Para Além da Máquina de Ódio #3 — Breve Navegação Conceitual
“Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas”

Para Além da Máquina de Ódio #3 — Breve Navegação Conceitual
“Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas”
Mateus 10:16
Diálogo entre Amigos #2:
— Cadáver, você não tinha morrido? — pergunta Batatasperger Chan Soseki.
— Sabe o que ocorre quando uma horcrux esochannealógica recebe, causa ou engatilha impactos sociais sociais profundos, Batatinha? — pergunta Cadáver Minimal.
— Não.
— A sua magia esochannealógica canibaliza os impactos, aumentando o seu poder esochannealógico.
— É por isso que você, o Agente Peixoto, Kaueket e PUCA ressuscitaram?
— Sim, infelizmente.
— Não fique tão triste com a vida. Veja só as atualizações que te mandei.
— Splatoon Riders? Resident Evil Requiem? Partido Democrata investe 20 milhões de dólares para entenderem os homens? Nintendo Switch U era uma trollagem e não vai ser lançado? Tudo isso ocorreu em tão pouco tempo? Espera, por que você enviou tantas atualizações para um cara que morreu?
— Algumas coisas ocorreram enquanto você estava vivo. Porém você vive no mundo da Lua, meu chapinha. E só por você estar morto, não significa que não esteja vivo, no meu coração.
— Tá, tá, okay. O que você acha de se juntar a mim e ao Teofídio para uma missão.
— Ah, eu sou um cara simples. Apenas gosto de ver vídeos da dupla Magdalena Bay e postar no /v/ e no /lit/ do 4chan.
— Espera, você ascendeu a antichannealogia enquanto eu morri?
— Estive estudando para me tornar um antiesochanner, um caça-sapo.
— Você até mesmo sabe da existência deles?
— Sim.
— Como descobriu?
— Se os esochanners são representados por Kek, os antiesochanners seriam representados por Kauket. Kauket é uma serpente. Serpentes comem sapos. Esochanners são fãs de Kek. E antiesochanners são fãs de Kauket. É por isso que o maior símbolo esochanner é o esoterismo kekista e o maior símbolo antiesochanner é o esoterismo kauketista. Ela estar do seu lado desde o começo me deu um insight. A cultura do /pol/ é contraposta a cultura do /leftypol/, mas isso é um simbolismo que apenas channers de alto escalão poderiam compreender.
— Caralho, Batata…
— Senti a sua falta, amigo. Estudei um bocado quando você morreu. Bora jogar Sega Saturn?
— Não. Tô meio com dor de cabeça.
Crítica Batatista #1:
O mundo criado por ideólogos de esquerda e de direita soa como Superman 64. E isso é algo que ninguém até agora entendeu.
Por qual razão o jogo é todo bugado? O Senhor Senhor Wilson, do Colônia Contra Ataca, não compreendeu — nem o Angry Video Game Nerd. O jogo se passa no universo virtual criado por Lex Luthor. Quem é o Lex Luthor? O homem mais inteligente do mundo.
Por qual razão do universo virtual criado por Lex Luthor, o homem mais inteligente da Terra, é cheio de defeitos? A razão é complexa: o Lex Luthor é um intelectual que sofre com a ideia de trazer o paraíso para Terra. Essa ideia de trazer o paraíso para Terra é a imanentização escatológica. Imanentização escatológica é trazer o juízo final e, por conseguinte, o que vem depois dele. O céu virá para os revolucionários e o inferno para os reacionários. Ou, a depender do posicionamento político, a contrarrevolução traz o céu para os reacionários e o inferno para os revolucionários.
