Mãe
Quero abrir as cortinas
Mãe

Imagem gerada por AI — Qwen para a prosa lírica Quero abrir as cortinas
Quero abrir as cortinas
O calor está insuportável, mas não me levanto.
Estou escrevendo sobre minha mãe — e não tenho direito a frescor.
Lá fora, sirenes cortam o ar.
Um helicóptero ronda, insistente.
Desconfio de acidente na rodovia.
Talvez alguém esteja morrendo.
Talvez sendo salvo.
Mas eu estou aqui, escutando uma pergunta que não quero responder:
— Que tipo de gente fala mal da própria mãe?
Não consigo decidir: verso ou prosa?
Procuro sinônimos.
Procuro significados.
“Mãe”, no dicionário, tem uma definição clara:
“Mulher que dá à luz ou cria filhos.”
Fácil demais.
O Aurélio nunca teve mãe.
O Houaiss, tampouco.
Se tivessem, teriam escrito:
“Mãe: aquela que, mesmo ausente, preenche o espaço inteiro.”
Ou: “Mãe: presença de ausência.”
Aperto as teclas com a força do aperto no peito.
Inicio um verso.
Apago.
Troco por outro.
Mudo as palavras — e não saio do lugar.
O calor continua.
O helicóptero não para.
Talvez seja meu coração girando lá em cima,
procurando um chão que nunca encontrei.
메타데이터
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