Cultura em São Paulo: Para poucos, não para muitos
Falta de acesso à cultura nas periferias mostram como o governo prioriza mais regiões centrais do que zonas mais carentes.
Cultura em São Paulo: Para poucos, não para muitos
Falta de acesso à cultura nas periferias mostram como o governo prioriza mais regiões centrais do que zonas mais carentes.
Igor Leite, Roberto Lima, Vitor Prates, Yan Guedes
As **periferias de São Paulo **vivem, nos últimos anos, uma falta de acesso e procura por cultura nas regiões. Enquanto os centros culturais da região central recebem programações semanais, estreias, oficinas, festivais e exposições financiadas por leis de incentivo, a maior parte da população periférica sofre com a ausência de espaços públicos para arte, cultura e lazer. A falta de investimento ao longo das últimas décadas fez com que bairros inteiros sofressem com a escassez de cultura, obrigando moradores a se deslocar por horas para acessar equipamentos que deveriam fazer parte do cotidiano.
Em uma cidade com 96 distritos e mais de 12 milhões de habitantes, a desigualdade é escancarada. O Mapa da Desigualdade 2022 revelou que 19 distritos não possuem nenhum equipamento cultural público: nem biblioteca, nem centro cultural, nem museu, nem teatro. Outros 57 distritos não contam com nenhum espaço cultural municipal, o que significa que 59% de São Paulo vive sem presença direta do Estado quando o assunto é cultura. Para efeito de comparação, regiões centrais concentram grande parte dos teatros, espetáculos e eventos financiados por leis de incentivo, enquanto as bordas da cidade lutam para manter bibliotecas abertas, casas de cultura ativas ou sequer uma sala de cinema em funcionamento.

Mapa desigualdade
A desigualdade se aprofunda quando observamos como o dinheiro não chega nas regiões mais necessitadas. Entre 2014 e 2023, um estudo do Observatório Ibira30 e da Agência Mural mostrou que 21 distritos periféricos não receberam nenhum investimento via Lei Rouanet. No mesmo período, distritos do centro e regiões mais elitizadas como Pinheiros, Bela Vista, Vila Mariana, Consolação e Moema receberam quase 90% de todos os recursos captados na cidade. O número é tão desproporcional que, somando tudo que foi aprovado para as periferias, o resultado é apenas 1,38% do total captado em São Paulo.
Esses números mostram quais as regiões que o governo de São Paulo mais prioriza quando se trata de cultura. Enquanto uma única instituição cultural central consegue captar milhões em uma única edição, coletivos periféricos enfrentam formulários complexos, linguagem técnica inacessível, exigências jurídicas difíceis de cumprir e, muitas vezes, a falta de equipamentos minimamente estruturados para sediar atividades.
A associação cultural “Fazer Acontecer”, localizada em Poá, é um exemplo da falta de investimento que o governo disponibiliza para as regiões mais afastada do centro de São Paulo, já que a Associação funciona basicamente por conta própria.
O orçamento municipal, por sua vez, apesar de alto no papel, não resolve o problema territorial. Em 2024, a Secretaria Municipal de Cultura teve um orçamento aprovado na casa dos R$ 818 milhões, valor que deve se manter próximo disso em 2025.
No entanto, programas específicos para “Fomento à Cultura da Periferia” representam pequenas fatias desse montante, e, segundo documentos debatidos na Câmara Municipal, ainda carecem de indicadores capazes de garantir impacto real nos territórios mais vulneráveis.
Na prática, as áreas que já possuem estrutura continuam recebendo mais eventos, mais oficinas, mais festivais e mais circulação de artistas, enquanto distritos inteiros permanecem sem receber nenhum planejamento cultural.
Um levantamento técnico da UNESCO, em parceria com a Prefeitura, mostrou que a localização dos equipamentos voltado a cultura é tão ou mais importante que a quantidade. Em algumas regiões periféricas, o estudo identificou que seria necessário multiplicar por 10 o número atual de equipamentos públicos para que a população tivesse o mesmo acesso observado em distritos centrais. Em um dos recortes analisados, que engloba parte da Zona Norte e Zona Leste, a necessidade estimada era de 140 equipamentos culturais, porem, existiam apenas 9.
A consequência é um cotidiano marcado pela distância. Moradores das bordas relatam que, para assistir a uma peça de teatro financiada por dinheiro público, precisam atravessar a cidade e gastar **valores equivalentes ao preço** do ingresso apenas em transporte.
Nas audiências públicas realizadas em 2023 e 2024, habitantes da Zona Leste, Sul e Noroeste denunciaram a burocracia para contratação de artistas locais, a falta de transparência nas programações das Casas de Cultura terceirizadas e a ausência de conselhos comunitários que representam suas próprias demandas.
Se, no centro, a agenda cultural é intensa e diversificada, nas periferias a cultura existe principalmente por conta de serviços sociais da própria população das periferias do que por ajuda do governo de São Paulo
Festivais autônomos, saraus de rua, batalhas de rap, brechós culturais, feiras artesanais, teatros amadores e mutirões artísticos tentam ocupar o vácuo deixado pelos investimentos formais. Mas a falta de infraestrutura ainda limita alcance, formação, continuidade e, sobretudo, a capacidade de renda para artistas e produtores culturais desses territórios.
24% dos paulistanos não frequentam nenhum espaço cultural, diz pesquisa
Levantamento mostra que distritos periféricos não comportam espaços culturais, e o acesso à cultura fica restrito à parcela com maior poder aquisitivo da cidade.
O acesso à cultura na cidade de São Paulo é um privilégio restrito à elite da sociedade. Enquanto regiões centrais e elitizadas da cidade concentram a maioria dos equipamentos culturais, as regiões periféricas convivem com escassez de opções. A capital paulista conta com cerca de 58 CEUs, 16 fábricas de cultura e 20 casas culturais, mas sua distribuição é desigual, e **projetos periféricos** relatam falta de verba e dificuldade de acessar editais.
O cenário fica mais evidente na zona leste, a região mais populosa da cidade é, proporcionalmente, a mais defasada em termos de equipamentos culturais.

