Três Vezes Adeus (2025), de Isabel Coixet
ESTA CRÍTICA TEM SPOILERS
Três Vezes Adeus (2025), de Isabel Coixet
ESTA CRÍTICA TEM SPOILERS

Imagem: assessoria de imprensa
Isabel Coixet é minha velha conhecida. Dela já escrevi a crítica de “Elisa & Marcela”, um filme queer baseado em uma história real. Também não sou desconhecida de Alba Rohrwacher, que aqui no Cine Suffragette já deu as caras no filme da irmã Alice “La Chimera”, além de ter interpretado a Elena madura na série “My Brilliant Friend”. E sabe quando dois mundos convergem? Foi exatamente isso que aconteceu em “Três Vezes Adeus”, filme que fez parte da programação da mais recente edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano.
Filmes sobre se apaixonar existem aos montes. Este é um filme sobre se desapaixonar, condição essencial para que uma mulher madura siga em frente.

Imagem: assessoria de imprensa
Depois de uma discussão numa noite pouco auspiciosa para o casal, Antonio (Elio Germano) pede a Marta (Alba Rohrwacher) para dar um tempo. Ele prontamente sai de casa, deixando a professora de educação física raivosa e frustrada, raiva e frustração que ela canaliza deixando más avaliações no site do restaurante dele.
Para ela, um enjoo constante que poderia soar como sintoma de gravidez acaba sendo algo infinitamente pior.
Para ele, resta a saudade e reviver momentos como o primeiro encontro em conversas com uma jovem colega de trabalho, Silvia (Galatea Bellugi).
Uma conexão inesperada com o K-Pop acontece quando Marta tira literalmente do lixo um totem em tamanho real do ídolo coreano Jiro e o leva para casa para dividir pensamentos, o quarto e até a cama com ela. O totem de papelão acaba se tornando um confidente para Marta. E ela aprende a falar coreano! Sua partida é metaforizada por uma viagem para a Coreia — como, para nosso grande cineasta Héctor Babenco, foi uma viagem para o Japão.

Imagem: assessoria de imprensa
Isabel Coixet, nascida em Barcelona, pôde explorar duas paixões em “Três Vezes Adeus”: a música e a gastronomia. Sobre como elas se imiscuem à trama, Isabel relata:
“Com o desejo de me aproximar daquilo que as novas gerações escutam, dos fenômenos e da iconografia que ajudam a construir suas identidades — neste caso, ídolos específicos do K-pop. No caso da comida, voltamos a destacar os contrastes entre a alta gastronomia e a comida de rua, como mais uma forma de definir as trajetórias de cada personagem”

Isabel atrás das câmeras (Imagem: assessoria de imprensa)
Uma aba narrativa é aberta quando Marta observa duas alunas durante a aula e após tocar o sinal as segue até o banheiro e descobre que elas praticam automutilação. Ela, como todo adulto são ficaria, fica preocupada. En passant, compartilha a situação com Silvia, que havia encontrado por acaso na rua e convidado para tomar um vinho. Silvia diz que também se cortava, porque era uma fonte de adrenalina. Para alguns de nós, é também uma forma de uma dor física ultrapassar o sofrimento emocional em intensidade e assim nos fazer esquecer por alguns momentos.
A Roma pela qual passam os personagens não é a de cartão-postal ou de filmes como “A Princesa e o Plebeu” (1953). Nada de Via Marguta ou de um orifício que castigava mentirosos: é a Roma que se pode acessar e conhecer de bicicleta ou a pé. É a Roma das margens dos rios, das passarelas sobre as vias, das ruas com pichações. Não é a Cidade Histórica favorita dos turistas, é a cidade que pulsa com suas cores e pessoas locais.
Quando a vida está por um fio, a cessação de existência de um pombo traz indignação, compaixão e poesia. Desapaixonar-se pela vida é também um processo, um que acredito ser vital, com o paradoxo da escolha da palavra, para aceitar nosso destino. Para onde vai todo o amor das pessoas que nos estimam quando morremos? Seria o destino desse amor o mesmo para uma simples professora e um ídolo da música? A reposta é exatamente o que o filme nos pede para abraçar: a incerteza.
메타데이터
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