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05 aprendizados ao migrar de contribuidor individual para liderança

Por Laisa Carvalho, Group Product Manager no Grupo Boticário.

Mulheres de Produto in tecnologia no Grupo Boticário · 2026-02-24 18:59 · 0 claps · 8.1 min read
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05 aprendizados ao migrar de contribuidor individual para liderança

#PraGeralVer: Retrato de Laísa Carvalho, mulher de cabelo castanho e óculos, sorrindo. Ela veste um blazer vermelho. À esquerda, texto branco em fundo azul: “05 aprendizados ao migrar de contribuidor individual para liderança Laísa Carvalho”, com logotipos do Grupo Boticário e Mulheres de Produto.

#PraGeralVer: Retrato de Laísa Carvalho, mulher de cabelo castanho e óculos, sorrindo. Ela veste um blazer vermelho. À esquerda, texto branco em fundo azul: “05 aprendizados ao migrar de contribuidor individual para liderança Laísa Carvalho”, com logotipos do Grupo Boticário e Mulheres de Produto.

Por Laisa Carvalho, Group Product Manager no Grupo Boticário.

Em 2023, fiz uma transição intencional de contribuidor individual, ou seja, profissional que não exerce cargo de liderança, que neste caso era uma Principal Product Manager, para um cargo formal de líder como GPM (Group Product Manager). Ao longo dessa jornada, vivi muitos desafios, alegrias, tristezas mas, principalmente, aprendizados.

Neste artigo, vou compartilhar com você alguns aprendizados que eu gostaria de ter lido antes de migrar do cargo de especialista para o de gestão. Vamos lá?

1. Autoconhecimento é a chave para o todo restante

Demorei alguns anos para consolidar internamente a relativa estabilidade emocional para tomar a decisão de migrar para a liderança. A vontade veio após quase 20 anos como contribuidora individual, na sequência de um processo de luto familiar e ao retornar de um longo período fora do Brasil, no qual uma autoavaliação trouxe certa tranquilidade para a decisão.

Sim, este processo é sobre gestão inteligente das emoções e também sobre o seu momento de vida. É extremamente importante se autoavaliar antes para decidir se isso vai tornar você alguém melhor ou se trará uma carga emocional que talvez não esteja preparada para lidar.

No meu caso, usei o diário reflexivo por muito tempo com a minha terapeuta, e na escala de autoavaliação temporal, a decisão levou algum tempo. Porém, você pode buscar um profissional e usar métodos psicológicos de autoavaliação focados em autoconhecimento, competências de gestão, perfil comportamental e inteligência emocional.

A liderança exige habilidades emocionais, por exemplo:

  • Manter o equilíbrio entre gestão de pessoas;
  • Fazer valer a execução da visão tática/estratégica;
  • Realizar leitura de cenários; Influenciar áreas;
  • Mudar dentro do timing necessário (adaptabilidade);
  • Gerir seu próprio tempo;
  • Muito alinhamento de expectativas o tempo todo.

Costumo dizer que é uma “relação sanduíche”, na qual o líder será pressionado com prioridades acima (de suas lideranças mais sêniores) e abaixo (das pessoas e times sob sua liderança).

Imagine fazer uma transição importante superando um luto, imediatamente após ter um filho ou qualquer outra situação em que seja necessário um investimento emocional alto na vida pessoal. O mundo já está difícil o suficiente e é importante se autoavaliar e medir o quanto você está disposta e disponível para lidar com essa carga, além de gostar de lidar com pessoas, é preciso uma empresa que lhe dê essa oportunidade também.

Observação: Nem todos os lutos são iguais, nem toda maternidade tem as mesmas questões (há líderes mães excelentes) e nem todos têm o privilégio de passar um período fora do Brasil se conhecendo melhor. Os exemplos aqui são cases e os fatores que avaliei para metrificar a minha saúde emocional na tomada de decisão.

2. Saindo do operacional para assumir outro lugar

Se você, assim como eu, tem uma trajetória de anos atuando como contribuidora individual, sendo PM (Product Manager) possivelmente rodou inúmeras vezes com diversas metodologias diferentes o Flywheel 4D (discovery, definition, design, delivery), que nada mais é que: Investigar e definir bem o problema a ser resolvido, projetar uma solução e entregar e medir resultados. Possivelmente passou por desafios em diversas empresas com níveis de maturidade de negócios diferentes e ciclos de vida de produtos diferentes. Na prática, subentende-se que você gosta da execução.

E deixar de executar pode ser desafiador, pois muitas vezes nessa nova posição você vai liderar pessoas em diversos níveis de maturidade profissional diferentes e vai precisar aprender a dar autonomia a elas.

