Testando
Começo este texto improvisando sem saber muito bem onde minha próxima frase vai terminar — já seria uma vidência das grandes pois nem mesmo…
Testando

Começo este texto improvisando sem saber muito bem onde minha próxima frase vai terminar — já seria uma vidência das grandes pois nem mesmo eu pensei na próxima palavra.
Anêmona. Escafandro. Cumbuca. Perdigoto.
Qualquer outra palavra poderia ter respingado do meu inconsciente para o meu dedo ali acima. Me vieram essas.
Se não sei muito bem o destino da próxima frase ou o motivo dela nascer sigo associando pensamentos em forma de tinta digital.
Por muitas vezes escutei “André, você tem que publicar o que você escreve”. Sempre me freei, e um dos motivos talvez seja porque — principalmente hoje — vejo muitas pessoas escrevendo necessariamente para publicar. A escrita não nasce assim em mim.
Primeiro eu penso. Aí depois eu penso mais. Aí eu começo a refletir. Troco com meus amigos, familiares, com minhas personas, deixo meus pensamentos curtirem ao sol, aos bares, e só aí quem sabe eu tenho o ímpeto de pensar “acho que dá pra botar no papel”. E daí pra publicar são outros quinhentos e noventa e nove. Eu não aprendi a escrever para publicar. Eu sinto. Eu escrevo. E depois eu posso publicar.
Por quê isso? Talvez porque a escrita, pra mim, seja uma das melhores formas de expressão humana (tanto quanto o gesto, a fala ou o suspiro coletivo quando a bola passa perto da trave) e, como uma expressão, ela primeiro precisa vir à vida para depois — aí sim - decidir o que fazer.
Olha que curioso: reparei que a música que está tocando enquanto escrevo neste momento se chama “Que tal o impossível?” do Itamar Assumpção.
Ter a “coragem” (boto em aspas porque não sei se é essa a palavra) de expor meus escritos sempre me pareceu impossível. Na verdade — entre outros desafios internos — nunca fui muito fã de acreditar na validade das minhas opiniões quando expostas para além de alguns metros quadrados dentro do conforto dos meus ciclos sociais.
Mas, que tal o impossível?
Estou pensando aqui que posso começar a utilizar este canal para expor: os trocadilhos que penso; as crônicas e críticas ao futebol e esportes (assunto que tanto amo e tanto me desgasta); meus ensaios poéticos sobre a vida; os textos que escrevi e escrevo quando vou em oficinas de escrita e afins; contos que já escrevi e nunca nem revisitei; e muitas outras coisas.
Alguns mais preocupados dirão “você tem que definir um estilo de escrita porque não dá pra escrever sobre pássaro, política, poesia romântica, futebol e sobre o quanto você gosta de metáforas ao mesmo tempo”. Bicho, calma aí. Eu não quero ter um estilo de escrita. Eu quero deixar que todos coexistam num caldeirão de pensamentos mesmo. Estilo andré. Primeiro eu vou escrever. Depois a escrita decide o que fazer da vida. Lembra?
Agora estou lembrando das primeiras palavras que me saltaram às unhas no início do texto: anêmona, escafandro, cumbuca, perdigoto.
Talvez não signifiquem nada, talvez fosse o inconsciente brincando. Eu tendo a ser cético. Não acredito em destino ou coisa do tipo (ao menos que a opção de acreditar nele em dado assunto seja mais engraçada ou sedutora). Mas, ao mesmo tempo gosto de brincar de achar significados e criar narrativas (não é pra isso que a gente vive?).
Vou me equipar com um escafandro para mergulhar nos meus achismos que ficam — por vezes — ali dentro de uma anêmona de sentimentos, jogar todos eles numa cumbuca só, mexer sem muita pretensão até que um ou outro saia como um perdigoto na tela.
É isso.
Tá na hora de cuspir.
Rio de Janeiro, 21/05/2026
Se você gostou do texto dê uma olhada nos meus outros escritos :)
메타데이터
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