É evidente que essa análise não é muito bem aceita na academia brasileira, visto que a única análise do problema é a marxista e todo resto é discurso de ódio, pseudociência e Terra Plana. Podemos ver distintas análises do fascismo e do próprio discurso revolucionário a depender do escopo e abertura intelectual, peguei a de Eric Voegelin (As Religiões Políticas, Hitler e Os Alemães e a Nova Ciência da Política). É evidente que a análise de Trotsky e Stalin cairiam bem. A análise do Wilhelm Reich também seria muito boa, mas as polêmicas que sondam a sua obra são grandes demais para muitos acadêmicos. Eu prefiro o conselho bíblico de Tessalonicenses 5:21:
“mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom”. A unidade autocontraditória do discurso é importante no modo de pensamento esochannealógico — é uma forma de antiprincípio da dialética esochannealógica —, visto que lurka em todos os lugares e propõe uma solução ponderada a partir de múltiplos fragmentos que foram desradicalizados através do estudo das ideologias comparadas.
O fenômeno que vemos em Superman 64 é notoriamente a criação de um mundo distorcido e imperfeito, fazendo alegoricamente ao mundo material criado por Demiurgo (distorcido e imperfeito). O fenômeno da demiurgação do homem nada mais é do que a criação de mundos doentes por causa de intelectuais. São os velhos demônios de Dostoievski.
Antes de qualquer política, seja bem intencionada ou não, ouçamos todos os lados. Lembremos da velha frase e livro de Richard M. Weaver: “As Ideias Têm Consequências”. Façamos uma condução conservadora da mais progressista das ideias (Michael Oakeshott), reformando gradualmente e cautelosamente. Não indo para os nossos vieses de confirmação e tampouco para a euforia radicalizada.
O jogo do Superman 64 é uma crítica da arrogância luthoriana, presente em muitos intelectuais que são muito capazes de críticas sociais, mas pouco capazes de autocríticas. O que os torna incapazes de verem os próprios erros enquanto intelectuais. Além disso, essa mesma arrogância coloca-os a disposição da tirania letrada.
>esse é o Batatasperger do primeiro livro?
<ele atingiu o grau esochannealógico e está descobrindo novas magias
>ele está pegando antimagias da antiesochannealogia kauketiana e mesclando com as magias esochannealógicas
<reparei que ele usou o antiprincípio da desconstrução niilidionisíaca do discurso esochannealógico
>o que prova que nem todas as habilidades esochanners ou antiesochanners são ruins
“Esochannealogia Comentada” por PUCA #1:
Na esochannealogia há a utilização esotérica da numerologia. Muitos esochanners costumam estudar o esoterismo para esconder as suas mensagens. A presença de kauketianos (caça-sapos) faz com que seja necessário esconder uma mensagem. Uma das frases pouco citadas na esochannealogia é a frase das “Sete Máscaras”.
Consideremos a alusão numerológica ao "7" (um número com forte simbolismo de completude e perfeição em diversas tradições, incluindo a hebraica/bíblica) — vindo dum fórum marcado por conspirações antissemitas, isso demonstra um mergulho na tradição judaica — a depender do esochanner, existem Sete (7) Máscaras Arquetípicas Fundamentais/Esochannealógicas.
Essas Sete (7) Máscaras representariam os modos primários e completos de operação dentro do multissistema esochannelógico, cobrindo razoavelmente o espectro total de suas capacidades. Lembre-se que a esochannealogia é uma arte nova, tal como QAnon, e sujeita a múltiplas interpretações — a esochannealogia, tal como a antichannealogia, é um estado que foi naturalmente sendo construído conforme a cultura channer ia crescendo, se complexificando e evoluindo.
Mesmo que as chamadas técnicas esochannealógicas sejam "criadas e recriadas o tempo todo" (condição neossistemática que é observável nos três estados channealógicos [channealogia, antichannealogia e esochannealogia]), essas mesmas técnicas se encaixariam ou seriam variações dentro da lógica dessas sete categorias arquetípicas. É evidente que o número sete não quer dizer “apenas sete”, mas sim que as máscaras — novas ou velhas — buscam a perfeição da prática e teoria channealógica. Quando dizemos “sete máscaras” não estamos dizendo “apenas sete”, mas sim que as máscaras visam a perfeição da esochannealogicidade — pouco importando quantas de fato sejam.
