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(continuação) Na Medida do Impossível: As respostas

Perguntei lá, 1rotor respondeu aqui rs // Lívia G. /// jul 15, 2026

fuligem · 2026-08-19 01:47 · 0 claps · 3.6 min read
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**(continuação) Na Medida do Impossível: As respostas**

Perguntei lá, 1rotor respondeu aqui rs // Lívia G. /// jul 15, 2026

  1. Eu: Amigo, como você teve as ideias do Otorongo?

1rotor: “Cara, na verdade foi meio que acidental, porque eu tinha uma viagem com outro objetivo, mas chegou um momento que esse objetivo se perdeu e eu decidi fazer essa caminhada nesse sentido. Mas eu também não esperava nada, né? Tava apenas disposto a continuar criando, sabe? Mas eu me encontrei num outro universo novo que me inspirou de algumas formas e elas também se conectaram a ideias que eu já tinha antes. Então foi nesse momento aí, existia toda uma circunstância e eu fiquei meio aberto a isso depois que eu fiquei sem esse objetivo da viagem, né?”

1rotor by Thomaz Alves

1rotor by Thomaz Alves

2. Eu: Como e onde você gravou?

1rotor: “Eu fui pra uma cidade chamada Calca, que fica mais ou menos uma hora e pouquinho de Cusco no Peru. Uma cidade pequenininha. E lá eu aluguei um quarto numa casa e nessa casa eu tinha essa visão da montanha, da Cordilheira dos Andes. E ali eu fiz a maioria das ideias dos climas e depois muita coisa eu vim adicionando no Sana ou em Macaé. Todas as coisas que foram gravadas ali, geralmente elas eram improviso: guitarra, voz, aquelas baterias. Até mesmo o sax ali, tudo isso foi… Bota pra gravar, vai fazendo, tá gravado e é isso que ficou. Tanto que bateria foi um dia que eu fui treinar… Só pra te contextualizar, eu tinha desmontado o estúdio todo e levado as coisas pra Macaé (do Estúdio no sítio Sereno Sana para casa em Macaé). E eu tinha umas vozes pra gravar, e fui lá gravar essas vozes. Então levei, cara, o básico, assim… nem a mesa de som tava lá mais. E aí eu falei ‘ah, vou treinar umas baterias, né? Vou treinar só que pô, é bom com música, né?’ Falei ‘ah, vou botar essas músicas aqui, vou aproveitar, vou dar uma gravada e tal’, mas meio que mais de base, assim. Acabei gravando. E eu acho que nessa época aí também foi quando o Leo da Deus Nuvem tava no Sana e aproveitei pra gravar o sax também (de Ingerir Cápsula). E aí eu só tinha um microfone, então não é do jeito que eu gostaria de ter gravado a batera. Na verdade, sinceramente, nesse álbum aí, se fosse em outro contexto, eu tinha regravado tudo: as vozes, as guitarras… porque tudo isso daí foi de primeira, assim, foi meio que de improviso. As guitarras, vocal, bateria, eu botei pra gravar, toquei em cima meio que sem saber ainda direito como é que era a música, o formato que ela ia tomar… e essa primeira gravação foi a gravação que ficou no álbum. Eu resolvi gravar com um microfone sem esmero nenhum, mas foi o que ficou. Enfim, foi um processo bem assim, bem desapegado, mas… Eu queria que tivesse esse aspecto um pouco intuitivo também. Em Macaé com o tempo, eu fui refinando e organizando essas ideias também.”

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3. Eu: As viagens que você sempre faz te influenciaram de alguma forma? Se sim, pra quais lugares e como influenciaram?

1rotor: “Olha, acredito que sim, mas eu não sou muito de buscar isso não, sabe? Mas eu vejo que acontece… Eu vejo que é mais pela minha condição de estar numa cidade como Macaé, tenho uma determinada rotina (de trabalho). Então quando eu faço essas incursões em lugares nessas viagens, é onde eu tô livre de tudo. Aí eu tô muito aberto, me abro muito. Eu acho que quando eu uno isso com a produção ali, com certeza tem essa influência. Até porque a viagem é cercada de simbolismos. De coisas que você vai trombando pelo caminho, de coisas que você vai aprendendo. Então isso, com certeza, isso chega na música. Porque também é um processo que você também está sendo honesto com aquele momento, então… É muito bom também que dá essa saída do meu ambiente normal.

O 1rotor, ele tem dois álbuns. Curiosamente, os dois se relacionam a lugares mesmo. É interessante que tem esse fator mesmo no meu trabalho. O primeiro, Tahoe, foi gravado durante uma temporada que eu passei num parque lá de Tahoe, trabalhando numa fazenda e… então eu tinha algum tempo livre, carregava o celular com gerador. E toda aquela temática ali, as falas que têm (no disco), eu gravei desse lugar onde eu tava hospedado. Realmente, o primeiro tem muito disso. O segundo tem também, mas eu fiquei mais livre de ter que ser mais disso, mas com certeza tem. O nome Otorongo é um nome que eu gosto como soa. É um nome Quéchua (idioma ancestral dos Incas) e eu escolhi porque tem uma lenda no local. Então se referencia muito a essa lenda: de uma época de outubro, que se forma a imagem de uma onça-pintada, uma sombra na montanha que encontra um Inca. Mas o mais maneiro é o mito que existe lá por trás disso, porque isso acontece uma vez por ano. Então eu achei muito curioso, achei muito legal essa coisa da onça-pintada, que é um dos meus animais favoritos e eu gosto como soa. E o curioso disso, cara, é que tempos depois que eu me dei conta que Otorongo tem muitas letras, parece muito com o Tahoe, né? Soa diferente, mas tem ali coisas muito parecidas e eu não tinha pensado nisso.”


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