Arte nunca vem da felicidade…
Só quem ousa mexer com isso, sabe.
Arte nunca vem da felicidade…

Só quem ousa mexer com isso, sabe.
O que é leve não deixa rastro; o que é pleno não precisa ser dito; e, o que é feliz raramente é interessante.
A criação não nasce do conforto, ela foge dele. O que se cria vem do que falta, do que é falho, do que fere. A beleza, quando verdadeira, é sempre uma cicatriz bem curada.
Só quem ousa mexer com isso entende que o impulso criativo não é celebração. É resposta. À perda, ao silêncio, à ausência de sentido…
Sabe que a felicidade é um fim. A criação, um meio. E ninguém começa uma obra porque está satisfeito. Sabe que o tempo não cura nada, apenas troca a moldura. E que a memória só visita quem não a chama. Sabe que o artista de verdade não teme o erro. Muito pelo contrário, ele o cultiva como uma idéia que ninguém mais entende.
Só quem já se perdeu dentro de si sabe o que é encontrar beleza no que não se mostra. Sim, porque há uma elegância em não dizer tudo. Em deixar que o vazio complete o sentido. Em permitir quem quer que seja descobrir sozinho o que nunca foi revelado.
Só quem ousa mexer com isso sabe que o que se cria não é para agradar. É para sobreviver… E que o mais sofisticado dos gestos é transformar ruína em linguagem.
No fim, o que resta não é a obra. É o abismo que ela revela… E só quem ousa mexer com isso… sabe…
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