Cristiano Ronaldo e o legado da Copa do Mundo
Já adianto que… não sou jornalista! Então não me proponho a ser uma enciclopédia do esporte aqui neste texto (apesar de isso não ser…
Cristiano Ronaldo e o legado da Copa do Mundo

Já adianto que… não sou jornalista! Então não me proponho a ser uma enciclopédia do esporte aqui neste texto (apesar de isso não ser requisito para ser jornalista, com o nível apresentado pelos jornalistas esportivos brasileiros sendo o do mais inferior possível). Entretanto, gostaria de trazer a tona uma reflexão sobre a fala do lendário Cristiano Ronaldo ao comparar a conquista da Eurocopa como sendo de grandeza similar a conquista da Copa do Mundo.
Primeiramente, acho pertinente destacar que esta frase não ocorre em um vácuo e mesmo que ela esteja com um pé fora da realidade em qualquer tipo de interpretação cabível, se analisarmos o contexto da fala ela se torna um pouco (bem pouco mesmo) mais aceitável. O português antes de soltar esta opinião deveras torta comenta que antes dele (sim, ele cita a si próprio e não a sua geração) a seleção portuguesa tinha zero títulos e que depois dele (os outros dez jogadores pouco importam, pelo visto) a seleção portuguesa conquistou três. Neste sentido, podemos acreditar que o que ele realmente quis dizer é que para uma seleção como a de Portugal, a conquista de uma Eurocopa importa tanto quanto uma Copa do Mundo importa para uma Argentina, que já havia conquistado o título anteriormente em sua história. Essa suposição tem fundamento, inclusive, ele já expressou essa opinião mais diretamente em entrevistas no passado, o que, devo acrescentar, é uma atitude bem decepcionante, pois assim como a desta fala recente parece refletir a postura de um juvenil que tenta dobrar a narrativa a seu favor ao invés de lidar com a derrota e com os objetivos não alcançados em sua carreira.
Ademais, gostaria de destacar como a Copa do Mundo é, disparadamente, a competição mais importante do futebol… aliás, não só do futebol, mas também a de todos os esportes, atrás somente das olimpíadas (por representar todas as modalidades esportivas e ser mais antiga). Podemos analisar a história através desta competição que é valorizada como a mais importante desde a sua criação em 1930. Nomes foram eternizados através dela para o bem e para o mau, seja um herói ou um vilão, uma surpresa ou uma decepção; conseguimos projetar os melhores de cada geração através de cada ciclo de quatro anos que, aos poucos, vai renovando os atletas e trazendo infinitos novos talentos aos maiores holofotes do mundo esportivo. O mundo para para assistir a Copa do Mundo e, por mais que os europeus tentem te convencer do contrário, o mundo não para para assistir a Champions League. A Champions tem que ser valorizada, porque, de fato, apresenta o maior nível de desempenho possível no mundo do futebol (globalmente falando), porém desempenho coletivo não é o que mais importa no esporte… aliás, arrisco dizer que, no final das contas, talvez nem importe tanto assim para os anais da história. Há incontáveis fãs do esporte que preferem o cenário europeu mais antigo (como quando a liga italiana era a maior potência ao invés da inglesa), mesmo que este seja, atualmente, considerado um cenário com equipes menos eficientes. É claro que há uma alta dose de nostalgia aí envolvida, mas mesmo eu que me considero uma pessoa pouquíssimo nostálgica quando se trata de esporte, sempre preferi acompanhar o “cru” futebol brasileiro em comparação ao “desenvolvido” futebol europeu, isto é, pela conexão, pelo estilo e, acima de tudo, pela cultura. Então, números e análises frias não contam grandes histórias e não criam grandes legados. Se dermos prioridade para um viés puramente estatístico, jogadores como Ronaldinho Gaúcho podem ser relativizados como “nem tão impressionantes assim”, enquanto atletas como Robert Lewandowski serão alçados ao olimpo do futebol pela alta consistência e eficiência de conversão. Não que não possamos criticar jogadores como o bruxo e, sim, afirmo que devemos exaltar atletas dedicados como o Lewa, mas isso é um exemplo do por quê há algo de intangível na análise esportiva, ainda mais quando se trata do esporte mais rico culturalmente de todos que é o futebol.
Por fim, quero reafirmar que Cristiano Ronaldo é uma lenda deste esporte e, pessoalmente, foi o segundo maior jogador que vi. Entretanto, não há escapatória… ele não foi marcante na competição mais importante de todas e, historicamente, isso tem peso. Gostaria de destacar aqui também a minha curiosidade em acompanhar os próximos capítulos da carreira de Kylian Mbappé que ditarão o quão grande seu legado se tornará para o esporte; pois ao mesmo tempo que é um jogador com muita dificuldade de conquistar títulos importantes com o clube (arrisco dizer que ele não tem nenhum título verdadeiramente importante na carreira por clubes até aqui), é um jogador que, individualmente falando, produz como poucos e, além disso, mesmo com apenas 27 anos já se eternizou como um dos maiores jogadores da história da competição esportiva mais importante de todas (depois das olimpíadas) que é, veja só, a Copa do Mundo.
FIM.
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