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Vasco, Philippe Coutinho e a análise rasa sobre futebol

Camisa 10 vascaíno alegou cansaço mental e rescindiu seu contrato com o clube.

Bruno Negreiro · 2026-02-18 23:27 · 2 claps · 3.1 min read
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Vasco, Philippe Coutinho e a análise rasa sobre futebol

Camisa 10 vascaíno alegou cansaço mental e rescindiu seu contrato com o clube.

Philippe Coutinho jogou 56 jogos na temporada de 2025 sem nenhum tipo de controle de carga, somou 4.326 minutos em campo aos 33 anos de idade, disparado o maior número de toda a sua carreira. Se somarmos os números das suas três temporadas anteriores, são 3.287 minutos jogados. Se compararmos os números com outros “camisas 10” no Brasil em 2025, essa estatística se torna ainda mais bizarra:

Matheus Pereira — 3.999 minutos (51 jogos) Everton Ribeiro — 3.708 minutos (60 jogos) Alan Patrick — 4.223 minutos (50 jogos) Arrascaeta — 4.524 minutos (64 jogos) Memphis Depay — 3.596 minutos (51 jogos) Lucho Acosta — 3.371 minutos (46 jogos)

Todo vascaíno esperava maior poder de decisão por parte dele nos quatro últimos jogos da Copa do Brasil, mas, se a questão física não for levada em consideração, a análise se torna completamente rasa, ainda mais porque a proposta de Fernando Diniz para ele era muito mais a de ser um organizador/facilitador do que propriamente um jogador que fica perto do gol para definir as jogadas, como o Memphis Depay, por exemplo.

Chegamos a 2026 e, apesar da perda de Vegetti e Rayan, é indiscutível que o time ganhou profundidade no elenco. Com isso, poderíamos imaginar que o camisa 10 teria menos “obrigação” de permanecer em campo por tanto tempo e que, com uma minutagem menor, a tendência seria de um desempenho mais constante. Não aconteceu.

A última partida do Vasco em 2025 foi realizada em 21 de dezembro. No dia 6 de janeiro, o atleta se reapresentou ao clube; no dia 15, estreou pelo Campeonato Carioca. Mesmo com um período de pré-temporada muito mais curto do que o habitual, Coutinho foi titular nas sete partidas realizadas pelo Vasco durante o período de um mês, sendo quatro delas pelo estadual, que não deveria ser a prioridade do clube. Coutinho chegou a atuar como titular em três jogos em um período de seis dias. Indefensável. Não é possível que um departamento de análise não consiga enxergar o que o torcedor vê com clareza da arquibancada.

Nem tão ao céu, nem ao inferno. Embora merecesse, sim, a cobrança, não podemos ser desonestos com o atleta. O corpo grita e o resultado é visto em campo. Futebol não é videogame, e isso precisa ser levado em consideração na hora de analisar a sua queda de produção, mesmo que ainda entregasse bons números na atual temporada: três gols e uma assistência em sete jogos.

Coutinho escolheu sair do Vasco, seja “por causa de dois jogos” ou por qualquer outro motivo; é um direito dele. Ninguém é obrigado a permanecer em um lugar em que não está feliz e saudável mentalmente, assim como também é totalmente aceitável que a torcida do Vasco, ou boa parte dela, esteja com sentimento de mágoa em relação ao atleta. O jogador foi acolhido e protegido pelos torcedores na maior parte do tempo de sua passagem.

Podem alegar que o seu mental é fraco, que o deboche para as vaias ao ser substituído é um erro, ou até mesmo que é um jogador “mimado” (qual atleta de futebol não é?) que não aguentou as críticas; afinal, ninguém nunca vai ser maior que o clube. Como os mais velhos gostam de lembrar: “Já vaiamos Romário, Edmundo, Juninho e tantos outros”. Mas tratar um atleta desse nível como culpado pelo momento do clube é um exagero tremendo; tratá-lo como descartável, um escárnio. Ou achamos mesmo que existe a possibilidade de repor um jogador à altura de graça e recebendo o mesmo valor? Admar Lopes já disse que o Vasco não tem mais caixa para contratações.

É claro que o salário do Coutinho é astronômico, irreal se comparado à realidade do povo brasileiro, mas infelizmente essa é cada vez mais a realidade do nosso tão inflacionado futebol. Memphis, Gabigol, Oscar, Paulinho, Hulk, Everton Ribeiro, Matheus Pereira, Borré, Alex Telles, Yuri Alberto: todos receberam pelo menos 1,7 milhão por mês em seus clubes em 2025, fora tantos outros que possuem salários na casa do milhão.

Uma perda sem precedentes para o Vasco, que agora, sem sua referência técnica, se vê sem os três jogadores que marcaram, ao todo, 58 dos 94 gols da equipe em 2025. A bola não deixa de entrar por acaso; o futebol, às vezes, é mais simples do que parece. Não existe lado positivo referente à saída de Philippe Coutinho. Mesmo que daqui para frente exista uma melhora de performance e resultado do time, não será pela ausência de seu camisa 10, mas sim apesar dela.

SV.


메타데이터
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