Os dados do Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, mostram que a região central de São Paulo concentra uma grande gama de equipamentos culturais, sejam eles públicos ou independentes. Somente o bairro da República, por exemplo, apresenta uma média de 24,11 equipamentos públicos de cultura a cada cem mil habitantes, enquanto a média do restante dos distritos é de 2,46 equipamentos.
Quando falamos de equipamentos públicos de cultura, estamos falando de espaços físicos mantidos pelo poder público para oferecer acesso à cultura para a população. Dentre esses espaços temos: bibliotecas, centros culturais, museus, teatros, cinemas, galerias e demais espaços para a realização de eventos, shows e **atividades gratuitas** para a população.
Para ter o mínimo de acesso à cultura, os próprios moradores dos distritos mais periféricos se mobilizam para realizar eventos, exposições, peças de teatros e outras manifestações culturais.
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“As nossas dificuldades são muitas, desde a manutenção do espaço, de manter o espaço ativo, de fazer com que as pessoas venham assistir espetáculo, de fazer com que as pessoas venham participar do curso. Nossos desafios são enormes, então, a gente acredita que uma hora as pessoas vão entender que teatro é profissão e que a gente precisa valorizar cada vez mais o artista”, afirma Wagner de Souza, diretor da **Associação Fazer Acontecer**. Organização cujo objetivo é dar acesso à cultura, arte e educação para os jovens socialmente excluídos.