A antichannealogia surgiu acidentalmente com a iniciativa de sistematizar — ou colocar uma congruência interna — a cultura channer. O que levou muitos channers a evoluírem ou ascenderem ao estado antichanner — o que é natural, visto que a internalização da crítica cultural faz com que a cultura criticada evolua. Já a esochannealogia, o “novo” nível, foi um caminho quase que natural graças ao estado memético da cultura channer. Quanto mais esse estado memético e referencial era aprofundado, junto com a dinâmica de exclusão contínua das postagens anteriores — deixando o conhecimento histórico para só quem viveu o processo (tradição vivencial-mnemônica) —, mais se via uma mesclagem naturalmente caótica do estudo channealógico. Como os estudos apontam, o chan é um feudo virtual de excluídos e múltiplos excluídos sociais fazem networking dentro dessa comunidade. O próprio fato do surgimento da alt-right se deu por causa da exclusão do discurso extremista e conspiratório do debate público. Os extremistas e conspiracionistas passaram a fazer um intercâmbio informacional e a estrutura anônima e livre dos chans deu a eles o impulsionamento necessário a essa realização. A Hipótese do Feudo Virtual quando ligado ao Dark Self e ao Castelo do Drácula — e a compreensão que a cultura channer é um castelo do Drácula — dão um panorama mais complexo.
Voltando a centralidade do texto, o número de Máscaras (como tipos ou arquétipos de atuação) é “sete” — em sentido figurado e não no sentido literal. O número de portadores (indivíduos que as encarnam) é que seria maior do que “sete” — existem múltiplos portadores da mesma máscara. A razão é simples: ter uma técnica não significa que só você tem ela. Para ser mais exato, quanto mais a esochannealogia é passada, maior é a quantidade de (possíveis) portadores de máscaras. Hoje em dia, com a cultura channer se tornando mainstream e sendo cada vez mais estudada, maior é o número de pessoas que internalizaram a cultura channer sem pertencer ou sem mais pertencer a ele (condição pós-channealógica). Vemos um número grande de [exo]channers (chamados de [ex]channers pelo Agente Peixoto), eles exportam a cultura channer para novos espaços, criando aspectos mais sintéticos.
A esochannealogia de QAnon é uma esochannealogia profundamente prática e não explicada, visando uma mobilização (ação direta) e uma contaminação geral. Ela é popular e viral, de caráter mais memético-popular. A esochannealogia de Cadáver Minimal é uma esochannealogia profundamente teórica e muito explicada, visando uma elitização (teorização complexificante) e uma criação de uma elite channealógica. Ela é elitista e antiviral, de caráter mais memético-aristocrático.
O termo “elite da internet” — antes de ser usado por padogoleiros (fusão de paneleiros com dogoleiros que se provou bastante danosa) — era empregado pelo 55chan de K. e mais tarde empregado pelo BRchan, mais como forma de ironia. Todavia o channer brasileiro se vê como acima da média, não se mesclando nas massas, tendo um desprezo ou ódio tipicamente elitista. É por essa razão que os chans brasileiros são mais dotados de regras que os chans americanos. Se os chans americanos visam mais uma massificação de sua mensagem, os chans brasileiros visam mais uma elitização da sua mensagem. É por isso que há um maior número de banimentos, eles servem como uma espécie de corretivo pedagógico, para que os usuários se tornem “usuários melhores” (aristocratizados). É por essa razão que a esochannealogia brasileira seria mais elitista e teorérica que a americana. Enquanto a esochannealogia americana tenta um eixo mais memético-popular, a esochannealogia brasileira tenta um eixo mais memético-aristocrático.
