A prostituta
Para ela o sentido da vida era a certeza de que morreria
naquele momento a parte mais atraente de continuar era a exatidão de que a morte a esperava, que aguardava seu corpo ansiosa, ate ela sabia que estaria fazendo um favor ao adiantar o inevitável, pois o tempo estava correndo e ela se cansou. Com o estilo de vida que levava, nao era de se esperar uma necessidade menos do que suicida, era cercada por um ambiente podre e sem vida, tinha cheiro de mofo, era repleto de secreções corporais, dor e uma aura pesada que aumentava ao decorrer de cada cliente que se saciava, era de se imaginar que o processo de envelhecimento seria precoce, o envelhecimento que chegou tão tardio para ela, em certo momento lhe esmagou a ponto da decomposição, mas não foi um envelhecimento fisico, seu exterior continuava intacto, lindo como sempre, mesmo que podre e usado, o mais nojento era o interior, ela chegava a sentir o odor infeliz que seu corpo emanava, até seus órgãos começaram a feder de tao apodrecida, apenas ela o sentia, e ela não suportava. certo dia chegou ao ponto de beber um produto quimico usado para a limpeza dos pisos, não conseguia se sentir limpa e no pico do desespero se viu obrigada a tentar todo o possível, ela o bebeu e o vomitou em seguida, se sentindo pior do que antes. No dia 27 de julho de 1947, o clima estava seco, e extremamente quente, era o tipo de calor que causava mais melancolia do que a temperatura mais gelada, ela estava la, sentada no chão enquanto fumava um cigarro americano que havia ganhado de um freguês, enquanto observava as sombras que passavam diante a sua fina porta no centro da cidade, lembrou se da infancia, e do sentimento que sentia quando foi para quioto aos 13, ela conseguiu sentir um pouquinho daquilo apenas ao se lembrar, mas foi só uma faísca temporária, logo voltava a não sentir, ela sabia que depois de tudo aquilo não existia nada que pudesse cura la. Amarrou sobre uma viga do teto uma corda, sabia fazer nós, e o fez delicamente, havia aprendido a amarrar com um antigo marinheiro. seu último nó deveria estar em perfeito, como seu corpo também, sabia o que aquele corpo já havia feito, e para mascarar o pecado, ela se banhou. Penteou seus cabelo, se maquiou como de costume, e botou uma roupa fresca e branca, que se tornava quase transparente em contato com a luz que exalava da fina porta, subiu a cadeira e se jogou. Seus cabelos negros escorriam sobre seu corpo, não havia feito nenhum penteado, como fazia na época em que poderia se considerar uma gueixa, ela se enforcou na frente da porta, para que quem a achasse, visse aquele cenário, para que um um porco a achasse, e soubesse no fundo que aquilo era culpa dele, nao o aconteceria, os porcos achariam atraente a melancólia feminina e se deliciariam com essa tragedia, Uma tragedia barata.
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