Parece natural, mas fica latente a percepção de que pessoas são diversas entre si e por isso, performam em velocidades diferentes. Portanto, nem sempre terão entregas tão rápidas quanto se você mesma fizesse a atividade. Isso pode ser angustiante no começo, mas em algum momento esse sentimento vai diminuindo.

Com o tempo, lidamos melhor com isso e entendemos que não é sobre fazer, mas sim esclarecer o caminho e deixar que descubram seus próprios modos de fazer e direções profissionais enquanto performam nos objetivos corporativos.

Dá uma sensação de impotência muito grande no começo, mas as pressões logo nos levam a um lugar muito desconfortável de crescimento. Essa posição também permite estimular a habilidade de olhar pro alvo e aprender a desdobrar objetivos de várias formas diferentes para cada perfil de liderado — até encontrar o “nosso próprio jeito de liderar” e alcançar metas.

3. Buscar referências — e nem sempre encontrar

Empresas são organismos vivos compostos de pessoas que, por sua vez, têm culturas e subculturas. Na prática, significa que toda empresa tem o seu jeito de ser e fazer as coisas.

Um ponto muito importante é observar as pessoas em busca de padrões comportamentais, isso ajuda a se relacionar melhor com elas no dia a dia.

Para além da cultura empresarial que prevê os comportamentos esperados, as pessoas também possuem crenças pessoais sobre o que valorizam e o que desprezam, como abstraem o mundo e onde encontram valor. Considerar estes aspectos ajuda demais na leitura de pessoas e no como lidar com elas.

Mas quando estamos na gestão, olhamos ao redor e buscamos líderes para se espelhar, principalmente as que têm mais tempo na gestão.

Essa observação externa é muito importante em 03 aspectos de aprendizado:

  1. Estabelecer os comportamentos da líder que desejo ser;
  2. Definir limites comportamentais da líder que não desejo ser;
  3. Começar a escrever o próprio caminho/jornada pessoal.

Por mais que leia livros e teorias (alguns exemplos lidos):

  • Empatia Assertiva (Kim Scott);
  • Radical Candor (Kim Scott);
  • Liderança de Produtos Digitais (Joca Torres);

Estes livros versam sobre melhores práticas comportamentais e técnicas para lidar com pessoas, mas em algum momento você vai precisar definir:

Comportamentos de líder que desejo ser: Em algum momento a chave mental vai virar e começamos a nos autoperceber para além dos espelhos externos ou teorias de livros. Criamos uma “marca pessoal” baseando-se em fortalezas, crenças, conhecimentos e propósitos pessoais e isso vai além das hard skills, que são habilidades técnicas mensuráveis que se adquirem através de formação, treinamento ou experiência, ou das soft skills que são competências comportamentais e interpessoais que definem como uma pessoa interage, se comunica e trabalha com os outros (ou até mesmo Power Skills) livro que versa sobre um conjunto de habilidades treináveis que, conforme é abordado, podem ser desenvolvidas ao longo da vida. Ele oferece um método, incluindo disciplina, organização e a capacidade de dizer “não”. E existe um momento reflexivo em que nasce internamente o nosso próprio estilo de gestão.

Definir limites da líder que não desejo ser: Profissionais que foram contribuidoras individuais por longos anos, tiveram bons e maus exemplos de liderança. Essa é a oportunidade de fazer diferente, fazer melhor e ser a líder que gostaria de ter tido. Não recebeu feedbacks? Dê feedbacks. Não teve conversas difíceis? É uma excelente oportunidade para promovê-las de forma adulta e responsável. Foi desrespeitada? Deixe o telefone de lado e olhe as pessoas nos olhos, mantenha presença em reuniões sem visitar outras telas e apresente-se genuinamente interessada nas pessoas. A postura da líder é muito observada.

Começar a escrever o próprio caminho/jornada pessoal: É muito importante ler livros e ter conhecimento das teorias que embasam melhores práticas de liderança, mas no fim das contas somos gente lidando com gente. E como tal, cada interação é única e confiança é algo construído. Esta construção leva tempo até delimitar as fronteiras de cada um. Por exemplo: Há liderados que performam melhor com mais proximidade e orientação para se sentirem seguros, outros preferem liberdade para atuar e aprendem rápido com seus próprios tropeços. Nosso papel é identificar e entender como maximizar os resultados com estas pessoas/times, mas sem deixar de sermos nós mesmos nas interações.

O que vem depois disso é a melhoria intencional no desdobramento de estratégias em execução/cumprimento de metas. No meu caso decidi carregar alguns valores pessoais nesta “mochila” que posso escrever mais a respeito em outro artigo.

4. A liderança pode ser extremamente solitária

Ninguém nos contou que ser líder pode, muitas vezes, ser uma jornada bem solitária e eu descobri isso na prática.

