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Jesus Histórico e o Espírito de Natal

O fim do ano se aproxima e hoje vivemos o tão simbólico feriado de Natal, a celebração do nascimento do menino Jesus, época do ano em que…

Bi Sampaio · 2021-12-25 22:26 · 0 claps · 5.6 min read
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Jesus Histórico e o Espírito de Natal

O fim do ano se aproxima e hoje vivemos o tão simbólico feriado de Natal, a celebração do nascimento do menino Jesus, época do ano em que reluz o amor e a esperança.

“Jesus pregava benevolência e paciência” — Carta I Clemente

É possível que jamais tenhamos focado, de fato, na relevância histórica por trás da data de 25 de dezembro. Porém, neste Natal, eu escolhi fazer diferente. Elucidar acontecimentos históricos como o nascimento de Jesus, quem foi o homem Jesus de Nazaré, como a ciência explica tais fatos, e até clarificar como os Evangelhos são considerados como fonte histórica, farão estes partes desta simples síntese.

E, para isso, se fez necessária a busca de bibliografias cientificas a respeito da temática intitulada. A primeira fonte, não sei se óbvia, fora a Bíblia e os evangelhos do novo testamento: os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João. Posteriormente, a célebre obra “Jesus Existiu ou Não?”, do autor Bart D. Ehrman, junto de “O Livro das Religiões” de Jostein Gaarder, Victor Hellern, Henry Notaker.

Evangelhos e o nascimento do menino Jesus

Os evangelhos canônicos, os considerados como legítimos do Novo Testamento, são os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João. As versões originais são manuscritos em grego, e advindos de fontes escritas que circulavam na época, bem como, tradições orais, estas possivelmente transmitidas na língua da Palestina, aramaico (a provável língua nativa de Jesus, segundo os estudiosos).

Porém, os manuscritos originais foram perdidos (convenientemente ou não) e apenas versões já traduzidas chegaram aos tempos atuais (convenientemente ou não).

No Evangelho Segundo Mateus, o primeiro livro do novo testamento, o histórico nascimento de Jesus é narrado sobre os tópicos: o nascimento de Jesus Cristo e a visita do magos, seguido dos eventos a fuga para o Egito, a matança dos inocentes e a volta do Egito.

Não somente Mateus escreveu sobre, Lucas descreve os acontecimentos ricos em detalhes históricos. No Evangelho Segundo Lucas, o terceiro livro do novo testamento, narra-se o nascimento de Jesus subdivido em: o nascimento de Jesus Cristo, os anjos e os pastores, a circuncisão de Jesus e a apresentação de Jesus no templo.

“e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria” — Lucas 2:7

Segundo Lucas, foi na cidade de Belém, região geográfica também chamada de Judéia, que Jesus nasceu. José havia partido da cidade de Nazaré na Galiléia, junto de Maria, conforme um decreto do imperador romano César Augusto a fim de que toda a população retornasse a sua terra natal para recensearem-se. José por ser descendente de Davi, retorna a Belém.

Já em Belém, Maria dá à luz a Jesus em uma manjedoura, pois não haviam instalações apropriadas. Anjos e pastores visitam e adoram o menino que acaba de nascer. O link deste Evangelho aos tempos atuais é visto nos presépios natalinos ornamentando as casas e as reproduções em teatros do célebre nascimento.

A história narrada por Mateus diverge em diversos aspectos sobre as raízes de Jesus: o motivo da ida de José para Belém, o porque de Maria parir em uma manjedoura, a visita dos reis magos e até mesmo a fuga para o Egito. As contradições do Novo Testamento. É válido frisar a contradição, pois no Evangelho de Mateus vemos a aparição dos três reis magos guiados pela estrela de Belém, ou seja, diversos símbolos natalinos que fazem parte do Natal ocidental dos dias de hoje junto de acontecimento citados pelo Evangelho de Lucas.

O homem Jesus de Nazaré

Na introdução do professor Bart D. Ehrman, este faz a afirmação “é claro que Jesus existiu. Todos sabem que ele existiu. Não sabem?” a cerca da pergunta se um Jesus humano realmente teria existido, em carne e osso. As fontes reconhecidas pelo Cristianismo apontam Jesus como o Filho de Deus, com uma identidade divina.

Por outro lado, há uma afirmação científica e histórica sobre a existência do homem Jesus de Nazaré, embora esta não complemente quaisquer religiões. Também caindo por terra a crença cética de miticistas que consentem na não existência de nenhum Jesus.