Sobre as setes máscaras…
>não, a sua participação está muito grande
<ocupou um capítulo inteiro
>deixa isso pra mais tarde
Caderno de Progressão do Incelito de Souza #1:
Aparentemente a cultura channer tem uma lógica interna. Vou detalhar ela aqui:
- Channer, Principiante, NovoSapo: consome muitas pescarias (enganações/trollagens) dos membros mais experientes. Essas pescarias podem variar entre “orgulho incel”, “MGTOW”, “transmaxxing”, “Protocolo dos Sábios de Sião”. Esse tipo de channer pode ser facilmente encontrado — sendo feito de trouxa — no /b/ e no /pol/;
- Antichanner, Intermediário, MeioSapo: esse channer começou a perceber que muitas das crenças espalhadas vinham de uma má intencionalidade ou pura e simplesmente galhofa, começou a achar as discussões simplistas e migrou para boards de média ou alta performance intelectual, como o /lit/ e o /mu/;
- Esochanner, Avançado, VelhoSapo: esse channer começou a fazer manipulações que podem variar em nível de complexidade, eles se especializaram em discutir com todo tipo de gente, passam mais tempo fazendo produções intelectuais do que postando no chan e acham graça dos membros mais novos;
- Antiesochanner, Avançado, CaçaSapo: aparentemente, apesar do que se achava anteriormente, um channer pode se especializar em combater exercícios malignos de esochanners, tornando-se um antiesochanner. Esse é uma variação do último (esochanner) e usa quase as mesmas técnicas, mas evitando ser lesivo;
Os channers têm o costume de escrever de uma forma diferente. Usando a linguagem da internet ou variações dessa mesma linguagem. Eles querem deixar o seu discurso mais atrativo e “comercial” ou seguem uma lógica mais undergroundizada.
Existem técnicas que um channer vai conquistando com o tempo. Vamos pelos fundamentos básicos da channealogia:
- Utilização do “greentext” ou “verdetexto”, seja para contar histórias ou fazer um implicando (quotar uma parte do texto de forma irônica);
- Lurkação: é a forma de investigação channer, é aprender a buscar a informação que está sendo compartilhada, muitas vezes através de atos e mensagens que os usuários mais experientes não explicam;
- Internalização cultural channealógica básica.
Quando channers começam a compilar informações, álbuns, livros, sistemas, chamamos isso de mineralismo. Quando channers começam a usar fragmentos diversos para construir algo, chamamos isso de neossistemática. O mineralismo e a neossistemática são técnicas de caráter intermediário, é por isso que são pouco vistos no /pol/ e no /b/. Essas técnicas são de natureza antichannealógica e exigem uma consistência de abertura. Elas são mais propriamente um olhar de um channer para conteúdos fora do chan do que de um channer para o conteúdo channer. É por isso que o mineralismo é chamado de (extra)lurkismo. Já a neossistemática é chamada dessa forma pois channers usam fragmentos diversos para construírem os seus discursos, assim criando “produtos sintéticos”, modelo de construção também chamado de arquitetônico — várias peças distintas são “arquiteturadas” dentro de uma estrutura. O mineralismo e a neossistemática podem adquirir diferentes graus de complexidade.
Um channer pode expressar vagamente uma channealogia (filosofia channer). Já um antichanner pode expressar uma channealogia superior, visto que a sofisticou através da internalização da crítica aos chans e do consumo cultural de fontes exteriores aos chans. Um antichanner é capaz de compreender o discurso acadêmico, é por isso que vemos vários antichanners estudando história, sociologia e filosofia no /his/, por exemplo. Um esochanner pode ser definido como alguém que passou pelos dois processos, que simultaneamente ainda passa pelos dois processos e está elevando a complexidade da channealogia através do aprimoramnto das técnicas e da construção filosófica e simbólica da cultura channer. Um esochanner pode ser bom, mau ou neutro. Um esochanner neutro usualmente não combate os abusos cometidos por outros esochanners e tampouco endoça o combate ao maus esochanners. Já um bom esochanner desarma práticas esochannealógicas ruins através das chamadas antimagias.
