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Catástrofe climática e social: Por que a vida segue normalmente?

A menos que não se esteja minimamente atento ao que ocorre em grande parte da extensão territorial do país, a todos os cidadãos, residentes…

Alan Santana · 2024-10-21 18:25 · 1 claps · 4.0 min read
#nacionalismo #natureza #subdesenvolvimento #catástrofe #brasil
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Catástrofe climática e social: Por que a vida segue normalmente?

Ilustração de cartaz de campanha da Liga de Defesa Nacional — Diretório Rio Grande do Sul, de autoria de  Nelson Boeira Faedrich (Reprodução: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa/RS)

Ilustração de cartaz de campanha da Liga de Defesa Nacional — Diretório Rio Grande do Sul, de autoria de Nelson Boeira Faedrich (Reprodução: Museu da Comunicação Hipólito José da Costa/RS)

A menos que não se esteja minimamente atento ao que ocorre em grande parte da extensão territorial do país, a todos os cidadãos, residentes e turistas é sabido que um cataclismo natural está em curso no Brasil. Sufocam o país queimadas de extensão ainda incalculável, que deixarão mazelas profundas nos próximos capítulos da dramática história da natureza brasileira, tão almejada por interesses externos, e sequelas na saúde do povo, que não se pode reservar o direito de resguardar-se das fumaças tóxicas.

Ainda que este fato em andamento seja de conhecimento geral, o conjunto da sociedade mantém-se como habitualmente; quando muito, indigna-se aqui, reclama acolá, mas ignora as causas do problema, as tarefas a serem feitas e, principalmente, como tomar parte delas, acabando por culpabilizar as vítimas e absolver os responsáveis.

Logicamente, essa fadiga social decorre das circunstâncias nacionais vigentes. Ao brasileiro não lhe é ensinado a orgulhar-se de sua nação, a exaltar os seus valores constitutivos, a proteger inegociavelmente sua natureza; mas repudiá-la, a dispor de uma mentalidade colonial, como se tudo que fosse ruim, por aqui, seja inerente ao país, aliás, “esse é o Brasil, não é?”.

Essa perniciosa forma de pensar a respeito de si mesmo, — pois que quem pensa da nação, pensa, sobretudo, sobre si mesmo, — é fomentada desde há tempos imemoriais, particularmente devido ao fato de que um povo que se despreza a si mesmo, privado de autoestima, não é povo que aspire a grandes mudanças coletivas. No entanto, tais mudanças, maduras que já se encontram, são tanto indispensáveis, quanto determinantes do destino nacional.

Saiba o leitor que poucas ocasiões em política são por acaso, acidentais. A nossa fraqueza é um produto, verdadeiramente hipnótico, elaborado por laboratórios externos para nos mantermos atados ao não-fazer ou, o que é pior: — ao fazer pautado pelos interesses alheios, que não são os nossos, a condenarmos uns aos outros, a dividirmo-nos em categorias inaplicáveis a nossa realidade, a repudiar “o povo”, “o Brasil, que é isso aí mesmo”, e outros chavões ditos por cada um de nós, em algum momento de nossas vidas, que só fazem termos repulsa por nossa nacionalidade e, assim, destituídos de coesão nacional, desejarmos, quem sabe, prosseguir nossas vidas no exterior, “onde as coisas funcionam”.

Para esse cenário é que se está caminhando o Brasil, mas menos por interesse intercambial, e mais por constituirmos, em pouco mais de uma década, um país de refugiados climáticos.

Ora, as coisas aqui são programadas para não funcionar, ou, em outros termos, para funcionar como nossos senhores querem; ademais, a opinião simplória, tolhendo a si mesma o processo de compreensão do fato porque infectada do veneno das ideias dominantes, atribui aos eventos climáticos uma inevitabilidade, algo que se está realizando por ação abstrata “do homem”, da “natureza em revolta” ou quaisquer equívocos congêneres na explicação da causa de males sociais cujo conteúdo, a seu ver, nunca pode ser político.

Para entendermos o fenômeno das queimadas em curso no país, é antes necessário pensarmos em dois termos fundamentais: a) quem teria interesse em fazê-lo, visando expandir sua área de exploração da terra; e b) quem teria condições de fazê-lo.

A resposta está, ao que nos consta, nas grandes sucursais da exploração estrangeira do solo, dos minérios e da riqueza natural nacional, da qual se locupletam há séculos.

Como país semicolonial, padece o Brasil como antinação, uma vez que, assenhorados do poder político, sustentáculos internos do poder externo dominante preservam relações pré-capitalistas no campo, exportam matéria-prima e, ao promover a maximização de lucros monopolistas, conservam o subdesenvolvimento interno, vinculando, consequentemente, a inconclusão da questão agrária à causa primordialmente nacional.

Evidentemente, as doses hipnóticas do sonífero ideológico antinacional, fortemente inebriante, do qual somos feitos dependentes químicos e sociais e, por consequência, impede-nos de ver estes interesses subjacentes aos fatos, só poderia consumar-se em contexto interno de caos social.

Descontentamento das massas pela velha política, em que se alteram os engravatados, mas não o decomposto sistema político; crises econômicas, desemprego, ruína dos direitos sociais, carestia, miséria e rebaixamento geral das condições sociais; ruína ambiental em curso; atmosfera de caos e divisionismo social; coachings e influencers ensinando “modos de vida” individualistas, despolitizantes e medíocres; “polarização” fictícia entre bolsonaristas e petistas, quando não há, nem poderá haver, mudanças efetivas com nenhum dos dois mandatários, ambos a serviço dos anseios internacionais; falência da cultura e da memória nacionais; divisão do povo em pautas secundárias, — importantes, é verdade, como as raciais, de gênero etc., — mas que só podem avançar seguramente quando submetidas a um projeto nacional soberano, e não quando tuteladas pelos desígnios das fundações estrangeiras e da grande mídia, que as absorvem e retiram sua radicalidade, quiçá porque, por si sós, sejam incapazes de alterar a estrutura que sustenta o poderio daquelas.

Nestas circunstâncias dantescas, em que a esmagadora maioria precisa se ater ao trabalho e à manutenção de suas vidas, poucos são os indivíduos que gozam de ânimo para apontar as raízes do atraso e dos infortúnios dele decorrentes e, sendo poucos, são baixas as suas vozes, ainda que elevadas sejam as suas intenções.

A vida social, dessa maneira, segue, normalmente, a sua marcha incoercível, tornando-nos cada vez mais habituados, e menos amedrontados, do “apocalipse”, e, por conseguinte, mais resignados e submissos, fazendo dele uma miragem contemplativa, até que sejamos por seus impactos alcançados.

Essa reflexão, no entanto, traz luz ao fato de que, se por um lado, aprofundam-se as crises sociais e naturais, por outro, intensifica-se, inevitavelmente, o processo de amadurecimento da consciência nacional.

O período delicado por que atravessa o país, por mais árduo que seja, prepara o nacionalismo para a sua restauração, que deverá, necessariamente, de inspirar o povo brasileiro a expulsar de sua pátria toda a canalha patrocinada para gerenciar o imperialismo, — termo atualíssimo para compreendermos nossos problemas sociais, — e fincar nossa bandeira sobre esse solo que nos pertence, isto é, tornarmo-nos, de direito e de fato, independentes e soberanos.


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