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Tirem As Construções Da Minha Praia

Esta é a R1, uma das 4 residências estudantis da UFBA. Fica localizada no Corredor da Vitória, bairro nobre da capital baiana que possui um…

Jonas Coutinho G. · 2024-12-17 13:24 · 21 claps · 3.0 min read
#jornalismo #salvador #bahia #assistência-estudantil #ufba
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Tirem As Construções Da Minha Praia

Uma decoração irônica na fachada da R1, feita pelos moradores do local em protesto.

Uma decoração irônica na fachada da R1, feita pelos moradores do local em protesto.

Imagens minhas tiradas em novembro de 2023 na R1, Corredor da Vitória, Salvador — BA.

Imagens minhas tiradas em novembro de 2023 na R1, Corredor da Vitória, Salvador — BA.

Esta é a R1, uma das 4 residências estudantis da UFBA. Fica localizada no Corredor da Vitória, bairro nobre da capital baiana que possui um dos metros quadrados mais caros da região. Assim como boa parte dos equipamentos da UFBA, a R1 têm problemas estruturais sérios, trata-se de um casarão centenário que chegou a ser tombado pelo agora reeleito prefeito Bruno Reis (União Brasil), porém o mesmo revogou o tombamento apenas 3 dias depois como relata a matéria do G1. https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/08/20/prefeito-de-salvador-decreta-tombamento-de-predio-da-ufba-no-bairro-da-vitoria-mas-revoga-medida-tres-dias-depois.ghtml

A notícia é de 2021. A mesma diz “Segundo a Prefeitura de Salvador, o ato foi desfeito por entender que, como o imóvel trata-se de um patrimônio federal, a decisão sobre esta iniciativa cabe à União”.

“A UFBA considera que a prefeitura revogou o decreto sem apresentar uma justificativa e desconsiderou a atuação do Conselho Consultivo de Patrimônio Cultural, pertencente à Fundação Gregório de Mattos, ente da administração municipal, que aprovou o parecer técnico favorável ao tombamento.”

Três anos se passaram desde o então tombamento e destombamento, na primeira semana de dezembro fui convidado à participar de uma pesquisa sobre um projeto. O dito projeto falava sobre a reforma da R1 e transformação do espaço em um Memorial, gerido pela UFBA. Haveria uma construção de um prédio moderno nas imediações do Canela para realocar os estudantes que hoje vivem na R1. O tal prédio teria 16 andares, 90 apartamentos, academia e restaurante. Em contrapartida, um terreno por trás da R1, de frente para o mar, seria doado pela UFBA para uma empresa do setor de construção civil que possui um projeto imobiliário.

Ou seja, a ideia é que a R1 vai deixar de existir, os pobres vão ser expulsos do bairro nobre. Os burgueses vão subir condomínio de luxo para os barões e a comunidade da UFBA ficaria com o prêmio de consolação, uma nova residência que custaria uma mísera parcela dos lucros do tal dito empreendimento imobiliário.

Imagem de parte da Antiga R3, no Vale do Canela, Salvador — BA.

Imagem de parte da Antiga R3, no Vale do Canela, Salvador — BA.

Vale ressaltar que há pelo menos 15 anos um dos prédios que compõe o patrimônio das residências universitárias da UFBA, o casarão do Canela, ou a antiga R3; a residência feminina, está abandonada e entregue aos cupins e ao mofo. O prédio é centenário, já foi sede da Escola de Dança da UFBA, que possui também um projeto para transformação do espaço para realocação do Memorial da Escola de Dança da UFBA. O prédio foi parcialmente ocupado por estudantes e membros dos grupos Movimento de Mulheres Olga Benário e Movimento Correnteza no ano passado, porém a ocupação foi encerrada após mais de 4 meses sem que os alunos conseguissem um acordo com a Reitoria da UFBA.

Um dos objetivo da ocupação é denunciar a falta de política de permanência estudantil para mães estudantes (Foto: Isabella Tanajura / Jornal A Verdade)

Um dos objetivo da ocupação é denunciar a falta de política de permanência estudantil para mães estudantes (Foto: Isabella Tanajura / Jornal A Verdade)

Me parece um tanto conveniente que um prédio que poderia ter sido tombado pelo poder público há temos seja cobiçado por empresas do setor imobiliário. Parece que havia sim interesse econômico e político na medida adotada pelo prefeito Bruno Reis, ou então esta é apenas uma grande coincidência.

Aliás, tendo em vista que o projeto da tal imobiliária seja a construção de um prédio moderno nas imediações do Campus do Canela da UFBA, me parece mais do que certo de que o tal terreno seria o da própria antiga R3, que também não é tombado.

Ou seja. Há sim interesse político e econômico de alguns poucos agentes no sucateamento dos equipamentos de assistência estudantil da UFBA. O próprio prédio de Belas Artes, que fica em frente a antiga R3, também foi alvo de especulação imobiliária e por muito pouco não foi demolido ou desapropriado.

É preciso que a comunidade da UFBA fique atenta e mobilizada para enfrentar esta ameaça existencial.


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