Esochanners possuem foco nos antiprincípios, antiesochanners possuem foco nas antimagias e nesochanners (esochanners neutros) são indiferentes, usando as habilidades channealógicas para algo que usualmente não fede e nem cheira no sentido moral. Esochanners usam os antiprincípios para gerarem caos social, mas eles também são conhecedores das antimagias, visto que precisam concorrer com outros esochanners e antiesochanners. Antiesochanners, podendo ser reduzidos para aesochanners ou CS (caça-sapos), são conhecedores dos métodos destrutivos esochannealógicos e tentam desarmá-los com antimagias. Por exemplo, muitos aesochanners criam páginas na Wikinet para que a Polícia fique bem informada (o site não pode ser acessado por dados móveis). Eles também podem ajudar enviando notícias para jornalistas, demonstrando a intencionalidade sombria de algum usuário para a moderação ou para outros usuários, expondo conteúdo produtivo em vez de destrutivo e, em alguns casos, levando a uma desordenação do fórum, grupo ou comunidade por meio de táticas sutis. Um nesochanner pode usar o conhecimento channealógico para produzir alguma cultura baseada nos chans, usualmente eles são os melhores divulgadores da cultura channer. A chamada Elite Abyss é composta pelos três, sendo mais um “estado evolutivo” do que um grupo organizado. Embora existam várias organizações channealógicas (imageboards, chats [geralmente IRC], servidores, panelas, padogonelas, networkings mineralistas).
Pelo o que eu entendi, a exposição da esochannealogia também cria uma proteção contra a esochannealogia, mas também a fortalece. Ao expor a esochannealogia, algumas pessoas naturalmente se tornam mais inclinadas a praticá-la e desenvolvê-la. Todavia há uma maior capacidade de intelectuais anteverem movimentos channers e até mesmo de realizaram antimagias — como o de antecipar uma hipótese apocalíptica e não praticá-la.
Tradições channers brasileiras costumam incluir vários tipos com ramificações:
- Ibistas: frequentadores de imageboards;
- Paneleiros: frequentadores de panelas clássicas, tradição criada por Reptar, no Facebook;
- Wikistas: são channers historiadores, registram a história channer (e outras histórias undergrounds) em forma de sátira;
- Padogoleiros: os prediletos da Polícia Federal, usualmente são jorges que cometem cybercrimes ou algum evento trágico no mundo real de vez em quando, são encontrados massivamente no Discord ou Telegram;
- Mineralistas: anteriormente chamados de “channers híbridos”, são channers que frequentam vários grupos channers para estudar o comportamento channer, são vistos em wikis satíricas atualizando alguns dados ou registrando novos, mas o meio de comunicação predileto deles é e-mail.
Exemplificando:
— 1500chan é uma organização ibista;
— Panelinha do Bananal é uma organização paneleira;
— Wikinet é uma organização wikista;
— Elite Intelectual da Internet é uma organização padogoleira;
— Seita da Banana Invisível é uma organização mineralista.
Tudo certo, mas nem tanto. O 55chan já teve um IRC e é ibista. O N. troca múltiplos e-mails e não é mineralista. A Seita da Banana Invisível surgiu no Telegram, mas seu formato atual e mais usado são os e-mails. A Panelinha do Bananal tem chat no Telegram e um grupo no Facebook. Muitos padogoleiros usam imageboards, e nem por isso são channers híbridos. Os usuários da Wikinet geralmente são usuários de chans.
Existem também os chamados pós-channers. Muitos grupos pós-channers usam a simbologia channer sem serem channers. O Progreposteo (o maior grupo pós-channer latino americano) e o r/brasilivre (o maior grupo pós-channer brasileiro) são exemplos disso. Enquanto o Progreposteo está no Facebook, o r/brasilivre está no Reddit.
Channers não são um grupo uno e indiviso, mas sim um espectro extremamente multifacetado e complexo!