Na ótica científica, há determinados circunstâncias históricas da vida Jesus, sendo elas os tópicos:

  • Jesus como um homem judeu;
  • Jesus como um pregador e mestre;
  • A crucificação de Jesus (método romano de execução) em Jerusalém durante o reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia;

Atualmente, não existem evidências físicas como artefatos arqueológicos da vida de Jesus de Nazaré. Também não há escritos deixados por Jesus, pois há dúvidas sobre Ele ser alfabetizado (se Ele realmente sabia ler e escrever), pois era extremamente comum as pessoas não terem acesso a este conhecimento no século I.

As provas da existência de Jesus são escritos feitos após a sua crucificação, tanto por judeus, por romanos e como pelos próprios seguidores do Yeshua Hamashia ou, simplesmente, Messias. O uso dos termos em aramaico — em itálico — foram propositais para verificar o argumento de que os textos daquela época são complexos para uma tradução em linguagem moderna.

Ou seja, muitos problemas podem ter acontecido — e realmente aconteceram — nas traduções feitas desde as primeiras versões das escrituras sobre Jesus. Todavia, há um encontro de informações de pessoas que escreveram sobre Jesus em tempos diferentes, sem ao menos se conhecerem, o que fundamenta o argumento que afirma a vida de um Jesus de Nazaré.

Khristós: o Messias e o Cristianismo

De forma geral e brevíssima, perpassaremos pelos grandes acontecimento que envolveram a ascensão do Cristianismo — no enfoque de que Jesus não fundou uma religião, apenas difundiu ensinamentos.

Assim, baseado no levantamento histórico de “O Livro das Religiões” da Globo Livros, uma linha do tempo do Cristianismo é introduzida com:

  1. o nascimento de Jesus, 2) o batismo de Jesus por João Batista, 3) a crucificação de Jesus, 4) apóstolos martirizados, 5) o Imperador Constantino quase 300 anos após Jesus, promulga através do Édito de Milão, que a fé cristã é aceita para ser praticada livremente no Império Romano (o mesmo sob qual política Jesus foi crucificado) sem mais perseguições, 6) ocorre o Concílio de Niceia, 7) em 380 dC o Cristianismo é oficializado como a religião do Império Romano, 8) ocorre o Grande Cisma, 9) durante quase 200 anos as guerras travadas como as Cruzadas, promovidas pela Igreja Católica objetivavam que a Terra Santa, Jerusalém, estivesse sob domínio cristão, 10) a grande Inquisição católica durante a Idade das Trevas, 11) reforma protestante com Martinho Lutero, 12) Guerra Santa na França entre católicos e protestantes e +.

Muito sangue fora derramado nesta história… A própria difusão da religião em si aconteceu com a escolha dos cristãos de morrerem pelo que acreditam, pois mesmo quando morriam frente a possibilidade de renunciar Jesus, não simbolizava fracasso, mas fé na crença do que estavam disseminando algo maior.

O espírito de Natal

Os ensinamentos de Jesus ao longo da história, sempre pareceram sábios e corretos às pessoas, fossem elas cristãs ou não…

Parafraseei um dos trechos do livro do professor Bart acima. Talvez seja um dos motivos mais relevantes para que o espírito de Natal seja abraçado em ambientes sociais e culturais não-cristãos também.

Com o complicado factual das religiões ao longo da história da humanidade (no caso deste texto, a cristã), as guerras sangrentas travadas por doutrinas monoteístas entre si, fundamentadas em ??? trazem um questionamento justo sobre as causas que nos movem, sobre quais filosofias seguirmos.

É difícil desconectar o Natal de uma festa cristã, afinal de contas, é. Porém, o espírito de Natal transcende o Cristianismo, pois está ligado aos ensinamentos deixados pela pessoa Jesus de Nazaré, um personagem histórico inegavelmente sábio.

Reverberemos suas lições sobre amor, bondade, caridade, esperança, fé, gentileza, humildade, lealdade e perdão, neste Natal e em todos os outros dias.

“A religião é a convicção de que existem, poderes transcendentes, pessoais ou impessoais, que atuam no mundo, e se expressa por insight, pensamento, sentimento, intenção e ação.” — Helmuth von Glasenapp (1891–1963)

Portanto, que estas lições sejam absorvidas e incorporadas em nossas vidas e o espírito de Natal esteja conosco, sejamos ou não cristãos, sejamos ou não religiosos. De fato, o que mais importa começa na lista no amor e termina no perdão.


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