Vocês confundirão um nome: “Iris”, dá-se epíteto “a Deusa grega” ou ‘apenas’, minha filha.
Nomear um rebento evocando a mitologia Grega serve de gatilho para referenciar um Olimpo todo quando precisamos descrever os fenómenos que…
Vocês confundirão um nome: “Iris”, dá-se epíteto “a Deusa grega” ou ‘apenas’, minha filha.
Nomear um rebento evocando a mitologia Grega serve de gatilho para referenciar um Olimpo todo quando precisamos descrever os fenómenos que circundam uma simples graça.
Chronos, (~ ou Khrónos — Χρόνος) o implacável, nos presenteia diariamente com a capacidade de evoluir perspectivas que poderiam, em sua ausência, ser estanque. Sequer sabemos o que é vida sem Tempo, já que existir é a arte de ser em sequência, e, por consequência, temporal.
Talvez por isso o presente nos seja tão raro, estamos sempre a projetar e a arrepender, enquanto o hoje nos parece menos tocável do que utopias e nostalgias que nos prometem ou remetem. Não confundir, por tanto, seu nome com o de Cronos / Kronos (Κρόνος), o titã destronado por seu filho Zeus, castrador de Urano. Veja, uma mitologia toda engendrada por alegorias fantasiosas, sabedorias e dissabores humanos não nos poupou de pregar peças como nomear assim, duas figuras distintas, nomes tão próximos. No legado que seja, eu aqui puérpera desejosa de um dia ser superada por este doce, puro mínimo sapiens que de joelhos corajosamente entreguei ao mundo.
Nos dizem “tudo passa, calma!”. Também nos dizem “Calma! Sua hora vai chegar”. Uma única letra muda tanto uma palavra … “calma” sobra um “C”. Um imperativo que solicita e evoca odes à Chronos, como se fôssemos obrigados a trazer o amanhã no hoje, seja esperançosos ou apenas lembrando que o momento é ínfimo perante a eternidade, e nossos sentimentos podem, então, ser relativizados devido a natureza finita de toda fotografia emocional. Fosse “alma”, despencava uma letra e recheava cada pessoa de si.
Nomear tem seus desafios, ora veja minha pretensão de batizar Iris este bebé que por mim veio ao mundo: a fonética atrapalha, e os distraídos perguntam “quando vou conhecer a Isis”? :/
E quem seria a tal? Erram mil anos, e algo na casa de 700 milhas, o que equivale a mais de mil quilómetros ou mais de 5 mil pés. O Egito, ainda que compartilhe muito parcialmente o mesmo mar azul, e coincidências como arquétipos semelhantes, nomeou suas entidades tão antes quanto muito mais focado na ordem cósmica do que na razão / emoção como o fez a cultura helénica — todo um esquema um pouco mais recente que nortearia outras ciências e refletiria as contradições da própria humanidade. Isis traz de volta à vida, Iris leva e traz mensagens, une o humano ao sagrado e simbolicamente tempera os interesses entre Olimpo e o mundo da mortalidade.
Não se pode ter tudo! R e S no mesmo nome, dois pedaços extremos do Mediterrâneo e afrontar Chronos aproximando milanos! Então, fica assim a correção, sempre tímida “é Iris, não Isis”. Por vezes ainda ouço “mas foi isso que eu falei”. :/
Você que me lê já não confunde, certo? Por favor! Minha filha foi registrada Iris, com o nome da deusa e da imagem da temperança Grega, não da majestosa mãe egípcia.

Imagem da carta de Temperança do tarot mitológico
Assim dito, voltemos ao senhor do relógio. No Olimpo a eternidade é presumida, mas para minha filha Iris, a imortalidade é impossível: dia após dias as marcas do “senhor tão bonito” revelam uma nova face, na face de infante (parafraseando e Caetaneando). A recém-nascida com carinha amassada já deu lugar às bochechas gordas e desbloqueou capacidades e aprendizados. Nesta humana Iris o senhor do tempo tem nos sido belo e impresso em minha vida surpresas de um olhar contagiante que se fixa melhor a cada dia, que inebria meu coração de alegria, que desafia minha capacidade de manter os meus olhos abertos (por exaustão) ou fechados (por paixão). É assim que ela vem pintando vagarosamente o arco divino.
Me pergunto se, na maternidade, o tempo é amigo ou inimigo? ‘Maternar’ passa rápido, passa lento, nunca passa. O cansaço amassa, o amor nos arremessa, a compreensão nos ultrapassa, o encantamento nos acomete, o amor nos atravessa, a culpa inaugurada é um veneno que lentamente nos mata, a sociedade ajuda, a sociedade atrapalha, o filho cresce e nossa jovialidade jaz sepultada na mesma lápide que uma parte de toda personalidade, um novo self se configura, ou o nosso self atualiza-se.
Pari a moça de asas douradas, este ser de luz e cores; num mundo quebrado, resolvi parir o elo. Temperança é a mais bela, nos falta ela: a capacidade de viver e validar tantas emoções sem nos perder no caos delas, sem nos distrair, ser sermos tão hiperativos, desfocados, ao viver uma espécie de dislexia ansiosa opcional, comendo letras e vomitando apressados números.
Multiplicar é revolucionário. Este é meu presente grego que nada tem a ver com Tróia ou mesmo com madeira. Um presente que veio do mar e da faísca de energia, que cria esta visão dos céus, um espetáculo gratuito para humanidade. Um mito de luz e de esperança, que deixa sua trilha sagrada marcada após qualquer tempestade afagando a terra molhada onde vão brotar sementes.
메타데이터
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