Foto: Cortesia/Associação Fazer Acontecer
A falta de acesso à cultura é de responsabilidade direta dos órgãos públicos, que falham em investir no desenvolvimento das regiões mais carentes da cidade. “O papel fundamental do Estado é garantir qualidade de vida para o cidadão. Então, desenvolver políticas públicas que façam com que o cidadão seja respeitado e tenha uma qualidade de vida melhor é o papel do Estado. Incentiva a cultura, patrocínio, fazer com que a arte e a cultura sejam coligadas com a **política e a educação**, para que a gente possa desenvolver e transformar a sociedade”, finaliza Wagner.
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Sem equipamentos públicos de cultura, os moradores dos bairros mais fragilizados precisam arcar com um alto custo de transporte, além de outros gastos gerais, para consumir diferentes formas de arte
As crianças invisíveis
O direto do acesso à cultura do esporte sendo tirada das crianças da periferia
No Brasil, o esporte mais amado é o futebol, uma pesquisa mostrou que 30,4 milhões de pessoas praticam, entretanto para dar início a um sonho ou jogar por lazer entre crianças e adolescentes as dificuldades aparecem. Um estudo feito por Euler Victor com 350 jovens de 20 estados diferentes mostrou que 46,99% alegaram não praticar por falta de lugar e 30,12% colocaram que não teriam como pagar uma escolinha, ou algum espaço society para jogar. Acaba atingindo os mais pobres para a inclusão a cultura do esporte, seja pelos crescimentos das cidades, ou pelo fator financeiro a tendencia é ficar cada vez mais exclusivo.
As portas da violência acabam se abrindo para os jovens da periferia que acabam se afastando da educação e do esporte e se aproximando de assaltos ou tráfico. Em 2019, cerca de 20 mil jovens entre 13 e 22 anos foram assassinados.
No total, apenas 20% das escolinhas de futebol são gratuitas. O futebol não deve ser visto apenas como uma forma de lazer, mas como uma ferramenta de inclusão e transformação social. Em São Paulo, a secretaria Municipal de esportes e lazer oferecem aulas gratuitas, ao todo mais de 1.500 crianças e adolescentes são beneficiados, mas com a parceiros com outros programas e projetos o número cresce. O investimento da prefeitura gira em torno de 490,44 milhões em 2025. O SEME planeja, organiza e investe em projetos que tenham como objetivo incorporar atividades físicas, esporte e lazer. Uma infraestrutura para outros esportes como vôlei, judô, tênis, natação, entre outras modalidades.

Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo
O crescimento do orçamento durante os anos para o investimento no esporte e lazer:


Dia de treino, professor Deneval e alunos
Buscando entender o dia, dia de um dos programas, o professor Deneval vieira dos Santos que atende duas instituições do clube escola, parceiro do SEME, contando com 5 mil alunos somando todas as unidades. No início de 2023 a meta era alcançar 3 mil alunos, e indo para 2026 com quase o dobro dessa expectativa.
O professor da aula nas unidades centro desportivo Pirituba e no do senhor do Bonfim localizada na itaberaba da zona norte, e ainda faz parte de outro projeto social por fora na comunidade onde vive gratuitamente apenas por amor as crianças. “Pelas instituições em média tenho 120 alunos, e pelo projeto social por volta de 200 alunos, atuando com mais 2 professores. Faço parte do clube escola a 2 anos, e pelo projeto social 41 anos participando sem remuneração, apenas fazendo por amor”. No brasil, uma pesquisa feita pela TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) de 2023 levantou que 84% da população brasileira com 10 anos ou mais acessou a internet. Por renda, a classe C acessou 88% e a D e E 69%. “Os pais costumam dizer que encontrou o programa através das redes sociais do Clube Escola, ou por encontrar o perfil de algum professor e entrar em contato para saber mais informação. Já o projeto social vem muitas crianças da comunidade mesmo”.

A distribuição das Instituições
O clube escola não oferece apenas um espaço para a prática gratuita do esporte e lazer, mas também investe nos equipamentos para o futebol acontecer. “Bola, chuteira, caneleira, os equipamentos para treinos o clube escola oferece, e lanches para as crianças”, entretanto no projeto social “A gente tem que correr atrás, depende da ajuda de muitas pessoas, mas os pais entendem, é tudo que fazemos por aqui é de coração”. Deixando claro a diferença entre um programa com investimento, mas um projeto social que flui mais pela ajuda da própria comunidade para alimentar o sonho e lazer das crianças.
Qual o nível de importância na vida de crianças e adolescentes a praticar esportes. Um
estudo na Suécia com 17.000 crianças e adolescentes dos 5 a 18 anos mostrou como a prática não colabora só no lazer e bem-estar, mas diminui as chances de desenvolver de pressão, ansiedade e dependência química. O clube escola junto a outros programas e projetos em comunidades vão além de entregar uma bola nos pés de uma criança e dar acesso à cultura de um esporte. “É importante ocupar o tempo deles. Além de brincarem inserir um sonho na vida deles, mostrar que o esporte faz bem à saúde”.
As crianças que buscam a oportunidade de participar precisam cumprir uma missão em especial, “Para jogar, precisão ir à escola. Cobramos bastante, sem estudar não tem como ser jogador, ou ter uma profissão qualificada”.

