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friendzone ou preconceito?

flerte, seletividade e corpo padrão. e o lugar que eu ocupo.

Por Mariana Batista · 2026-03-03 18:26 · 0 claps · 2.1 min read
#gordofobia #autoestima #relacionamentos #amizade #magreza
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friendzone ou preconceito?

flerte, seletividade e corpo padrão. e o lugar que eu ocupo.

créditos: maliv

créditos: maliv

Dia desses, vi um meme que me chamou a atenção (vou colocar no final do texto). Ele me fez pensar o quanto eu caio na friendzone, e isso é algo que venho reparando há um tempinho…

Esses dias tava num rolê de carnaval, fiquei conversando com um menino quase uma hora sem parar, o papo cheio de flerte e papo profundo, bebendo junto e trocando cigarro. Passou um tempo, falei: não acredito que mais uma vez vou cair na friendzone. Ele riu, pensou, e nos beijamos (depois ele deu o perdido).

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Mas isso não seria nenhuma novidade pra mim. Tenho um grande costume de virar super amiga dos boys que já fiquei.

De um tempo pra cá tenho pensado muito nisso, o carnaval me fez pensar mais ainda. Brasília, então, nem se fala…

Infelizmente, em Brasília e os caras daqui, existe um abismo entre como me tratam e como tratam as meninas padrão. Eu não sou pra ser levada a sério na uma relação, eu sou pra ser amiga. Ser amiga é uma ótima qualidade, não discordo. Mas entende o que quero dizer?

Aqui em Brasília, principalmente, eu não sou a ficante pra assumir, não sou a pessoa pra ficar de casal no rolê. Diferente das mulheres magras. Sou só engraçada, divertida e um belo ombro amigo. Não sou magra.

Em outras cidades não sinto tanto isso, no Rio, por exemplo, graças às deusas é uma terra abençoada e sou feliz. Meu corpo é feliz. E flerto muito mais feliz.

A ditadura da magreza tá cada vez mais bizarra. Já me vi tomando remédio pra emagrecer que me fazia muito mal (quem me deu ainda foi minha mãe — a cobrança tá em todo canto). Tomei, emagreci, mas o caminho foi penoso. Por muito, muito pouco, não fui parar no hospital.

E é claro que tudo isso detona a autoestima de qualquer uma. Fico num trabalho constante de repetir o mantra: você é bonita, inteligente, engraçada e amorosa. Mas nem sempre isso basta. No dia a dia, muita coisa não basta.

Aí vem o tal do livramento, que também é nisso que tento acreditar: se o cara não quer nada a mais comigo, por conta do meu corpo, é porque é livramento. E assim vai, de rolê em rolê, de match em match de app, sempre tentando segurar os pratinhos

Tenho pensado muito que a mulher já nasce com o DNA da dor, mas isso vou deixar pra outra hora.

Por enquanto, só pra dizer mesmo o quanto o preconceito com os corpos é bizarro, a seletividade é assustadora e a indiferença é muito ruim. Mas seguimos, sempre seguimos!


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2026-08-21 07:55:18