Só quando ocupei a cadeira é que entendi que há um preço silencioso em ocupar o lugar onde frequentemente será necessário filtrar informações antes de desdobrá-las ao time. Adequar o estratégico para o tático considerando os níveis de senioridade de cada time; considerar questões políticas internas de forma inteligente, administrar os diversos interesses envolvidos e intersecções entre áreas e diretorias. Isso gera um investimento emocional que muitas vezes, só pessoas muito íntimas do seu convívio pessoal saberão, pois será necessário lidar sozinha com tudo isso.

Liderar com coerência é uma das tarefas mais solitárias do século 21. Porque exige dizer “não” ao que dá status, para dizer “sim” ao que dá sentido. Exige reconhecer que o protagonismo que te aplaude hoje pode virar silêncio amanhã. E nem sempre é fácil pagar o preço. Não tem glamour, muitas vezes não há aplausos, mas há sim a responsabilização por trabalhos que não executamos diretamente mas influenciamos e/ou direcionamos.

No meio do caminho, fui descobrindo que podia demonstrar minhas vulnerabilidades e buscar redes de apoio corretas para trocar com quem passava pela mesma fase ou estava à frente, e foi muito valioso. Se você está começando agora ou pretende migrar, não precisa trilhar esta jornada sozinha. Sempre haverá outras mulheres passando por algo parecido com aprendizados para trocar.

Terapia, autoconhecimento e clareza de propósitos ajudam a não desmoronar nem se transformar numa colcha de retalhos que tenta agradar a todos. Toda decisão tem ganhos e perdas… Lidar com isso nem sempre é fácil, mas vale muito a pena para o crescimento pessoal e profissional.

5. Decidir ser a mudança que você quer ver no mercado

Uma pesquisa recente lançada no dia 9 de junho, realizada pelo Instituto Talenses Group em parceria com o Núcleo de Estudos de Gênero do Insper aqui, demonstrou numa amostra de 310 empresas (coletada em 2024), que 224 companhias têm presidência formalizada e apenas 39 são lideradas por mulheres, representando 17,4% do total.

Os dados comprovam que a agenda de gênero e raça não é assunto superado, segundo a professora Ana Diniz, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero. Cerca de 90% das presidências, tanto femininas quanto masculinas, são ocupadas por pessoas brancas.

Nas 61 empresas com conselhos de administração ativos, apenas 17,1% das cadeiras são ocupadas por mulheres. Em 57,4% desses conselhos, não há nenhuma mulher entre os membros.

Há três anos o Grupo Boticário atingiu o marco de 56% de mulheres ocupando cargos de liderança. Na empresa, as mulheres representam mais de 60% do quadro total de colaboradores e 70% da equipe de Pesquisa, Desenvolvimento e Qualidade, composta por cientistas que lideram avanços importantes no setor de beleza. Leia mais em: https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/06/lideranca-feminina-avanca-no-brasil-e-redefine-sucesso-de-empresas/

O ponto que desejo colocar aqui é trazer à consciência que há um longo caminho a ser construído por nós. Levantar isso no dia a dia, mesmo com pequenas ações diárias é de suma importância: seja contribuindo intencionalmente para ambientes mais diversos e criativos; seja desenvolvendo pessoas por propósito; seja promovendo um ambiente mais leve para o alcance das metas; seja servindo de rede de apoio às pessoas novas. Escolha lugares como o GB que apoiam a diversidade e buscam melhorar este cenário intencionalmente.

Sabemos que a posição de liderança é importante e desafiadora, mas não é o único sinônimo de sucesso. Muitas mulheres ocupam outras funções por diferentes razões, e o essencial é que essa escolha seja feita com liberdade, sem barreiras visíveis ou invisíveis que limitem o crescimento profissional.

Sei que o mercado é difícil e decidir agir intencionalmente para alcançar alguns propósitos pessoais por meio dos profissionais traz uma alegria danada.

O ambiente corporativo de fato não é fácil e lidar com pessoas também não, as tecnologias mudam o tempo todo e precisamos nos adaptar e aprender rápido, mas quando entendemos finalmente como ser ponte e atuar com propósito buscando apoio, a jornada fica muito mais prazerosa!

Espero que tenham gostado da leitura, pois eu amei escrever e conte pra gente quais são seus desafios na jornada de liderança!

📚 Este artigo faz parte da série especial sobre product management, parceria entre o Grupo Boticário e comunidade Mulheres de Produto.

Leia também estes textos:

  1. Mariana Oliveira: Plataforma como portfólio: uma visão estratégica para impulsionar o uso de dados no Grupo Boticário
  2. Eduarda Pinheiro: Mais do que entregar: como conectar produto à estratégia da empresa
  3. Laisa Carvalho: Liderança intencional: 5 pilares essenciais para começar já!

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