Crianças em treinamento no Clube Escola
Expandindo para o Brasil inteiro, muito crianças não conseguem praticar atividades físicas em escolas. A pesquisa feita pelo ministério da cidadania mostrou que metade das escolas brasileiras não tem espaço para a prática de esporte. Entre 135.263 escolas, 47% não possuem um espaço. Considerando quadras, o número cai para 45,1%. Cada vez mais uma grande parte de crianças e adolescentes estão sendo privados de ter um espaço para praticar o esporte, entretanto programas como o clube escola estão dando acesso “Muitas crianças que estão aqui não tem outro espaço para brincar, e essas horas por aqui, pode perceber a alegria deles em correr, brincar, praticar o futebol”.
Estudo feito com as crianças e adolescentes a seguir:

O esporte é mais que lazer, ou direito de crianças a adolescente, mas uma ferramenta de inclusão social que engloba um todo dando oportunidade para os que vem da periferia, dos extremos das zonas em São Paulo. Quanto mais programas, e projetos sociais para desenvolver ct em bairros carentes a cultura do esporte se expandirá, aproximadamente e incentivando a importância dos estudos, por muitos programas mostrarem que esse é um ponto crucial para participar do programa, colaborar na saúde, socialização e gastar o tempo em algo com qualidade. Buscar olhar mais para projetos como o do professor Deneval participa dando aulas gratuitas, mas um com investimento, a estrutura do projeto poderia prosperar e chamar não só crianças do bairro, mas ir além disso.
Para os pais e criança que gostariam de saber os programas e locais disponibilizamos duas tabelas referentes:

Centros do Clube Escola

Programas e Projetos
O esporte é o caminho para a inclusão social. As crianças das periferias são muitas vezes invisíveis para a sociedade, entretanto ainda existem programas e projetos para levar um espaço que envolva esporte e lazer para elas serem vistas e lembradas.
São Paulo anuncia R$ 318,8 milhões para a cultura — maior investimento da história no audiovisua
A Prefeitura de São Paulo lançou o programa São Paulo + Cultura, com um investimento total de R$ 318,8 milhões, sendo R$ 143 milhões destinados exclusivamente ao setor audiovisual — o maior aporte já realizado para essa área na história da cidade. O objetivo é incentivar novos artistas e fortalecer a produção cultural, especialmente nas áreas de música, teatro, dança e literatura.

Gráfico Investimento em cultura 2025
O investimento será distribuído por 70 editais culturais, com foco principalmente nas regiões periféricas, estimulando a inclusão, o desenvolvimento econômico local e a geração de oportunidades para artistas iniciantes e coletivos culturais.

Principais editais que serão beneficiados
Segundo Lolo Parente, secretário municipal de Cultura e Economia Criativa, a iniciativa reforça o compromisso do município com o fortalecimento da economia criativa e a democratização do acesso à cultura.
Fontes de financiamento
O aporte de R$ 318,8 milhões vem de três frentes principais de investimento:
• Recursos Municipais
Verbas da Prefeitura de São Paulo, provenientes do orçamento municipal e da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMCEC).
• Política Nacional Aldir Blanc (PNAB)
Política federal criada pela Lei nº 14.399/2022, que repassa recursos anuais para estados e municípios com o propósito de estimular a produção cultural em todo o país.
• Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)
Gerenciado pela ANCINE (Agência Nacional de Cinema), o fundo é responsável por financiar produções audiovisuais, como filmes, séries e projetos de exibição e distribuição.
Impacto no mercado de trabalho
Além do estímulo à produção artística, o programa deve gerar empregos diretos e indiretos, movimentando toda a cadeia cultural — desde artistas, produtores e técnicos, até profissionais de comunicação, tecnologia, educação e turismo.
메타데이터
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