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O Vale das Nascentes

O grande rio serpenteava por entre as majestosas colinas e os incontáveis montes, enquanto o passar de suas aguas enchia de vida ao vale…

Fernando Acioli in Fernandoacioli · 2017-09-21 16:37 · 112 claps · 6.8 min read
#lendas #vale-das-nascentes #amazon-echo #aracy
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O Vale das Nascentes

O grande rio serpenteava por entre as majestosas colinas e os incontáveis montes, enquanto o passar de suas aguas enchia de vida ao vale inteiro, alimentando a exuberância da floresta, num incessante construir e desconstruir de suas margens. O tempo era determinado pelo ir e vir das marés, o solo que se sedimentava ao sobe e desce das aguas, se tornava extremamente fértil, logo o rio ditava a vida dizendo aos que em suas margens habitavam a hora de plantar e a hora de colher. Acreditava-se que o rio não tinha fim, e que a linha marcada no horizonte era o ponto em que suas aguas beijavam aos céus, lugar onde as correntes do rio abasteciam as nuvens para que Polo, o deus dos ventos, pudesse dispensar as chuvas para molhar toda a face da terra.

As aguas do rio Urubuí eram de uma tonalidade negra-avermelhada, por virtude do sangue derramado em seu leito durante os anos em que as guerras, dilaceraram aos corações e ceifava a vida dos homens. Num reinado de angustia, ódio e aflição.

O vale das nascentes e todo o planeta terra haviam nascido do amor de Tupã por Jaci, segundo a lenda o deus supremo, desceu a terra e se pôs sobre um dos enormes montes do vale e de lá ficou a observar Jaci, para chamar a atenção da deusa ele ergueu os montes, os picos, as montanhas e colinas, as ilhas e toda a terra enxuta, mas isso não foi suficiente para atrair os olhares da Lua então ele se pôs a criar os oceanos, desenhou os rios, riachos, lagos e igarapés. Mesmo assim a deusa amada não olhou para ele. Tupã fez florescer as arvores de todas as espécies, por todos os lugares do mundo e ainda assim não obteve a atenção de Jaci. Logo Tupã criou o Sol e, pois, cuidadosamente as estrelas no firmamento. Ao criar a Luz ele obteve não só atenção da deusa, mas conquistou seu coração. Ela desceu sobre uma ilha e de lá criou os animais pois os mamíferos na terra, os peixes nos mares, rios e oceanos, nos céus depositou todas as espécies de pássaros. Tupã encantou-se com tudo que sua amada havia criado e sorrindo colocou os frutos nas arvores para alimentar os animais que ela tinha acabado de criar, coletou com suas próprias mãos uma cesta cheia deles e ofereceu para sua amada. Do amor deles nasceu Tupã-mirim o primeiro ser humano, feito segundo imagem e semelhança dos deuses, portando seus dons e compartilhando do mesmo amor para com seus semelhantes e a natureza.

As extraordinárias colinas, planícies e montes do vale guardavam as marcas do amor entre os deuses supremos, das entranhas da terra brotavam as nascentes que tributavam no grande rio e oceanos ali nasciam as aguas que matavam a sede do mundo, era lá também o lugar onde as estrelas desciam para descansar, transformando-se em pedras preciosas com a coloração de seus feches de luz, umas tonalidades douradas outras avermelhadas, algumas verdes, também violetas ou azuis. Essas pedras que outrora foram estrelas eram sagradas para os que ali habitavam, seus nomes eram dados por Jaci e ninguém ousava tira-las do local em que elas escolheram para descansar.

No princípio uma grande tribo povoava o vale, durante muitos anos eles viveram pacificamente, havia paz e harmonia entre os deuses, os homens e as criaturas encantadas da floresta, até que a discórdia se instalou no ceio da terra, separando os homens dos deuses que buscaram uma nova morada sobre os céus e como punição aos seus ingratos filhos espalharam os maus espíritos e as enfermidades na grande aldeia, assim os humanos conheceram a velhice e a morte. Depois os homens se dividiram por causas próprias e uma sangrenta guerra quase dizimou a vida na terra. Após sofridas e contadas todas as perdas possíveis os velhos caciques selaram um tratado de paz, da tribo original surgiu quatro pequenas aldeias que graças a esse acordo se transformaram em quatro imponentes tribos os ilustres habitantes do vale das nascentes…

ARACY — Princesa da Aurora

Ninguém ainda encontrou palavras fortes o suficiente para descrever Aracy, tão pouco eu sou capaz de tal proeza mesmo assim me coloco no direito de tentar revirando na memória todos os acontecimentos da história recente de nosso lindo vale.

É praticamente impossível esquecer daqueles cabelos, brancos como uma noite de luar, soltos a favor dos ventos. Ela era de uma beleza mística, melhor, Aracy era pura mística, em todo vale não existia uma única mulher com cabelos brancos e olhos prateados talvez em lugar nenhum do mundo existisse alguém como ela. A pele morena de um tom cintilante parecia receber uma camada de tinta todos os dias pelas mãos do próprio Tupã.

