Macron demonstrando claro oportunismo em seu ataque incoerente à soja brasileira
Na terça passada (13 de janeiro) o Presidente francês, Emmanuel Macron, em declaração publicada em redes sociais, afirmou que “continuar a…
Macron demonstrando claro oportunismo em seu ataque incoerente à soja brasileira
Na terça passada (13 de janeiro) o Presidente francês, Emmanuel Macron, em declaração publicada em redes sociais, afirmou que “continuar a depender da soja brasileira seria endossar o desmatamento da Amazônia”. Por outro lado incentivou a produção da soja no continente europeu como alternativa declarando de forma clara: “Nós precisamos da soja brasileira para viver? Então nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”.

Ao me deparar com tais declarações, sinto que tenho que fazer algumas ponderações, pois o que mais me chamou a atenção foi o complemento que deu à suas declarações: “Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa!”. (grifo meu)
Tá certo…..

A França é um dos maiores exportadores agrícolas da União Européia, durante sua história na agricultura européia foi privilegiada e seu crescimento veio de forma sistemática e intensiva desde os anos de 1880, após teve uma acelerada modernização da agricultura durante os chamados “Trista Anos Gloriosos” entre os anos de 1945 a 1975, seu apogeu.
Em 2003 a agricultura francesa atingiu 59% de ocupação de seu território nacional, haviam ali 590 mil explorações, ocupando 920 mil pessoas, o que à época representava 3,8% da população economicamente ativa.
Entretanto, nos últimos anos essa atividade se fez muito frágil devido à perda de autonomia dos agricultores de decidir o quanto produzir, essa perda de autonomia do agricultor francês advém do processo de modernização da agricultura, acompanhado de uma transformação profunda, sobretudo, na relação dos agricultores com a terra.
Isso causou um impacto que gerou perda de identidade dos produtores, pois com algumas medidas tomadas pela União Européia a Criação da Política Agrícola Comum — PAC trouxe um incentivo financeiro direto para que não desempenhassem mais a atividade agropecuária, em outras palavras, deixarem de produzir. A intenção era que migrassem para novos objetivos como produção de energia e de moléculas de base para a indústria, proteção de espaços e riquezas naturais e culturais etc. Não é sensacional?

ai, ai, Macron….
Em que pese o mercado agrícola brasileiro, neste contexto, que iniciou o processo de modernização do campo, nos anos 70, a área plantada cresceu 32%, enquanto a produtividade cresceu quase 400%, graças à pesquisa e inovações, fazendo com que o Brasil se tornasse um dos maiores players globais nessa atividade.
E foram por essas razões, o subsídio aos agricultores na frança e essa declaração grotesca de Macron, que, em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu as críticas de presidente francês pontuando que, “como bem sabe Macron, a soja produzida no bioma amazônico do Brasil é livre de desmatamento desde 2008, graças à Moratória da Soja”.
Pra quem não sabe a moratória da soja é um pacto ambiental entre as entidades representativas dos produtores de soja no Brasil, ongs ambientais e, mais tarde, do próprio governo, prevendo a adoção de medidas contra o desmatamento da Amazônia, que teve o prazo de duração, inicialmente, de dois anos a contar de 24 de julho de 2006. Na prática, a Moratória da soja proíbe a compra de soja proveniente de áreas recém desmatadas na Amazônia. Mais tarde, em maio de 2016 a Moratória foi renovada indefinidamente (não tem prazo pra acabar).
Naquela época, o Greenpeace emitiu e publicou um relatório que apontava para a expansão da cultura de soja na região da Amazônia como promotora de desmatamento.
O documento mostrava que, desde 2003, 70 mil km² de vegetação nativa haviam sido desmatados, principalmente por conta de obras de infraestrutura para viabilizar o escoamento da produção de soja na região a mercados globais.
Entre os anos de 2004 e 2005, algo em torno de 1,2 milhão de hectares de soja (5% do total nacional) foram plantados na floresta amazônica brasileira.
A ABIOVE , entidade que representa as principais negociantes de soja no país, destacou que a moratória é uma iniciativa internacionalmente reconhecida, que monitora, identifica e bloqueia a aquisição da soja produzida em área desmatada no bioma Amazônico, garantindo que existe risco zero do envio de soja de área desmatada (legal ou ilegal) deste bioma para mercados externos.
A Associação pontuou, ainda, que as declarações do presidente foram utilizadas como justificativa para os subsídios ofertados aos produtores franceses.
“A Abiove lamenta que o presidente da França, Emmanuel Macron, busque justificar sua decisão de subsidiar os agricultores franceses atacando a soja brasileira”.

