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A maior impressão de dinheiro da história vai começar por causa da IA

No dia 22 de fevereiro desse ano a Citrini Research publicou um artigo com um cenário hipotético em 2028 em que a IA “deu certo”, aumentou…

Pravatta · 2026-02-25 19:36 · 2 claps · 9.6 min read
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A maior impressão de dinheiro da história vai começar por causa da IA

No dia 22 de fevereiro desse ano a Citrini Research publicou um artigo com um cenário hipotético em 2028 em que a IA “deu certo”, aumentou muito a produtividade, os preços dos produtos despencaram, mas muitos perderam o emprego sendo substituídos por IA, o consumo das pessoas reduziu, a economia começou a patinar e o S&P 500 já havia caído 38%.

Mas e se for o contrário? E se as Bolsas e o Bitcoin subirem de preço nesse cenário?

E se o boom da IA fizer os governos imprimirem dinheiro como nunca? Mais do que na crise de 2008 e no COVID em 2020?

Neste artigo vou utilizar como referência os princípios de economia da Escola Austríaca fundada por Carl Menger, também William Jevons, que em paralelo com Menger desenvolveu a teoria do utilidade marginal. E a Teoria de Ciclos Econômicos da Escola Austríaca (TACE) de Mises, Hayek e Rothbard. Por fim, além da base teórica também vou comparar o momento atual com dados históricos de outro período da história dos Estados Unidos em que a produtividade acelerou bastante e os preços dos produtos despencaram, até cerca de 50%, no período de 1870 a 1890 e houve prosperidade econômica e melhora significativa na vida da maioria dos americanos.

Mas é importante saber que no final do século XIX tinha um detalhe muito importante, bem diferente dos dias atuais. A dívida americana na época do padrão-ouro do século XIX era extremamente baixa, menos de 10% do PIB, comparado com o valor atual de mais de 100% do PIB. Com dívida governamental baixa e um padrão-ouro não tem problema ter queda de preços e salários, desde que o poder de compra da população aumente.

No Capítulo 8 do meu Livro Ciclos de Mercado e Opções de Bitcoin eu detalho como as dívidas de governos são causadoras de ciclos de mercado e impactam diretamente os ativos do mercado financeiro.

No mundo atual, entretanto, vivemos no padrão Fiat com dívidas absurdamente altas e não mais no padrão-ouro com dívidas baixas.

Essa cultura de dívidas incentivou famílias a fazeremm empréstimos para financiar casas e carros, entre outros bens e empresas e governos também a sempre fazer dívidas enormes e longas. Neste cenário, no século XXI, se tiver queda de preços generalizada até a dívida fica impossível de pagar e explode rapidamente.

Imagina se no mundo atual os salários pudessem ser reduzidos (como podiam no padão-ouro)? Imagina os milhões de americanos com casa financiada e hipotecada para pagar em 30 anos ou mais? Seria a maior onda de calotes da história mundial.

Solução? Imprimir dinheiro e desvalorizar o dólar e todas as moedas fiats do Mundo ! Como Nunca!!!!!

Mas vamos por partes.

Vamos começar primeiro explicando porque o cenário econômico do artigo da Citrini Research, apesar de ter viralizado mundialmente e de colocar um cenário hipotético interessante para debate, possui alguns erros de teoria econômica.

Acreditar que a IA tornará as pessoas mais pobres em 2028 repete a mesma lógica da tese da de Karl Marx, que previa que a mecanização tornaria os trabalhadores progressivamente mais miseráveis. Algo que obviamente não se confirmou. Essa teoria foi publicada no livro O Capital, de Karl Marx de 1876 e foi a base que Lenin usou inclusive para criar a desastrosa teoria econômica da União Soviética. Um dos grandes erros de Marx foi acreditar na teoria do valor-trabalho e na mais-valia, sendo que esta última, curiosamente ele formulou se baseando em alguns conceitos das obras de Adam Smith e David Ricardo, que eram a favor do livre-mercado mas defendiam que os preços eram objetivos e derivavam dos custos. A teoria do valor-trabalho defende a visão de que os preços são determinados pelos custos e dessa maneira Marx concluiu que os trabalhadores deveriam ficar com a maior parte do lucro e não os empreendedores e os donos do capital. Essa teoria desastrosa inspirou e foi base para a revolução russa e a maioria dos regimes comunistas que geraram miséria e mataram cerca de 100 milhões de pessoas no século XX. Foi somente nos anos 1870 com a revolução marginalista que Carl Menger, William Jevons e Leon Walras formularam, em paralelo, a teoria da utilidade marginal e demonstraram que os preços dos produtos finais são subjetivos e que valor vem de utilidade subjetiva e não da quantidade de trabalho.

Portanto máquinas (e agora IA) não reduzem valor humano.

Filosoficamente podemos dizer ainda que, segundo a lógica aristotélica, somente humanos tem fins. Máquinas somente tem meios, sendo que elas aumentam produtividade e liberam as pessoas para funções mais valiosas.

