“Gatunos” — um poema de Gianlucca de Oliveira
Coluna Cajueiro
“Gatunos” — um poema de Gianlucca de Oliveira (Coluna Cajueiro)

Imagem: “A ronda noturna” — Rembrandt, 1642
GATUNOS
Que estás fazendo aqui fora
A esta hora da noite?
Não vês que sobre o mundo foi jogada
A mais vil capa de medo e horror
E encontra-se agora o globo todo
Em profundo medo absorto
Em suas casas desde o alvorecer
Até que, por fim faça o crepúsculo o Sol desaparecer?
Bem, bem; já que estás aqui comigo
Suponho que sejas tão vadio quanto eu;
Afinal, és meu amigo,
Mesmo assim, a correr perigo, crês mais na alegria
Daquelas torrentes de energia que transcorrem todo o corpo
Quando, com um movimento lépido, roubamos tudo
O que quisermos, desde a mais rica dondoca até o
Salário escondido resolutamente na mais pobre alcova.
Afinal, a única coisa que realmente é democrática
Neste mundo é o roubo. Assaltar uma pessoa é uma arte,
com tantos requintes como a pintura e
Tantos pormenores como uma música.
Junto a tantos outros, compomos a sinfonia da noite.
Venha, amigo velho, o mundo inteiro está parado;
Vamos roubá-lo enquanto dorme.
Gianlucca de Oliveira mora no Ceará. Bibliófilo convicto, além de sazonalmente escrever contos, pequenos poemas e crônicas, também possui grande interesse em teatro, cinema, crítica literária e ensaísmo.
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