Explanação Kekiniana e Kauketiana #1:
>Vamos dividir os antiprincípios esochannealógicos e as antimagias antiesochannealógicas de forma mais simples
>APE e AME
<APE é um (a)nti(p)rincípio esochannealógico e AME é uma (a)nti(m)agia (e)sochannealógica
>a antiesochannealogia e a esochannealogia são o mesmo nível
<o que muda é a especialização em cada uma delas
>se a esochannealogia é mais para ataque
<a antiesochannelogia é mais para defesa
>não channers também são alvo de atividade esochannealógica
Diálogo entre Amigos #3:
— Cadáver, eu só não entendi uma coisa — pergunta Pumílio Mineral Teofídio.
— O quê?
— Por que caralhos essa merda de livro tem um fodendo sistema de poder?
— Foi recomendação do Pesquim para traduzir a cultura channer para os mais novos.
— Ah, não, aqueles caras não…
— Qual é, todo mundo adora o Pesquim.
— Não, seu imbecil, todo mundo adora o Pasquim. Já o Pesquim todo mundo odeia.
— Qual é, todo mundo adora sistemas de poder. Sobretudo os nerds e os geeks. Zoomers discutem sistemas de poder em animes o tempo inteiro.
— Os channers da nova geração precisam mesmo disso?
— Sim, eles precisam.
— Me diz aí, isso é só humor refinado? É uma espécie de pescaria que faz o livro parecer menos ofensivo e sério do que de fato é, não?
— Yeap.
— Eu até poderia reclamar, o problema é que essa merda funciona mesmo e é um bom mecanismo para explicar as coisas.
— Está vendo, estamos tornando as coisas num ritmo mais pop. As próximas gerações de channerinhos vão se amarrar.
— Tal como aquela coisa de Fundação SCP?
— Melhor criação do /x/ até agora.
— A gente não corre o risco de infantilizar, trivializar e deixar “cool” coisas sérias?
— Temos que garantir o hype. A garotada não vai pegar um “Unrestricted Warfare” e começar a ler sobre psyops ou táticas avançadas e aplicá-las à channealogia. E nossos acadêmicos não vão estudar o que precisariam estudar, visto que estão ocupados se masturbando em frente ao espelho com os seus diplomas na mão.
— Isso é alguma técnica de teatro bizarro para conscientizar pessoas dos perigos da internet? Eu não sei mais o que essa porra de livro é. É uma crítica social foda? É uma memoria pessoal e traumática? É um ensaio sobre a internet? Esse humor cínico e forma fragmentada impedem uma classificação fácil.
— Okay, vamos lá: é uma crítica social foda, com toques de ironia. É um ensaio sobre a internet usando a própria linguagem da internet. É um humor cínico que usa uma estrutura de game design para diferenciar sessões de uma fase.
— A linguagem foi gameficada na estrutura de uma fase para que cada sessão apresentada cumpra um papel?
— É, exato, você pegou o jeito.
— Tá, como você aprendeu isso?
— Lembra-se da peça “Vestido de Noiva” do Nelson Rodrigues?
— Lembro, você me falou dela por uma semana.
— Eu apenas peguei a lógica do “game design” e apliquei a lógica do “Vestido de Noiva”, aí criei um escrito entre camadas. Cada camada é complementar uma a outra. E cada uma tem propósitos literários distintos. Pense em cada texto como uma estrutura, mas nenhuma estrutura é antagônica uma a outra.
— Eu nunca pensei que a neossistemática poderia ser usada de maneira tão inusitada.
— É por isso que eu amo ser channer.
— Apesar de você ter se ferrado fortemente por isso?
— Ócios do ofício.
— Deixe-me ver se eu entendi, o próprio sistema de poder foi criado para que as pessoas compreendessem a progressão dos channers e as suas habilidades?
— Alguém precisa criar uma sociologia troll e eu quis usar um conceito vindo de animes.
— Você passou muito tempo vendo a última temporada do Bleach, não?
— Nunca se sabe de onde virão as melhores ideias.
— Você parece o Mises falando sobre a impossibilidade de cálculo econômico no socialismo.
— Existe a impossibilidade de criatividade epistemológica na censura. O dogmatismo mata a criatividade.
— Caraca, você é um sujeitinho impressionante às vezes.
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