Exemplo histórico:

•90% trabalhavam na agricultura em 1800

•hoje: ~2–5% somente trabalham em agricultura mas somos muito mais ricos

Outro exemplo que refuta o cenário da Citrini Research é o paradoxo de Jevons. Esse paradoxo, proposto pelo economista William Stanley Jevons em 1865, descreve uma situação contraintuitiva: quando a tecnologia aumenta a eficiência no uso de um recurso (tornando-o mais barato ou produtivo), o consumo total desse recurso não diminui, mas aumenta. Isso acontece porque a eficiência reduz custos, o que estimula uma demanda maior e novas aplicações. O exemplo clássico é o carvão na Revolução Industrial: motores a vapor mais eficientes não economizaram carvão; pelo contrário, baratearam a produção, levando a mais máquinas e um consumo total maior de carvão.

Em vez de escassez, surge abundância e expansão econômica.

A IA se encaixa perfeitamente nesse padrão. Ela reduz custos de produção (por exemplo, automatizando tarefas repetitivas ou criativas), gera deflação tecnológica (preços caem para bens e serviços) e pode eliminar empregos em áreas específicas. Mas, segundo o paradoxo, isso não leva a um colapso econômico permanente; em vez disso, cria um “efeito rebote” onde a eficiência barateia tanto as coisas que a demanda explode, gerando novas oportunidades e empregos. Redução de custos e deflação tecnológica: A IA torna processos mais eficientes, como codificação, tradução ou análise de dados. Isso baixa preços, tornando produtos e serviços mais acessíveis. No entanto, em vez de menos consumo, as pessoas e empresas usam mais desses recursos porque ficaram baratos. Por exemplo, se a IA torna o desenvolvimento de software 10x mais rápido e barato, não teremos menos software; teremos muito mais aplicativos, ferramentas e inovações, expandindo mercados inteiros.

Eliminação de empregos vs. criação de novos: Muitos temem que a IA “roube” empregos, mas o paradoxo sugere que a eficiência libera recursos (tempo, capital, mão de obra) para novas demandas. Historicamente, tecnologias como a eletricidade ou o PC eliminaram empregos antigos, mas criaram indústrias inteiras (ex.: finanças digitais, e-commerce). Em vez de desemprego em massa, vemos crescimento econômico, salários mais altos e novas vagas em áreas emergentes, como ética em IA, customização de modelos ou integração de sistemas.

Qual o verdadeiro problema que a deflação tecnológica e a redução de preços causa?

Dívidas explodem se a quantidade de dinheiro na economia não aumentar.

No mundo atual, especialmente nos países ricos nos últimos 20 anos, principalmente após a crise financeira de 2008, esses países e seus respectivos bancos centrais deixaram os juros básicos próximos de zero.

Como dizia Charlie Munger, mostre-me os incentivos e eu mostrarei os resultados.

Antes de 1971 com o padrão-ouro o crédito era mais restrito, tanto para famílias, quanto para empresas e mesmo o governo. Com o fim do acordo de Bretton Woods em 1971 e a política de juros zero do século XXI, todas as dívidas começaram a crescer sem parar. Com juros próximo de zero todo mundo é incentivado a se endividar mais porque incentiva a baixa preferência temporal. No passado não era assim e era comum aumentar poupança, que seria típico de alta preferência temporal e costumava ser feito por nossos avós e mais antigos, que ainda viviam em um resquício de padrão-ouro e moeda forte no século XIX e em alguns momentos do século XXI.

A inflação do consumidor CPI subiu para 9% depois da pandemia de 2020 e o FED subiu juros de cerca de 0 para 5,5% em 2022 e 2023.

Mas o que acontece quando o índice de inflação do consumidor começa a baixar?

Quando os índices de inflação do consumidor caem próximo ou abaixo de zero é justamente o sinal dos Bancos Centrais e governos para imprimir dinheiro e desvalorizar as moedas fiduciárias. Tanto que a política monetária oficial do FED, o banco central dos Estados Unidos é inflação ao consumidor de 2% ao ano, nem mais nem menos. (apesar de estar um pouco acima há alguns anos).

Mas nem sempre foi assim.

Entre aproximadamente 1870 e 1900, várias séries históricas apontam para um padrão consistente: deflação moderada no nível geral de preços e aumento do poder de compra do trabalhador — especialmente após a retomada da conversibilidade em espécie (1879), quando o sistema monetário norte‑americano se aproxima do “padrão‑ouro clássico” do fim do século XIX.

A evidência mais direta, com números anuais, aparece na tabela HSUS (Historical Statistics) de “ganhos anuais de empregados não‑agrícolas” (séries D735–D738). Nessa fonte, os ganhos nominais anuais (quando empregado) ficam praticamente estáveis de 1870 para 1900 (US$ 482 → US$ 483), ao mesmo tempo em que o índice de preços ao consumidor (base 1914=100) cai de forma relevante (124,9 → 84,3, cerca de −32,5%). O resultado mecânico é que os ganhos reais sobem de US$ 386 (em dólares de 1914) para US$ 573 (+48,4%).

