O desenvolvimento social de crianças e adolescentes na era das telas
A cada dia novas tecnologias surgem, então, como podemos diminuir o impacto da disseminação de telas no desenvolvimento social de crianças…

O desenvolvimento social de crianças e adolescentes na era das telas
A cada dia novas tecnologias surgem, então, como podemos diminuir o impacto da disseminação de telas no desenvolvimento social de crianças e adolescentes?
Por: Gabriela Brito, Lethícia Klinke e Raquel Silveira
Há alguns anos, um aluno flagrado utilizando o celular em sala de aula era arduamente punido. Tal atitude era plausível de advertências e puxão de orelha dos professores e autoridades dos colégios. Hoje, por mais que muitos utilizem de forma indevida, a tolerância para o uso de aparelhos eletrônicos em classe é quase total na maior parte das instituições de ensino. Isso porque tais equipamentos passaram a ser parte essencial na rotina de aprendizado. Muitos docentes utilizam celulares, tablets e computadores na hora de ensinar, como forma de adaptar o ensino às características da nova geração, que já nasceu em um mundo repleto de tecnologias.
A necessidade do ensino e trabalho remotos durante a pandemia ainda acelerou o desenvolvimento de inovações em relação à atividade virtual, que expandiu em nível expressivo no país. Como exemplo dessa implementação da tecnologia em massa nos últimos anos, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou que o uso da internet no Brasil cresceu de 40% a 50% durante o período de quarentena. Além disso, a disseminação de dispositivos móveis é um ponto a se notar: pesquisas da TIC Domicílios apontam que 99% dos internautas acessam a internet por meio de celulares.
Mesmo com toda a parte benéfica que vem junto a novas formas de conexão, é notável que o uso da internet não se restringe somente ao trabalho ou a necessidades reais. Adultos que cresceram e se desenvolveram sem o acesso a estas tecnologias se rendem às mais diversas atividades de entretenimento que estes aparelhos oferecem: redes sociais, jogos, streaming de obras audiovisuais e música, entre muitas outras opções. Neste contexto, se até mesmo os adultos se vêem fortemente ligados às telas em seu dia a dia, o que acontece com aqueles que não conheceram o mundo antes da era digital?
De acordo com uma pesquisa de profissionais do Lenstore Vision Hub, a população infantil brasileira está em terceiro lugar em um ranking dos países que mais priorizam os dispositivos eletrônicos à atividades ao ar livre. Em uma análise que considera apenas o tempo de uso diário das telas, o Brasil aparece em primeiro lugar, como podemos ver abaixo:
A PANDEMIA DA TECNOLOGIA (2020)
Durante os momentos de isolamento social vividos na pandemia do Coronavírus, todo o contato social que as crianças e adolescentes precisam para se desenvolver foi restringido à telas e dispositivos digitais. A escola, que seria um momento livre de muitas distrações digitais, passou a depender de telas para o ensino remoto, assim como o contato com amigos e colegas de turma. Em entrevista, a psicóloga Marinara Soares conta um pouco mais sobre as consequências dessa dependência inevitável das novas gerações.
“Neste momento em que estamos acabando a pandemia, podemos perceber as sequelas que ficaram. Uma criança que antes achava normal sair para brincar na rua, agora acha mais normal jogar um jogo on-line. De certa forma, acaba sendo bem mais conveniente para a criança pegar o celular, deitar no sofá e se divertir jogando, sem ter o esforço de sair de casa e se exercitar. Acabou virando um hábito que estamos tentando reverter, para que essas crianças consigam reduzir um pouco o tempo que passam nas telas”, explica a especialista em terapia infantil.
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Além da questão das crianças menores, outro grande desafio que a pandemia trouxe foi o ensino remoto para adolescentes que cursam o ensino fundamental ou médio. Manter o foco nos estudos estando em casa, sem a pressão da sala de aula, com o celular apitando, televisão ligada e diversas outras distrações, é uma tarefa e tanto. Conversamos com um aluno do 3º ano do ensino médio, João Pedro Klinke Brandli, e ele nos contou como o celular prejudicou sua rotina de estudos e como ele lidou com essa distração às vésperas do vestibular.
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RISCOS E SOLUÇÕES
Você sabe o que seu filho vê e faz na internet? Como saber se ele está seguro? Com certeza, o contato com as telas não deve ser extinguido, uma vez que se trata de uma realidade e tendência para o futuro, porém é necessário atentar-se à saúde da criança em relação ao contato com a internet e telas em excesso.
Sobre o tempo de acesso, a psicóloga entrevistada destaca que o ideal é que crianças com até 18 meses de vida não possuam contato com as telas. Após esta idade, especialistas sugerem que o tempo de atividades com aparelhos digitais varie de 30 minutos à 2 horas, reforçando sempre a supervisão dos pais ou responsáveis durante este tempo.
De acordo com a Safernet, ONG que luta pelos direitos humanos na internet, os principais riscos para crianças na internet são os conteúdos, dados de contato e o comércio, relacionados à questão publicitária. Sendo assim, por conta do significativo aumento do vínculo de menores de idade à internet, diversas redes sociais, que já possuíam restrição de idade, investigam formas de permitir o acesso de crianças às plataformas de forma segura. As ferramentas estudadas até agora facilitam o controle dos pais sobre o conteúdo acessado e também a privacidade da conta do menor.
Em pesquisas, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mapeou diversas ações que os responsáveis podem realizar a fim de promover o uso inteligente das telas, além de emitir alertas sobre os diversos outros riscos que a criança corre quando está conectada.
Mas, na prática, como os pais podem melhorar o convívio da criança no meio da tecnologia? Marinara, especialista em infância, conta que sempre recomenda que o adulto não tome nenhuma atitude drástica, como proibir o acesso à internet de uma vez ou castigar os filhos.
“Deve-se ir reorganizando a rotina da criança aos poucos, oferecendo outras alternativas fora das telas. Não adianta privar a criança de estar no celular e não oferecer nenhuma outra distração para ela. O ideal é inserir novas atividades que sejam prazerosas às crianças aos poucos e fazer combinados de horários, no caso de crianças um pouco maiores”, explica a psicóloga Marinara.
Além disso, como mostra a imagem, os riscos da internet na infância não se restringem apenas aos conteúdos, mas se aplicam também à área da saúde física e mental. Sendo assim, é importante que os adultos se atentem aos sinais que as crianças e adolescentes mostram para saber a hora certa de direcioná-los à um profissional qualificado para ajudar em qualquer sentido que necessitem.
Como seu filho lida com a tecnologia? Você, adulto, já utiliza alguma dessas dicas para melhorar o convívio familiar com a internet? Conta pra gente nos comentários, queremos saber!
메타데이터
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