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Caruaru. Deus. Amor. Memento Mori. (A) ( Parte 1/2)

Longe do salvador.

Mef · 2026-03-04 00:26 · 0 claps · 3.0 min read
#filosofia #poesia #vida
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Wiki topics: CUL · Culture & Media 😂 · Humor & Satire

Caruaru. Deus. Amor. Memento Mori. (A) ( Parte 1/2)

– o seguinte texto aborda temas sensíveis para alguns leitores –

“Um Céu Cinza” (Ilustração e nome do meu livro em andamento)

“Um Céu Cinza” (Ilustração e nome do meu livro em andamento)

— — —

Jesus Cristo virou as suas costas ensanguentadas para mim no mês de fevereiro do ano de MMXXV segundo o calendário gregoriano.

Já fiz muita coisa dentro desta pequena caruaru: Acordei aqui — Comi aqui — sorri aqui — sangrei aqui — estudei aqui — me apaixonei aqui — senti ódio aqui — fui odiado aqui — sou odiado aqui — amei (A)qui — esqueci (A)qui — vomitei aqui — quis morrer aqui — quis viver (A)qui — fui outra pessoa aqui — sou outra pessoa aqui — brinquei aqui — brinco aqui — vi aqui — tentei desver (A)qui — subi aqui — desci aqui — vivo aqui e foi aqui mesmo que eu matei à mim.

Não existe salvação para quem não tem um propósito de vida.

Não existe salvação para quem não tem um propósito de vida.

— M? Você mudou tanto! Quando ainda éramos doces crianças, você tinha um cabelo longo e loiro como os do Rei Davi, seus olhos brilhavam no calor de meio-dia… agora seu cabelo é escuro como uma nuvem nublada, seu rosto não é mais limpo, contém uma barba castanho por fazer e os seus olhos perderam o sol do verão.

  • Disse uma pessoa do passado, por quem eu não mais me lembro o nome.

— Não me ignore, M, isso é rude e machuca, diga à mim as coisas que te aconteceram. Esse é o preço de perder a inocência? Finalmente descobriu os podres da família e os da vida lá fora?

  • Ela continuava sua fala, ansiando por uma resposta, mas continuaria assim, pois essa pessoa não estava realmente conversando comigo. Eu não sei mais como ela está, nem mesmo sei projetar a sua imagem para essa conversa fictícia da mente, não consigo, está no limbo do esquecimento.

— — — —

A cidade vista de um lugar alto sempre me faz observar, cada pessoa passando tem uma história, um objetivo e um desfecho diferente. Gosto da vista que o shopping proporciona, com dois prédios roubando toda a atenção, principalmente pela noite, na qual as janelas se iluminam com duas opções de cores; Azul ou o Laranja e também a completa escuridão (dependendo do quarto). Cada luz é uma pessoa vivendo, com mais vivências para serem contadas, porém, nunca irei descobrir ao menos uma delas.

Passei a perder uma parte da humanidade assim que vi uma moça sendo seguida por um grupo de homens, ela estava com uma feição feliz enquanto caminhava distraída com o seu celular, devia ter tido um ótimo dia (e uma péssima noite se aquele grupo a pegou). Em uma rua vizinha da aquela na qual a jovem estava sendo caçada, havia uma viatura realizando o baculejo em um casal que não aparentava ter relações com o crime, vi tudo no mesmo tempo através da varanda desse shopping.

Nas minhas costas, a direta, havia um casal deitado nas cadeiras que a varanda oferece, tomando um gelado e cremoso sorvete juntos, na minha esquerda um solitário, aproveitando os poucos minutos de intervalo que o trabalho da como uma migalha, já no centro, estava eu, observando uma futura (espero que não tenha sido) tentativa de abuso. O mais revoltante dessa situação era o outdoor do shopping, mostrando uma propaganda com o prefeito R.P (os jornais só falavam da sua viagem em Dubai, que estava fazendo naquele instante) sorridente, enquanto a cidade sofre de cenários assim, só me passou uma palavra pela cabeça: Injustiça

Isso precisa mudar, as várias pessoas que vejo dessa sacada precisa observar o mesmo que eu para poderem reagir contra. Mas será que elas tem o mesmo tempo que eu? Somente eu percebo a injustiça da cidade pois tenho todas as horas do dia para gastar do modo que bem eu entender.

Preciso fazer com que o meu senhor olhe de volta para mim, orgulhoso de ter morrido na cruz por mim. Sinto que sem ele, estou vendo um demônio que não deveria estar ali.


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