Séries de preços de bens amplamente consumidos e insumos industriais também mostram quedas nominais duradouras entre 1870 e 1900 (ainda que com oscilações cíclicas), como:

Um modo intuitivo de enxergar “poder de compra” é traduzir salários em quantidades físicas: com os ganhos nominais anuais médios do trabalhador não‑agrícola, a capacidade de compra estimada sobe fortemente. Por exemplo, a quantidade de trigo comprável com um ano de ganhos passa de ~351 bushels (1870) para ~686 bushels (1900), quase dobrando.

No transporte (parte crucial do choque de produtividade do período), séries do NBER Macrohistory indicam queda de “tarifas efetivas” ferroviárias:

Quanto ao elo com produtividade: índices de produtividade do trabalho (produto real por hora) em HSUS/Kendrick/NBER mostram avanço importante no fim do século XIX; por exemplo, o índice W1 (produto real por homem‑hora; base 1929=100) cresce de 43,6 (1889) para 59,4 (1900) (+36,2%).

Por fim, também tem o caso ilustrado por Rothbard (querosene): em The Progressive Era, Murray Rothbard afirma que o preço no atacado do querosene caiu de 45¢/galão (1863) para 6¢/galão (meados dos anos 1890), citando Hidy & Hidy (1955), pp. 203–204 como fonte.

Portanto ganhos de produtividade enormes e quedas de preços generalizadas com deflação tecnológica já ocorreram no passado, notadamente no final do século XIX. Exatamente quando os USA deram um grande salto para se transformar em potência mundial. Muitas pessoas saíram da pobreza e começaram a formar a classe média americana.

E novamente um detalhe que é importante frisar. A dívida pública americana era extremamente baixa, comparando com os padrões atuais. Conforme a imagem 1, final do século XIX, a dívida americana era menor que 10% do PIB. Nesse cenário não era problema para ninguém os preços despencarem por ganho de produtividade. Mas no século XXI se a IA fizer os preços despencarem vamos ter problemas sim. As dívidas agora são enormes e os governos precisam desvalorizar as moedas fiat e imprimir dinheiro para ir rolando a dívida. Não estamos mais em época de padrão-ouro e dívidas baixíssimas.

E mesmo se analisarmos ainda o início do século XX, antes da crise de 1929 e a Grande Depressão dos anos 1930, era normal ter deflação e até quedas de salários em momentos de crise.

No ano de 1921, conforme mostrado nesse artigo de Leandro Roque do Instituto Mises Brasil, houve uma profunda depressão na economia americana, o desemprego saltou de 5 para quase 12%, economia contraiu 17% e os preços desabaram mais de 10%. Nesse época havia padrão-ouro e foi permitido que os salários também fosse reduzidos, acompanhando os preços em queda. O governo reduziu gastos em 50% e a dívida americana na época era 300 bilhões de dólares cerca de 30% do PIB somente, conforme artigo do New York Times, mostrado na Imagem 1. Atualmente a dívida pública americana está em incríveis 38 trilhões de dólares e mais de 100% do PIB. Ninguém segura esse trem, parafraseando a Lyn Alden.

Imagem 1 — Evolução da Dívida Pública Americana que começou a crescer exponencialmente nas últimas décadas

Imagem 1 — Evolução da Dívida Pública Americana que começou a crescer exponencialmente nas últimas décadas

No início dos anos 1920 foi a última vez que não houve intervenção governamental e a economia se recuperou rapidamente.

Depois da experiência da Grande Depressão dos anos 1930, essa época em que sim houveram muitas intervenções governamentais, o remédio dos governos e bancos centrais sempre foi o mesmo: Foco em estimular a economia e não deixar que os salários dos trabalhadores fossem reduzidos.

Eu não vou entrar em maiores detalhes neste artigo de todas as ingerências do FED e dos presidentes americanos Hoover e Roosevelt no período, mas quem quiser ir a fundo eu recomendo o livro America-s Great Depression do Murray Rothbard, que explica muito bem como o FED causa o cenário que culminou no crash de 1929, exatamente como previsto na Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) e depois a grande depressão causada por intervenções governamentais.

Foi nessa época também que as políticas de John Maynard Keynes começaram a ficar populares e é por isso que até hoje é bastante popular nas universidades o livro The General Theory of Employment Interest and Money. O desemprego chegou a 25% nos Estados Unidos nos anos 1930. E se você prestar atenção no título do livro de Keynes parece que estamos ouvindo uma entrevista do presidente atual do FED agora em 2026. Powell sempre diz que o seu duplo mandato visa estabilidade de preços e pleno emprego. Ou seja, desde a grande depressão dos anos 1930, se tiver desemprego o governo americano e o FED encontram uma maneira de imprimir dinheiro para estimular a economia.

E se a IA causar desemprego em massa nos próximos anos como nunca visto nem na crise de 2008 e no COVID? Ou mesmo igual ou pior que os 25% de desemprego dos anos 1930 nos USA?

Já sabem. A impressora do FED vai funcionar como nunca. Possivelmente com cheques e estímulos maiores do que o do Covid ou até uma renda básica universal.

Nesse cenário ativos escassos se tornam ainda mais valiosos e o Bitcoin, commodities e ações de boas empresas tem tudo para se valorizar exponencialmente neste cenário.


메타데이터
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