prazer de ter aula, como pessoas fora dessa matrix, com conhecimento vasto e uma desconcertante fome por cada vez mais saber. Bolaño então retrata na primeira parte de 2666 intitulada, A Parte dos Críticos, uma desmistificação dos talentosos críticos que possuem vidas normais e traumas reais.

Sobre os críticos
Essa primeira parte narra os quatro personagens principais, o francês Pelletier, o italiano Morini, espanhol Espinoza e a inglesa Norton, que em meio de viagens se conhecem e se unem pelo amor ao mesmo autor que os quatro de uma certa forma estudam ou já estudaram, Benno von Archimbold, autor alemão fictício, que representa a liberdade de um modo peculiar para os críticos.
No meio da procura por esse excêntrico autor que se isolou em algum lugar no México, conseguimos conhecer mais por dentro desses personagens, Morini e suas várias doenças e tristezas por ser cadeirante, Norton e seu desapego pelo amor e por relacionamentos, Espinoza uma pessoa totalmente ao avesso da inglesa e Pelletier com seu falso hedonismo.

Bolaño e a vida real.
O autor chinelo traz a vida real em seus mais minuciosos detalhes, uma ida a um café, uma compra desnecessário, um pensamento no meio da noite deitado na cama, os personagens percorrem o mundo como uma pessoa em seu dia a dia, se apaixonam, mas não se beijam em cenas épicas, apenas pedem o beijo com o sentimento vivo, a escrita de Bolaños nos deixa refém dessa no começo angustiante e por por fim magnifica narrativa, não espere desfechos aventurescos, na vida existem dias que não fazemos exatamente nada.
O Hiper-realismo usado para compor essa primeira parte emociona, você se vê nesses personagens, lê seus pensamentos jocosos, os pensamentos de medo e de alegria, até aqueles pensamentos em que nada faz sentido e que nos tira de órbita num dia de tédio, o livro nos faz com o tempo entender todas as suas nuances, você vê críticas a burguesia, a capacidade que a arte pode ser diferencialmente interpretada, que o estudo real rende, a amizade e suas estranhas conexões, a violência étnica e a que eu mais me apaguei na leitura desta primeira parte, que o amor existe e chega de forma leve e inesperada.
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