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Juras de amores (não) dissolvidos

Hoje sonhei com você.

sirius · 2024-11-29 07:01 · 100 claps · 3.5 min read
#sonhos #amor-romantico #geni-nunez
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Juras de amores (não) dissolvidos

Hoje sonhei com você.

Nesse sonho a distância não se fazia presente, tal como nossa história se faz neste presente.

Acordei com tanta saudade que nem sabia o que fazer exatamente com isso. Nessa salada de saudosos sentimentos havia felicidade, honestidade, desejo, tranquilidade e tristeza.

Algumas das vozes que habitam a minha mente disseram para que eu mandasse uma mensagem puxando papo pra saber como estão as coisas, sem pretenção de falar sobre o sonho, mas sim saber como anda a vida.

Outras já levantaram a possibilidade de, além desse papo arroz com feijão, compartilhar esses detalhes dos sonhos e cada sentimento que seguia em anexo por entre seus trechos, pois ambos sabemos que os sonhos é uma das nossas pautas favoritas de trocar ideia – pelo menos eu amo falar sobre os sonhos e refletir sobre as suas estranhezas simbólicas.

Umas terceiras disseram que nem vale a pena, pois, de que adianta conversar se o nosso encontro não se fará possivelmente tangível por esses dias ou na próxima semana.

gatinho bonitinho que achei no Pinterest um dia desses

gatinho bonitinho que achei no Pinterest um dia desses

Eu e o safado do amor romântico

Esse não foi o primeiro sonho que tive contigo, e também não posso garantir que será o último. Apenas sigo deixando que essas pérolas do meu inconsciente me atravesse pela dissonância da minha consciência e que a minha capacidade analítica traduza meus próprios significados – ou caiam no esquecimento.

Eu sei que vou te reencontrar, por linhas sociais que foram tecidas por desconhecidos motivos cósmicos e decisórios da nossa vida que nunca chegaremos a uma explicação unilateral, encontrando, sim, algumas estimas e testes de hipóteses nulas e alternativas onde apenas nosso imaginário pode alcançar.

Claro, nesse futuro (quase) presente é o que eu digo com certeza, mesmo me sentindo incerto por algumas das vezes.

O que eu sei, não pela razão, é que esse laço se embasa no domínio do que significa família pra mim, aquela que escolhi e escolho (quando consigo) cultivar. A construção não é diária, mas ainda sim construímos, sem contratos ou acordos explícitos. Isso, essa sazonalidade dos relacionamentos, com certeza diz muito sobre muitas coisas que ainda não me cabe listar.

“Quem amamos importa, mas é menos importante do que nossa capacidade de criar vínculo.” – Geni Núñez;

E, apesar de não poder te prometer as coisas e as não-coisas também, farei de tudo pra retornar e dar manutenção, nesse ambiente de aconchego, livre, de compromisso, firmado pelo papo reto, sem filtro, porém com zelo aos sentimentos e passados do outro.

Hoje, depois de muito tomar no cuw, já sei quando devo me retirar dos relacionamentos, por alguns dias, alguns meses, alguns ou vários e muitos resto de anos que terei em minha vida. Tudo vai depender de quem for.

“Esse encanto é tão maior que o amor romântico, ele fica conosco, como a beleza da jaboticaba “arrasta nosso olhar como um ímã”, ou quando entendemos que “só de ouvir o vento já vale a pena ter nascido”. É nessa capacidade que está a magia, é aí que a nossa atenção deve estar.” – Geni Núñez

Sazonalidades emocionais, suas dores e delícias.

Quiçá algum dia meu subconsciente esqueça, ao menos um pouco, a sua existência, com a egocêntrica intenção de me poupar dessa tal distância que tanto se sabe mas que pouco se vê.

“Ser amado em sua singularidade é diferente de ser amado na promessa de exclusividade.” – Geni Núñez

“O golpe tá aí…”: O amor romântico e suas armadilhas narcísicas.

Photo by Anita Austvika on Unsplash

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Se bem que a distância ela me aproxima…

… mais de mim. Se esse amor líquido reside por perto, 3 meses me reservo para as paixões que me pulsionam à vida, e mais 3 meses descubro o que de fato é dividir e evoluir a rotina à dois.

É colossal o tanto que cresço quando amo diariamente. Me entrego em dengos e momentos tão preciosos com meu amor que relembro o poder que é saborear a vida por instâncias, que não por inteiros, como se definem nos clichês românticos que tanto “aprendemos a gostar”.

Hoje, desgostoso do amor romântico aplicado à utopia capitalista, filtro aquilo que me permite voar e viver. Há tempos que não te converso mais de longe por motivos subentendidos. Acontece. Não te amarei menos por isso.

Não posso prometer um amor eterno, pois a eternidade demanda tempo, e tempo, um conceito socialmente desenvolvido para que a burocracia pudesse tomar forma, faz parecer que as promessas podem ser as juras de um amor (não) dissolvido.

Uma vez preso a um sistema de tal articulação, só posso te prometer aquilo que permeia ente o meu – e no nosso – instante. Se tenho a coragem para agir por entre as brechas que me entrega (ou não) durante esses espaços de tempo, sou feliz pela tentativa.

Existem, ainda sim, as linhas imaginárias de um romântico, e não tão velho otimista, que, independente do espaço-tempo, torce pelo conforto e a pureza de nossa essência sazonal.

12/11/24


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