Segundo contam os anciões no dia de Aracy, o dia em que ela veio ao mundo o sol e lua podiam ser vistos por todo o globo ao mesmo tempo, reza a lenda que a menina nasceu sem chorar, incapaz de emitir qualquer som, nem ao menos respirava. O que fez toda a tribo clamar por Jaci a deusa Lua e guardiã da noite. Protetora dos amantes e da reprodução. Que se compadeceu da pequena filha de Ceuci e Sumé. Jaci desceu ao vale em todo o seu esplendor pegou a criança no colo e soprou em suas narinas, na medida que os pulmões dela se enchiam com o sopro da deusa, seus cabelos iam ganhando o tom branco e os seus olhos ficaram prateados. No fim a menina emitiu um grito que seus pais juram até hoje ter sido um grito de guerra. O toque da Lua encheu a pequena menina de vida assim como deu a ela a difícil missão de proteger o mundo do terrível Luison, o deus da morte e da escuridão que pretendia roubar toda a luz existente, para ceifar toda cor e vida da terra.

Sumé demorou para compreender que o nascimento de sua filha era a realização de uma antiga profecia: em que uma menina nasceria sem vida, num dia de total escuridão. Seria tocada pela Lua para se tornar uma futura salvação. Ao recordar esse fato batizou sua filha de Aracy e todo o vale a chamou de princesa da aurora.

O peso de uma antiga profecia nos ombros de uma pequena criança era na verdade uma maldição. Aracy foi criada para ser uma grande guerreira, não teve tempo para usufruir de sua infância, pois sua alma estava presa a uma divina missão. Dominou o arco e se tornou a mais habilidosa arqueira da qual tenho notícias, os olhos prateados escondiam uma eximia estrategista que desde cedo foi obrigada a apreender a arte da guerra. Enquanto as outras crianças da tribo desfrutavam do prazer de sua infância. Aracy aprendia a usar laminas, bastões, e artes corporais, apesar de sua leveza era de uma habilidade incomparável nas artes marciais, ela havia desenvolvido seu próprio estilo era suave como um beija flor e mortal como uma onça.

Como eu disse falta palavras em meu vocabulário para descrever Aracy a princesa da aurora vou deixar que sua história fale por mim nos próximos capítulos.Ninguém ainda encontrou palavras fortes o suficiente para descrever Aracy, tão pouco eu sou capaz de tal proeza mesmo assim me coloco no direito de tentar revirando na memória todos os acontecimentos da história recente de nosso lindo vale.

É praticamente impossível esquecer daqueles cabelos, brancos como uma noite de luar, soltos a favor dos ventos. Ela era de uma beleza mística, melhor, Aracy era pura mística, em todo vale não existia uma única mulher com cabelos brancos e olhos prateados talvez em lugar nenhum do mundo existisse alguém como ela. A pele morena de um tom cintilante parecia receber uma camada de tinta todos os dias pelas mãos do próprio Tupã.

Segundo contam os anciões no dia de Aracy, o dia em que ela veio ao mundo o sol e lua podiam ser vistos por todo o globo ao mesmo tempo, reza a lenda que a menina nasceu sem chorar, incapaz de emitir qualquer som, nem ao menos respirava. O que fez toda a tribo clamar por Jaci a deusa Lua e guardiã da noite. Protetora dos amantes e da reprodução. Que se compadeceu da pequena filha de Ceuci e Sumé. Jaci desceu ao vale em todo o seu esplendor pegou a criança no colo e soprou em suas narinas, na medida que os pulmões dela se enchiam com o sopro da deusa, seus cabelos iam ganhando o tom branco e os seus olhos ficaram prateados. No fim a menina emitiu um grito que seus pais juram até hoje ter sido um grito de guerra. O toque da Lua encheu a pequena menina de vida assim como deu a ela a difícil missão de proteger o mundo do terrível Luison, o deus da morte e da escuridão que pretendia roubar toda a luz existente, para ceifar toda cor e vida da terra.

Sumé demorou para compreender que o nascimento de sua filha era a realização de uma antiga profecia: em que uma menina nasceria sem vida, num dia de total escuridão. Seria tocada pela Lua para se tornar uma futura salvação. Ao recordar esse fato batizou sua filha de Aracy e todo o vale a chamou de princesa da aurora.

O peso de uma antiga profecia nos ombros de uma pequena criança era na verdade uma maldição. Aracy foi criada para ser uma grande guerreira, não teve tempo para usufruir de sua infância, pois sua alma estava presa a uma divina missão. Dominou o arco e se tornou a mais habilidosa arqueira da qual tenho notícias, os olhos prateados escondiam uma eximia estrategista que desde cedo foi obrigada a apreender a arte da guerra. Enquanto as outras crianças da tribo desfrutavam do prazer de sua infância. Aracy aprendia a usar laminas, bastões, e artes corporais, apesar de sua leveza era de uma habilidade incomparável nas artes marciais, ela havia desenvolvido seu próprio estilo era suave como um beija flor e mortal como uma onça.

Como eu disse falta palavras em meu vocabulário para descrever Aracy a princesa da aurora vou deixar que sua história fale por mim nos próximos capítulos.

Continua…

Esse texto é o primeiro de uma serie de contos que escrevi sobre o lendário amazônico. Não deixe de aplaudir e acompanhar o restante da serie.


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