Sempre pensaremos no bioma Amazônia quando se pensar em desmatamento,como poucos de nós sabemos, este compreende outros países além dos estados brasileiros, outros países da América do Sul, São 6,9 milhões de km2, dos quais 4,1 milhões de km2 estão aqui (50% do território Brasileiro)
Ocorre que ao olhar o mapa do desmatamento recente observado no país, fica evidente a associação com o tipo de atividade econômica praticada está concentrada no Sudeste do País (bioma do Cerrado e Mata Atlântica).

Existem percalços? Sim, os desmandos no ministério do meio ambiente, as queimadas expressivas no Pantanal (que é um bioma muito menor, mas não menos importante), são um exemplo muito claro de que devemos ter sistemas de controle mais efetivos no que diz respeito a proteção ambiental. Temos muitos problemas, mas não é só por causa de soja e gado. Existem muito mais motivos para essas ocorrências como, por exemplo, falta de políticas efetivas dos Governadores para proteger o patrimônio ambiental.
Precisamos melhorar nossa governança ambiental? Sim, precisamos de leis, sistemas e monitoramento eficiente. Precisamos rever muita coisa, inclusive alternativas que viabilizem o bio-negócio e a sociobiodiversidade sem que tenhamos que presenciar desastres ambientais.
Um estudo recente, encomendado à FGV (2019)pelas empresas do Polo Industrial de Manaus, aponta que existem estudos que sustentam a hipótese de que a ZFM contribui para a preservação, em geral, trazem a percepção de que o Polo Industrial de Manaus (PIM) não agride o ambiente local e que as atividades industriais da ZFM não requerem o uso intensivo de recursos naturais (como terra e madeira), ao contrário de outras atividades primárias (extração de minério, madeireira, agropecuária extensiva, que estão associadas à grilagem e à especulação imobiliária).
Mencionam, ainda, que estudos afirmam que a existência do PIM poderia evitar atividades que seriam mais nocivas ao meio ambiente, tais como criação de gado ou extração de madeira. No mesmo sentido, para Brianezi (2013), os incentivos da ZFM não incluem a produção industrial com recursos naturais locais, além de concentrar na capital do estado (Manaus) os investimentos e a população de trabalhadores.
Poucos estudos, contudo, procuram analisar empiricamente o efeito da ZFM sobre o desmatamento. Citando o trabalho de Rivas, Mota e Machado (2009) em que foi um dos raros em que houveram testes empíricos para confirmar se a estratégia de industrialização do PIM contribui para a desaceleração do desmatamento da floresta amazônica. Os autores desenvolveram modelos matemáticos e econométricos para constatação, identificando causalidade entre desmatamento e variáveis como por exemplo: área agropecuária; crédito rural; adultos matriculados nos ensinos fundamentais e médios; rebanho bovino etc. Durante os estudos, identificaram que o desmatamento se concentra mais nos municípios do sul do Estado do Amazonas, por conta da expansão da fronteira agropecuária promovidas por estados fronteiriços.

Sendo assim, é plenamente cabível afirmar com tranquilidade que o Amazonas possui mais de 95% de sua cobertura preservada devido ao seu parque industrial para não desmatar e não repetir erros do passado observados em outras regiões brasileiras.

É uma pena que os nossos governantes (Presidente da República e Governadores) não se prestam a dar uma resposta efetiva à esta declaração tão maldosa pronunciada por Macron em a ponto de atentar contra nosso país se colocando como protetor da Amazônia.

Macron está querendo aproveitar a péssima oratória e toda a falta de traquejo político do nosso presidente e do silêncio dos governadores cujos estados compõem o Bioma Amazônico pra criar protecionismo sobre nossa produção sobre o pretexto de estar conservando a amazônia. Não podemos permitir.
Precisamos continuar investindo mais em Pesquisa e Desenvolvimento para que possamos reduzir o espaço utilizado pra esses cultivos de forma consciente e sustentável e evitar que oportunistas como Macron ganhem terreno.
메타데이터
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