Recarregável Energia Humana
O Presente, em nosso idioma, o português, tem algumas denotações, dentre as quais, algo que é dado a alguém e o que vemos à nossa frente em…
Recarregável Energia Humana
O Presente, em nosso idioma, o português, tem algumas denotações, dentre as quais, algo que é dado a alguém e o que vemos à nossa frente em determinada fração de tempo. O presente depende de um referencial.
Hoje vivemos no triunfo do egoísmo da nossa civilização humana. Espelhos/telas mágicas se apresentam à nossa frente diariamente, nos patrocinam e nos projetam às soluções ou aquisições (acaso, no presente, são diferentes?) das melhores versões projetáveis na nossa contemporaneidade.
A Máquina Produtiva do Dragão cospe contêineres transladados por transportes à combustão, tais quais no auge da Revolução Industrial, mas, no agora, trazem a solução à maior castração do indivíduo formado e consumidor da nossa doce sociedade de consumo: baterias de lítio são o novo presente, agora sim, no sentido de dádiva ao nosso presente humano.
Como sempre, a história se repete: antes, “presentes de grego”; hoje, dos chineses. Dessa forma, nós, uma vez mais subúrbio do mundo, ou agora será dos mundos? Temos no nosso presente o passado deles.
Patinetes elétricos, bicicletas elétricas, tuk-tuks para entregas “verdes e sustentáveis”, automóveis que prometem o ápice do gozo da prometida liberdade: se recarregam, lhe tiram a culpa verde e ainda por cima são mais econômicos. O que pode dar errado?
Em maior ou menor grau, nós, do chamado “sul global”, colecionamos o choque em nossas insuportáveis, barulhentas, violentas megalópoles.
De volta ao Rio, no presente, no epicentro do caos pós-moderno periférico do mundo, me encontro: Copacabana.
Entre Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Atlântica, moradores, diga-se, senhoras idosas em sua maioria, praticantes de exercício físico, turistas, banhistas de todos os lugares possíveis desse mundo, aí chega nosso agridoce presente: autopropelidos. Bicicletas elétricas que carregam famílias inteiras, muitas vezes, encomendas, executivos apressados, mães e pais angustiados levando suas crias para educar-se, disputam cada centímetro de onde a vida se choca em sua máxima expressão: as calçadas portuguesas, esburacadas, deformes, onduladas, ora pedrinhas, ora cimentadas. Ali, o estresse entre o medo estampado nos rostos de pedestres que seguram suas telas/espelhos mágicos, como se fossem ratinhos urbanos assustados em perder o queijo, o troféu do nosso consumo, coincidentemente, assim como este laptop em que escrevo esse relato, também carregado por baterias de lítio.
Ali na calçada, os medos, desejos, consumos, nas lojas e entre vendedores ambulantes se revelam; o choque físico, a violência verbal, a tornozeleira eletrônica, os olhares cordiais, os semblantes cansados, as luzes de LED coloridas e vibrantes que fazem os pequeninos chorarem de desejo a seus progenitores, as notificações de aplicativos de entrega, as buzinas de seres ansiosos por seu futuro, presos no presente, no arriscado e perene ato de estar presente, caminhando em uma calçada sul-americana.
Presentado todo o cenário de guerra, trago a paz. Apesar de todos os incríveis presentes, choques humanos impulsionados pelo lítio do nosso tempo, algo: o presente é explicado pelo passado e nos dá esperança de futuro; o amor que nos impulsiona a seguir nesse doce e amargo campo minado que se apresenta como nossa existência.
Ele uniu nossos antepassados e tantos outros que se chocam em nossa rotina, nos orienta e deve ser a verdadeira energia que nos conduz e nos faz seres humanos do presente.
Filipe Nogueira, presente

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